Criança com suspeita de infecção e sinais de má perfusão/instabilidade. Como reconhecer sepse pediátrica precocemente e qual a sequência de tratamento na primeira hora?
Red flags — sinais de gravidade
Alteração do estado mental, irritabilidade ou letargia com suspeita de infecção
Pele mosqueada/fria (choque frio) ou pele quente e ruborizada (choque quente)
Taquicardia desproporcional, taquipneia, oligúria
Hipotensão é sinal tardio e grave em criança
Petéquias/púrpura com febre — suspeita de doença meningocócica
Erro que mata: esperar hipotensão para reconhecer e tratar choque séptico pediátrico
Erro que mata: atrasar antibiótico empírico esperando confirmação laboratorial
Erro que mata: reposição volêmica sem reavaliação, ignorando sinais precoces de sobrecarga
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Reconhecer sepse pediátrica por sinais clínicos de disfunção orgânica/má perfusão — não esperar hipotensão
TAP e ABCDE imediatos, com atenção à circulação da pele e ao estado mental
Acesso vascular precoce (venoso ou intraósseo) e início rápido de reposição volêmica
Antibiótico empírico de amplo espectro o mais precocemente possível
Reavaliação frequente da resposta à reposição volêmica — atenção a sinais de sobrecarga
Considerar droga vasoativa precocemente se choque refratário a fluidos
Identificar e tratar o foco infeccioso
Conduta inicial
1Reconhecer sepse/choque séptico pelo conjunto de suspeita/confirmação de infecção mais sinais de disfunção orgânica ou má perfusão.
2TAP e ABCDE imediatos; monitorização contínua; glicemia capilar.
3Obter acesso vascular precocemente — acesso intraósseo sem demora se difícil.
4Iniciar reposição volêmica com cristaloide isotônico em bólus calculado por peso, reavaliando após cada bólus.
5Coletar culturas o mais rápido possível, sem atrasar a administração do antibiótico.
6Administrar antibiótico empírico de amplo espectro dentro da primeira hora.
7Reavaliar resposta após os bólus iniciais; se choque persiste, iniciar droga vasoativa precocemente.
8Buscar e controlar o foco infeccioso.
9Encaminhar para UTI pediátrica precocemente em choque refratário.
Exames
Glicemia capilar e lactato
Hemocultura e culturas de outros sítios conforme foco suspeito, sem atrasar antibiótico
Hemograma, PCR/procalcitonina, função renal e hepática, coagulograma
Gasometria com lactato seriado
Exames de imagem direcionados ao foco suspeito, sem atrasar estabilização
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Soro
Cristaloide isotônico em bólus calculado por mL/kg, repetido conforme resposta clínica e sinais de sobrecarga
Medicamentos
Antibiótico empírico de amplo espectro IV, dose por peso, escolhido conforme foco suspeito e resistência local, iniciado o mais precocemente possível
Droga vasoativa, dose por peso/protocolo, se choque refratário à reposição volêmica
Correção de distúrbios metabólicos associados conforme identificados
Recomendações
Monitorização contínua de sinais vitais, perfusão periférica e estado mental
Reavaliação clínica após cada bólus volêmico, com atenção a sinais de sobrecarga
Controle do foco infeccioso quando aplicável
Encaminhamento precoce a UTI pediátrica em choque refratário
Exames
Lactato seriado para monitorar resposta ao tratamento
Culturas de controle conforme evolução clínica
Referências
[1]Surviving Sepsis Campaign International Guidelines for the Management of Septic Shock and Sepsis-Associated Organ Dysfunction in Children, Pediatric Critical Care Medicine, 2020
[2]Pediatric Advanced Life Support (PALS) Provider Manual, American Heart Association (AHA), 2020
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.