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Bronquiolite aguda

Lactente com tosse, coriza e desconforto respiratório, sibilância ao exame. É bronquiolite? O que tratar e o que evitar prescrever?

Red flags — sinais de gravidade

  • Apneia ou episódios de pausa respiratória
  • Esforço respiratório grave (retrações marcadas, gemência, batimento de asa de nariz, taquipneia importante)
  • Hipoxemia significativa
  • Recusa alimentar ou incapacidade de manter hidratação oral
  • Letargia ou irritabilidade importante
  • Idade muito jovem, prematuridade, cardiopatia congênita, doença pulmonar crônica ou imunodeficiência
  • Erro que mata: prescrever broncodilatador/corticoide/antibiótico de rotina, atrasando o foco em suporte respiratório
  • Erro que mata: não monitorizar apneia em lactente muito jovem
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Reconhecer o quadro clínico típico: lactente com pródromo de vias aéreas superiores seguido de taquipneia, sibilância e/ou estertores
  • Avaliar gravidade pelo esforço respiratório, saturação e capacidade de alimentação/hidratação — não pela radiografia
  • Identificar fatores de risco para gravidade (prematuridade, cardiopatia, doença pulmonar crônica, imunodeficiência, idade muito jovem)
  • Diagnóstico é clínico — evitar exames e tratamentos desnecessários
  • Suporte é o pilar do tratamento: oxigênio, hidratação, desobstrução nasal
  • Não usar broncodilatador, corticoide ou antibiótico de rotina
  • Definir critérios de internação versus alta com orientação

Conduta inicial

  1. 1Confirmar quadro clínico compatível.
  2. 2Classificar gravidade clinicamente (leve, moderada, grave).
  3. 3Oximetria de pulso; oxigênio suplementar se hipoxemia.
  4. 4Desobstrução nasal antes das mamadas e quando necessário.
  5. 5Avaliar hidratação e capacidade de alimentação oral; considerar sonda nasogástrica ou via venosa se ingesta inadequada.
  6. 6Não prescrever rotineiramente broncodilatador, corticoide ou antibiótico.
  7. 7Monitorizar evolução clínica seriada; reavaliar necessidade de suporte respiratório (cânula de alto fluxo, CPAP) se piora.
  8. 8Orientar família sobre curso esperado e sinais de alarme para retorno.

Exames

  • Diagnóstico é clínico — radiografia e exames laboratoriais não são rotineiros
  • Radiografia de tórax reservada para apresentação atípica ou suspeita de complicação
  • Pesquisa de vírus respiratórios pode ter utilidade para coorte/isolamento, mas não altera conduta individual
  • Gasometria se sinais de insuficiência respiratória importante

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Manter aleitamento materno/alimentação oral fracionada se tolerada; pausas mais frequentes se taquipneia dificultar mamadas

Soro

  • Hidratação venosa ou por sonda nasogástrica se ingesta oral insuficiente, com volume calculado por peso

Medicamentos

  • Paracetamol VO/retal se febre ou desconforto, dose calculada por peso — não altera o curso da bronquiolite, mas pode melhorar o conforto e a aceitação oral
  • Solução salina hipertônica (NaCl 3%) nebulizada: pode ser considerada em lactentes hospitalizados — evidência moderada de redução do tempo de internação; não recomendada rotineiramente no PS para todos os casos
  • Broncodilatadores (salbutamol), corticoides e antibióticos: NÃO indicados de rotina — não alteram desfechos na bronquiolite viral típica; considerar apenas após avaliação individualizada e em situações específicas

Recomendações

  • Oxigênio suplementar se hipoxemia
  • Desobstrução nasal com solução salina antes das mamadas
  • Elevação da cabeceira/posicionamento confortável
  • Evitar rotineiramente broncodilatador, corticoide e antibiótico
  • Considerar suporte respiratório não invasivo se piora do esforço respiratório
  • Monitorização contínua de saturação e FR, com atenção a apneia em lactentes de risco

Referências

  1. [1]Clinical Practice Guideline: The Diagnosis, Management, and Prevention of Bronchiolitis, Pediatrics, American Academy of Pediatrics (AAP), 2014

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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