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Blefarite, hordéolo e calázio — diferencial e manejo ambulatorial

O paciente tem uma bolinha/inchaço na pálpebra ou irritação crônica na borda palpebral — como diferencio hordéolo de calázio e como trato a blefarite de base?

Red flags — sinais de gravidade

  • Nódulo palpebral recorrente no mesmo local, que não responde ao tratamento conservador, especialmente em paciente idoso — considerar biópsia para excluir carcinoma sebáceo (mimetiza calázio recorrente)
  • Celulite periorbital associada (edema difuso, dor à movimentação ocular, febre) — não é hordéolo/calázio simples, é emergência
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Hordéolo (terçol): nódulo agudo, doloroso, avermelhado, geralmente por infecção de glândula sebácea/ciliar
  • Calázio: nódulo crônico, geralmente indolor, por obstrução de glândula meibomiana — pode surgir após hordéolo não resolvido
  • Blefarite: irritação crônica da borda palpebral, crostas nos cílios, sensação de areia nos olhos, geralmente bilateral e recorrente
  • Perguntar sobre rosácea e dermatite seborreica — condições associadas comuns à blefarite

Conduta inicial

  1. 1Hordéolo: compressas mornas 10-15 min, 3-4x/dia, é a medida de primeira linha por consenso clínico (a Cochrane não tem ensaio randomizado dedicado a hordéolo, só a calázio); antibiótico tópico raramente muda o curso, considerar apenas se sinais de celulite localizada.
  2. 2Calázio: compressas mornas e massagem palpebral por várias semanas; se persistente, corticoide intralesional ou drenagem cirúrgica em serviço especializado.
  3. 3Blefarite: higiene palpebral diária (compressas mornas + limpeza da borda palpebral com produto específico ou xampu neutro diluído), é a base do tratamento crônico — explicar que não tem cura definitiva, só controle.
  4. 4Tratar rosácea/dermatite seborreica associada quando presente, contribui para controle da blefarite.
  5. 5Considerar azitromicina oral em casos de blefarite refratária moderada-grave, com atenção ao risco de arritmia cardíaca em cardiopatas.

Exames

  • Diagnóstico clínico, geralmente sem necessidade de exame complementar
  • Biópsia se nódulo recorrente/atípico para excluir malignidade (carcinoma sebáceo)

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Antibiótico tópico apenas se sinais de celulite localizada associada ao hordéolo ___
  • Azitromicina oral em blefarite refratária, atenção a risco cardíaco ___

Recomendações

  • Compressas mornas 3-4x/dia como primeira medida em hordéolo e calázio
  • Higiene palpebral diária contínua em blefarite crônica
  • Encaminhar para drenagem/corticoide intralesional se calázio persistente após semanas de tratamento conservador

Referências

  1. [1]Blepharitis Preferred Practice Pattern, American Academy of Ophthalmology (AAO), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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