Criança asmática conhecida (ou primeira crise de sibilância em criança maior) chega com desconforto respiratório agudo. Como classificar a gravidade e conduzir o tratamento escalonado?
Red flags — sinais de gravidade
Dificuldade para falar/mamar, agitação ou sonolência, cianose — crise grave/risco de vida
Tórax silencioso é sinal de gravidade extrema, não de melhora
Saturação baixa a despeito de oxigênio suplementar
Uso de musculatura acessória importante, retrações intensas, exaustão
FC/FR muito elevadas para a idade, ou bradicardia (sinal pré-terminal)
Erro que mata: subestimar a gravidade pela ausência de sibilos no tórax silencioso
Erro que mata: espaçar excessivamente as doses de beta-2 agonista por medo de taquicardia/tremor
Erro que mata: atrasar corticoide sistêmico em crise moderada/grave
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Classificar gravidade da crise por sinais clínicos — fala, esforço respiratório, saturação, nível de consciência
Beta-2 agonista inalatório de curta duração precoce e repetido
Corticoide sistêmico precoce em crises moderadas a graves
Oxigênio suplementar guiado por saturação
Considerar brometo de ipratrópio associado em crises moderadas/graves
Identificar sinais de exaustão respiratória e risco de parada
Reavaliação clínica seriada após cada etapa do tratamento
Conduta inicial
1Classificar a gravidade da crise com base em fala, esforço respiratório, saturação, consciência e auscultação.
2Oxigênio suplementar conforme protocolo local.
3Beta-2 agonista inalatório de curta duração em doses repetidas/contínuas conforme gravidade, ajustado por peso/idade.
4Associar brometo de ipratrópio inalatório nas primeiras doses em crises moderadas a graves.
5Corticoide sistêmico precocemente em crises moderadas a graves.
6Reavaliar resposta clínica após cada ciclo de broncodilatador.
7Em crise grave refratária: considerar sulfato de magnésio IV, beta-2 agonista IV/contínuo e suporte ventilatório não invasivo.
8Monitorizar sinais de exaustão respiratória/falência iminente.
9Antes da alta, reforçar técnica inalatória e plano de ação por escrito.
Exames
Diagnóstico e gravidade avaliados clinicamente — exames não devem atrasar o tratamento
Oximetria contínua
Gasometria reservada para crises graves com suspeita de insuficiência respiratória
Radiografia de tórax não é rotineira — reservada para suspeita de complicação ou dúvida diagnóstica
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Beta-2 agonista de curta duração inalatório, dose por peso/idade, repetido conforme resposta clínica
Brometo de ipratrópio inalatório associado nas primeiras doses em crise moderada/grave
Corticoide sistêmico (oral ou IV), dose por peso, iniciado precocemente
Sulfato de magnésio IV em crise grave refratária, dose por peso, conforme protocolo
Beta-2 agonista IV/contínuo em casos refratários graves, conforme protocolo e ambiente monitorizado
Recomendações
Oxigênio suplementar guiado por saturação
Monitorização contínua de saturação, FR e FC
Reavaliação clínica seriada entre os ciclos de broncodilatador
Revisão de técnica inalatória e plano de ação por escrito na alta
Referências
[1]Global Strategy for Asthma Management and Prevention — seção pediátrica, Global Initiative for Asthma (GINA), atualização 2024
[2]Expert Panel Report 3: Guidelines for the Diagnosis and Management of Asthma, National Asthma Education and Prevention Program (NAEPP)/NHLBI, 2007
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.