prffibrina rica em plaquetasplasma rico em plaquetasconcentrado plaquetario autologol-prfa-prfalveolo de terceiro molardor e edema pos-operatoriobucomaxilofacialodontologiaestudar
Concentrado plaquetário no alvéolo do terceiro molar — a maioria dos ensaios mostra menos sequela, e a heterogeneidade impediu metanálise
Colocar PRF no alvéolo depois de extrair o terceiro molar reduz dor, edema e alveolite de verdade?
Red flags — sinais de gravidade
Apresentar o concentrado plaquetário como benefício estabelecido — a metanálise foi impossível numa revisão e considerada inadequada para recomendação na outra
Prometer redução de edema e de trismo com A-PRF — o efeito foi descrito como desprezível nesses dois desfechos
Cobrar o procedimento como diferencial de resultado sem informar a incerteza da magnitude
Substituir analgesia ou corticoide, que têm evidência própria, pelo concentrado
Usar concentrado autólogo sem protocolo de coleta e manipulação adequado
Prometer prevenção de alveolite como certa — a certeza da estimativa é baixa
Alveolite instalada tratada como falha do concentrado, em vez de ser conduzida pelo seu próprio raciocínio
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
A primeira das duas revisões usadas aqui buscou em quatro bases e partiu de 544 artigos e restringiu-se a 59 ensaios randomizados publicados antes de 2024, todos comparando a aplicação de concentrados plaquetários autólogos no alvéolo de terceiro molar inferior incluso, removido cirurgicamente, com cicatrização não assistida (coágulo)
Composição dessa base: 11 estudos usaram PRP, 3 usaram PRGF e 45 usaram L-PRF — ou seja, a maior parte da evidência é de fibrina rica em plaquetas e leucócitos
O achado metodológico que vem antes de qualquer número: a análise detalhada revelou grande heterogeneidade entre os estudos, o que tornou a METANÁLISE IMPOSSÍVEL. Além disso, o risco de viés foi considerado ALTO
Sem metanálise, o que resta é contagem de direção: na MAIORIA dos ensaios, a aplicação do concentrado resultou em reduções estatisticamente significativas de sequelas pós-operatórias — menor intensidade de dor, menor consumo de analgésicos, menos edema e menor incidência de trismo e de alveolite
Também na maioria: cicatrização mais rápida de tecido mole e cicatrização óssea qualitativa e quantitativamente melhor
Uma minoria dos estudos relatou diferenças significativas em parâmetros periodontais na face distal do segundo molar — que é a queixa clássica depois da exodontia do terceiro
Segunda revisão, com metanálise, olhou especificamente o A-PRF (fibrina rica em plaquetas avançada), com busca até 31 de dezembro de 2020: quatro estudos, com risco de viés baixo ou moderado, preencheram os critérios
Resultado quantitativo dessa segunda: o A-PRF resultou em escores de dor significativamente menores que L-PRF ou cicatrização natural aos 2 dias (−16,8; IC95% −18,9 a −14,7), aos 3 dias (−12,1; IC95% −13,4 a −10,7) e aos 7 dias (−1,9; IC95% −2,9 a −0,9)
Antes de comparar esses números com a sua escala: são diferenças de escore de dor em escala visual analógica, e o resumo da fonte NÃO declara a amplitude da escala. Magnitudes como −16,8 só fazem sentido numa escala de 0 a 100; quem ler assumindo 0 a 10 vai superestimar o efeito
Note a trajetória desses três números: a diferença encolhe de −16,8 no segundo dia para −1,9 no sétimo. O ganho é da fase aguda, e some quase inteiro ao longo da semana
Na mesma metanálise: o A-PRF pareceu ter efeito DESPREZÍVEL sobre edema facial e trismo, e algum efeito benéfico sobre a cicatrização de tecido mole
Alveolite e qualidade de vida NÃO foram avaliadas nessa segunda revisão — apesar de serem, para o paciente, os desfechos mais relevantes
E a conclusão dos autores da segunda revisão é direta: os estudos incluídos foram caracterizados por heterogeneidade considerável e variáveis de confusão, de modo que o nível de evidência parece INADEQUADO para recomendação clínica
Uma terceira fonte, a revisão Cochrane de técnicas cirúrgicas para remoção de terceiros molares inferiores, dá o número que mais se aproxima de um efeito agrupado: colocar PRP ou PRF no alvéolo PODE reduzir a incidência de alveolite (razão de chances 0,39; IC95% 0,22 a 0,67; 2 estudos), com certeza BAIXA
Somando as três: a direção do efeito é consistente e favorável, o tamanho dele é incerto, a evidência é heterogênea e de risco de viés alto, e o desfecho mais bem sustentado é a dor da fase aguda
Consequência prática: apresentar o concentrado plaquetário como recurso com direção favorável e magnitude incerta, sem cobrá-lo do paciente como se fosse diferença estabelecida — e sem deixar de lado o que já tem evidência melhor, como o corticoide e o raciocínio de analgesia, que têm verbetes próprios
Conduta inicial
1Apresentar ao paciente a direção favorável do efeito e a incerteza da magnitude, separando dor aguda (melhor sustentada) de edema e trismo (efeito desprezível no A-PRF).
2Manter a analgesia e o uso de corticoide pelos seus próprios raciocínios, que têm evidência melhor.
3Seguir protocolo de coleta e manipulação do concentrado, e registrar qual foi usado (PRP, PRGF, L-PRF, A-PRF).
4Registrar no prontuário que o benefício foi apresentado com a incerteza da evidência.
5Acompanhar dor, edema, trismo e sinais de alveolite no pós-operatório, como em qualquer cirurgia.
6Conduzir alveolite instalada pelo raciocínio próprio dela, independentemente do uso do concentrado.
Exames
Avaliação pós-operatória de dor, com escala registrada
Avaliação de edema e de abertura bucal
Inspeção do alvéolo nos retornos, procurando alveolite
Avaliação periodontal na face distal do segundo molar, no seguimento
Registro do tipo de concentrado utilizado e do protocolo seguido
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o profissional adaptar e confirmar — indicação e protocolo do concentrado são decisão do profissional responsável. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Dieta
Orientação alimentar no pós-operatório ___
Medicamentos
Analgesia pós-operatória conforme avaliação individual e o raciocínio próprio ___
Corticoide conforme avaliação individual e o raciocínio próprio ___
Recomendações
Tipo de concentrado e protocolo registrados ___
Incerteza da magnitude do benefício informada e registrada ___
Escala de dor aplicada nos retornos ___
Avaliação periodontal distal do segundo molar no seguimento ___
Exames
Retorno pós-operatório em ___
Reavaliação periodontal distal em ___
Referências
[1]Autologous platelet concentrates after third molar extraction: A systematic review, Siawasch SAM, Yu J, Castro AB, Temmerman A, Teughels W, Quirynen M, Periodontology 2000 2025;97(1):131-152 (doi:10.1111/prd.12600)
[2]The use of advanced platelet-rich fibrin after surgical removal of mandibular third molars: a systematic review and meta-analysis, Vitenson J, Starch-Jensen T, Bruun NH, Larsen MK, International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery 2022;51(7):962-974 (doi:10.1016/j.ijom.2021.11.014)
[3]Surgical techniques for the removal of mandibular wisdom teeth, Bailey E, Kashbour W, Shah N, Worthington HV, Renton TF, Coulthard P, Cochrane Database of Systematic Reviews 2020;(7):CD004345 (doi:10.1002/14651858.CD004345.pub3)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do profissional responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.