Criança em parada cardiorrespiratória. Qual a sequência de reanimação pediátrica e o que muda em relação ao protocolo de adulto?
Red flags — sinais de gravidade
Bradicardia progressiva com má perfusão em criança grave é pré-PCR — tratar agressivamente antes que evolua
Ritmo chocável (FV/TV sem pulso) é raro em pediatria mas exige desfibrilação imediata quando presente
Hipóxia, hipovolemia e causas metabólicas são as causas mais frequentes de PCR pediátrica
Erro que mata: atrasar o início das compressões para "confirmar" a parada ou obter acesso venoso antes de compressões
Erro que mata: hiperventilar o paciente durante RCP
Erro que mata: não calcular dose de adrenalina e do desfibrilador pelo peso estimado, atrasando a primeira dose/choque
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Reconhecer PCR: ausência de resposta, ausência de respiração normal/gasping, ausência de pulso central em até 10 segundos
Iniciar compressões de alta qualidade imediatamente — em pediatria a causa mais comum é hipóxica, não arrítmica primária
Relação compressão:ventilação conforme número de socorristas e via aérea
Profundidade de compressão adequada à idade (pelo menos 1/3 do diâmetro AP do tórax)
Checar ritmo no monitor/desfibrilador o quanto antes — diferenciar chocável de não chocável
Adrenalina IV/IO precoce, repetida em intervalos regulares
Buscar e tratar causas reversíveis (Hs e Ts) durante toda a reanimação
Capnografia para monitorar qualidade da RCP e detectar retorno de circulação espontânea
Conduta inicial
1Confirmar ausência de resposta, respiração e pulso central em até 10 segundos.
2Iniciar compressões torácicas de alta qualidade imediatamente.
3Abrir via aérea e ventilar; relação compressão:ventilação conforme número de socorristas até via aérea avançada.
4Conectar monitor/desfibrilador e identificar o ritmo: chocável versus não chocável.
5Se chocável: desfibrilar com carga calculada por peso (J/kg), retomando compressões imediatamente.
6Se não chocável ou sem sucesso: adrenalina IV/IO em dose calculada por peso, repetida em intervalos regulares.
7Obter via aérea avançada e acesso IV/IO precocemente, sem interromper compressões.
8Investigar e tratar causas reversíveis durante a reanimação.
9Usar capnografia para avaliar qualidade da RCP e identificar retorno de circulação espontânea.
10Após retorno de circulação espontânea, iniciar cuidados pós-PCR estruturados.
Exames
Glicemia capilar imediata
Gasometria seriada durante e após a reanimação
Eletrólitos (potássio, cálcio, magnésio)
ECG e exames de imagem direcionados à causa suspeita após estabilização
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Soro
Cristaloide isotônico em bólus calculado por mL/kg se causa hipovolêmica suspeita ou confirmada
Medicamentos
Adrenalina IV/IO em dose calculada por peso, repetida em intervalos regulares conforme protocolo PALS
Amiodarona ou lidocaína (dose por peso) em FV/TV refratária a choque e adrenalina, conforme protocolo
Antídoto/correção específica se causa reversível identificada
Recomendações
Compressões de alta qualidade contínuas, minimizando interrupções
Capnografia para monitorar qualidade da RCP
Cuidados pós-PCR estruturados após retorno de circulação espontânea
Referências
[1]2020 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care — Part 4: Pediatric Basic and Advanced Life Support, Circulation, AHA, 2020
[2]Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual, American Heart Association (AHA), 2020
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.