Conjuntivite ambulatorial — diferencial alérgica, viral e bacteriana
Paciente ambulatorial com olho vermelho crônico ou recorrente, sem os sinais de alarme de urgência oftalmológica (ver ps, 'olho vermelho agudo no PS') — como diferencio alérgica de viral e de bacteriana, e trato sem exagerar em antibiótico?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata a visão: usar corticoide tópico sem avaliação oftalmológica em quadro que pode ser ceratite herpética — pode agravar dramaticamente uma infecção herpética não reconhecida
Dor importante, fotofobia intensa ou baixa de acuidade visual associada — não é conjuntivite simples, encaminhar com urgência (ver verbete de olho vermelho agudo)
Uso de lente de contato com dor e hiperemia — limiar baixo para pensar em ceratite bacteriana/por Acanthamoeba e encaminhar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Excluir antes de tudo os sinais de urgência oftalmológica: dor importante, fotofobia intensa, baixa de acuidade visual, halos, secreção purulenta abundante em recém-nascido — se presentes, esse não é o fluxo ambulatorial simples
Coceira importante e bilateral aponta para alérgica; secreção aquosa + sintomas de via aérea superior aponta para viral; secreção mucopurulenta com pálpebras grudadas ao acordar aponta para bacteriana
Perguntar sobre uso de lente de contato — muda o limiar de suspeita para ceratite/causa mais grave
Papilas na conjuntiva tarsal sugerem alérgica/bacteriana; folículos sugerem viral/clamídia
Linfonodo pré-auricular palpável é típico de conjuntivite viral
Conduta inicial
1Diferenciar pelo padrão clínico: alérgica (coceira, bilateral, história atópica), viral (aquosa, sintomas respiratórios associados, folículos, linfonodo pré-auricular) e bacteriana (mucopurulenta, pálpebras grudadas).
2Conjuntivite viral: tratamento de suporte (compressas frias, lubrificante ocular), é autolimitada em 1-3 semanas — orientar sobre alta transmissibilidade e higiene das mãos, evitar compartilhar toalhas/travesseiro.
3Conjuntivite alérgica: anti-histamínico/estabilizador de mastócito tópico, compressa fria, afastamento do alérgeno quando identificável.
4Conjuntivite bacteriana leve costuma ser autolimitada; reservar antibiótico tópico para secreção purulenta persistente/importante, uso de lente de contato ou imunossupressão — não é indicação automática para todo olho vermelho com secreção.
5Evitar corticoide tópico neste fluxo ambulatorial simples sem avaliação oftalmológica — risco de mascarar/agravar ceratite herpética não reconhecida.
Exames
Diagnóstico geralmente clínico, sem necessidade de exame complementar de rotina
Considerar avaliação oftalmológica com lâmpada de fenda se dúvida diagnóstica, uso de lente de contato ou dor associada
Prescrição-modelo
Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — escolha e necessidade de antibiótico tópico dependem da gravidade e do contexto clínico. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Medicamentos
Alérgica: anti-histamínico/estabilizador de mastócito tópico (ex. olopatadina) ___
Bacteriana com secreção purulenta importante: antibiótico tópico de amplo espectro (ex. tobramicina ou fluoroquinolona) por curso curto ___
Viral: sem antibiótico — suporte com lubrificante ocular e compressa fria ___
Recomendações
Higiene das mãos e não compartilhar toalhas/objetos de uso pessoal, especialmente em suspeita viral
Retorno se piora, dor importante ou não resolução em 1-2 semanas
Evitar uso de lente de contato até resolução completa
Referências
[1]Conjunctivitis Preferred Practice Pattern, American Academy of Ophthalmology (AAO), 2023 (publicado 2024)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.