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Mordida profunda na dentadura mista — tratar na fase tardia deu resultado mais estável que tratar cedo

Criança de 8 anos com mordida muito profunda. Encaminho agora para tratar cedo ou espero a dentição permanente?

Red flags — sinais de gravidade

  • Trauma da mucosa palatina pelos incisivos inferiores — achado que muda a urgência
  • Desgaste ativo e progressivo de incisivos associado à sobremordida
  • Indicar tratamento precoce como regra para toda mordida profunda aos 7–8 anos
  • Prometer estabilidade a longo prazo — a recidiva é alta e os próprios autores pedem mais estudo
  • Sobremordida aumentada não registrada no exame de rotina da criança
  • Queixa de dor articular ou limitação funcional associada — avaliação própria, não só ortodôntica
  • Assumir que a conclusão vale para outras más oclusões — não vale
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Revisão sistemática (PROSPERO CRD42023408820) investigou a eficiência da correção PRECOCE da mordida profunda na dentadura mista e na permanente inicial, olhando desfechos de longo prazo depois da contenção
  • Busca de 2000 a julho de 2024 em Medline/PubMed, Web of Science, Science Direct e Embase, com pergunta estruturada em PICO
  • Seis estudos entraram na análise qualitativa, com risco de viés geral MODERADO — dois trataram com aparelho ortopédico de guia de erupção em dentadura mista inicial, dois corrigiram com aparelho fixo multibraquetes na permanente inicial e dois combinaram tratamento ortopédico seguido de ortodôntico
  • Achado principal, e é o que responde à pergunta do encaminhamento: pacientes tratados na dentadura mista TARDIA até a permanente inicial apresentaram melhor eficácia e MAIOR estabilidade dos resultados que os tratados na fase mista inicial
  • Os autores registram que mais estudos precisam ser conduzidos para sustentar e confirmar esse resultado — seis estudos com risco de viés moderado não é base para dogma
  • Prevalência citada pelos autores: a mordida profunda é mais frequente na dentadura mista (21,3%) do que na decídua (14,1%)
  • Os autores descrevem a mordida profunda como uma das más oclusões mais desafiadoras de tratar, com alta tendência à RECIDIVA — o que explica por que estabilidade, e não só correção, é o desfecho que importa aqui
  • É má oclusão vertical que pode vir isolada ou associada a alteração sagital e transversal; o plano do caso não se resume ao componente vertical
  • Consequência prática para o dentista generalista: identificar e registrar a sobremordida aumentada faz parte do exame, e o encaminhamento não precisa ser imediato só porque o achado apareceu aos 8 anos
  • O que muda a urgência é o dano, não a idade: trauma da mucosa palatina pelos incisivos inferiores, desgaste ativo de incisivos ou queixa funcional mudam a conversa e pedem avaliação mais cedo
  • Outras más oclusões têm janela de intervenção própria, e algumas SÃO precoces — mordida cruzada posterior, mordida cruzada anterior e hábitos de sucção têm verbetes próprios e não seguem esta conclusão
  • Nada aqui diz que tratamento precoce de mordida profunda é errado: diz que, nos seis estudos disponíveis, quem tratou mais tarde teve resultado mais estável
  • Quem conduz a decisão do momento e do aparelho é o ortodontista; o papel do dentista generalista é identificar, registrar, acompanhar e encaminhar com a informação certa

Conduta inicial

  1. 1Registrar a sobremordida no exame clínico da criança, com medida e com fotografia quando possível.
  2. 2Procurar dano ativo — trauma palatino, desgaste de incisivos, queixa funcional —, porque é isso que muda a urgência do encaminhamento.
  3. 3Na ausência de dano ativo, acompanhar e planejar o encaminhamento com a informação de que a fase mista tardia a permanente inicial teve melhor estabilidade nos estudos disponíveis.
  4. 4Encaminhar ao ortodontista para que ele defina momento, aparelho e sequência.
  5. 5Não generalizar esta conclusão para mordida cruzada, mordida aberta ou hábitos de sucção, que têm janelas próprias.
  6. 6Manter controle de cárie e de saúde periodontal durante a espera — acompanhar não é não fazer nada.

Exames

  • Medida e registro da sobremordida no exame clínico
  • Avaliação de trauma da mucosa palatina e de desgaste em incisivos
  • Fotografia intrabucal para acompanhar evolução
  • Avaliação de componentes sagital e transversal associados
  • Exames de imagem conforme indicação do ortodontista, não como rotina do encaminhamento

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — momento do tratamento e escolha do aparelho são decisão do profissional responsável pelo caso. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Recomendações

  • Sobremordida medida e registrada ___
  • Presença ou ausência de trauma palatino e de desgaste registrada ___
  • Encaminhamento ao ortodontista com a informação do caso ___
  • Acompanhamento de cárie e de saúde periodontal mantido ___

Exames

  • Reavaliação clínica em ___
  • Registro fotográfico de controle em ___

Referências

  1. [1]Orthodontic treatment of deep bite in mixed dentition and/or early permanent dentition: What about stability? — A systematic review, El Guennouni B, Houb-Dine A, Ben Mohimd H, Zaoui F, International Orthodontics 2025;23(2):100956 (doi:10.1016/j.ortho.2024.100956)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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