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Otite média aguda de repetição — manejo ambulatorial e critério para tubo de ventilação

A criança já teve várias otites médias agudas em pouco tempo — quando isso deixa de ser 'só otite' e vira indicação de tubo de ventilação (timpanostomia)?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que mata a audição/desenvolvimento: não avaliar impacto no desenvolvimento de fala/linguagem em criança pequena com otites recorrentes/efusão persistente — atraso não tratado pode ter consequência definitiva
  • Não indicar tubo em criança com otite recorrente sem efusão presente no momento da avaliação — a indicação depende de efusão documentada, não só da contagem de episódios
  • Complicação supurativa (mastoidite, paralisia facial) — não é otite recorrente comum, emergência
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar que cada episódio foi de fato otite média aguda documentada (não apenas relato dos pais) — abaulamento/hiperemia timpânica, sintomas agudos
  • Contar episódios: geralmente considera-se recorrência relevante com ≥3 episódios em 6 meses ou ≥4 em 12 meses
  • Checar se há efusão de ouvido médio persistente no momento da avaliação para indicação de tubo — indicação não se aplica sem efusão presente na avaliação
  • Rastrear fator de risco para atraso de fala/linguagem/aprendizado — muda o limiar de indicação
  • Perguntar sobre exposição a creche, tabagismo passivo, uso de chupeta prolongado, ausência de aleitamento materno — fatores de risco modificáveis

Conduta inicial

  1. 1Confirmar critério de recorrência (≥3 episódios em 6 meses ou ≥4 em 12 meses, com pelo menos 1 nos últimos 6 meses) e presença de efusão de ouvido médio no momento da avaliação.
  2. 2Reduzir fatores de risco modificáveis: afastar tabagismo passivo, reduzir uso de chupeta, avaliar exposição a creche.
  3. 3Encaminhar para otorrinolaringologia para avaliação de tubo de ventilação quando critério de recorrência e efusão presente estiverem confirmados, especialmente se houver risco para fala/linguagem/aprendizado.
  4. 4Antibiótico profilático contínuo não é mais recomendado como estratégia de rotina — a decisão principal é sobre tubo de ventilação, não sobre manter antibiótico prolongado.
  5. 5Reavaliar audição (audiometria/timpanometria) se efusão persistente, independentemente da decisão sobre tubo.

Exames

  • Otoscopia pneumática/timpanometria para confirmar efusão de ouvido médio
  • Avaliação audiológica se efusão persistente ou suspeita de impacto na audição

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o residente adaptar e confirmar — indicação de tubo de ventilação é decisão de otorrinolaringologia. Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Medicamentos

  • Tratamento do episódio agudo conforme protocolo padrão de otite média aguda, sem diferença pela recorrência prévia ___

Recomendações

  • Reduzir fatores de risco modificáveis (tabagismo passivo, uso prolongado de chupeta)
  • Encaminhar para otorrinolaringologia se critério de recorrência com efusão presente confirmado
  • Avaliação audiológica se efusão persistente

Exames

  • Timpanometria e avaliação audiológica conforme indicação

Referências

  1. [1]Clinical Practice Guideline: Tympanostomy Tubes in Children (Update), American Academy of Otolaryngology-Head and Neck Surgery Foundation (AAO-HNSF), 2022

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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