Criança com tosse "de cachorro", estridor e rouquidão, geralmente à noite. Como diferenciar gravidade e quando usar corticoide e adrenalina nebulizada?
Red flags — sinais de gravidade
Estridor em repouso — indica obstrução significativa
Retrações importantes, uso de musculatura acessória, taquipneia
Cianose, letargia ou agitação importante
Ausência de melhora ou piora após adrenalina nebulizada e corticoide
Sinais sugestivos de epiglotite (febre alta, toxemia, posição em tripé, sialorreia)
Erro que mata: agitar ou forçar exame de orofaringe em criança com estridor importante e aspecto tóxico
Erro que mata: dar alta após adrenalina nebulizada sem período de observação suficiente
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Reconhecer o quadro típico: tosse metálica, rouquidão, estridor inspiratório, geralmente em criança pequena com pródromo viral
Classificar gravidade pelo estridor em repouso, esforço respiratório e nível de consciência
Corticoide sistêmico (dose única) para praticamente todos os graus, incluindo leve
Adrenalina nebulizada para crupe moderado a grave, com observação obrigatória após uso
Manter a criança calma e no colo dos pais
Diferenciar de epiglotite e corpo estranho
Conduta inicial
1Avaliar à distância, sem agitar a criança: estridor em repouso versus apenas ao esforço/choro, esforço respiratório, cor, consciência.
2Classificar gravidade (leve, moderado, grave).
3Manter a criança confortável no colo do responsável.
4Corticoide sistêmico em dose única para todos os graus de crupe, incluindo leve.
5Em crupe moderado a grave: adrenalina nebulizada, com observação pelo risco de efeito rebote.
6Oxigênio suplementar se hipoxemia.
7Período de observação mínimo após adrenalina nebulizada antes de considerar alta.
8Reavaliar resposta clínica seriadamente; escalonar para maior suporte se sinais de gravidade persistentes.
Exames
Diagnóstico é clínico — radiografia cervical não é necessária de rotina
Exames laboratoriais não são rotineiros
Investigação adicional reservada para apresentação atípica, recorrente ou dúvida diagnóstica
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Corticoide sistêmico em dose única (ex.: dexametasona), dose por peso, para todo grau de crupe
Adrenalina nebulizada em crupe moderado/grave, dose por peso/protocolo, com observação obrigatória após administração
Recomendações
Manter ambiente calmo, criança no colo dos pais, evitar procedimentos que causem choro
Oxigênio suplementar se hipoxemia
Observação clínica por período mínimo após adrenalina nebulizada antes de considerar alta
Reavaliação seriada do esforço respiratório e estridor
Referências
[1]Acute Management of Croup in the Emergency Department, Canadian Paediatric Society (posição/diretriz), 2018
[2]Glucocorticoids for Croup in Children, Aregbesola A. et al., Cochrane Database of Systematic Reviews, 2023
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.