Criança com reação alérgica grave/anafilaxia. O que muda em relação ao protocolo de adulto, principalmente em relação à dose de adrenalina?
Red flags — sinais de gravidade
Estridor, rouquidão progressiva, edema de via aérea superior — ainda mais crítico em via aérea pediátrica
Sintomas predominantemente respiratórios ou gastrointestinais após exposição, mesmo sem urticária
Hipotensão para a idade, taquicardia importante, palidez/letargia — sinal tardio em criança
Erro que mata: atrasar a adrenalina IM por insegurança no cálculo da dose pediátrica
Erro que mata: subdosar ou não repetir a adrenalina por medo de efeitos adversos
Erro que mata: dar alta precocemente sem observação adequada pelo risco de reação bifásica
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Reconhecer anafilaxia em criança — pode se manifestar predominantemente como sintomas respiratórios ou gastrointestinais, sem urticária evidente
Adrenalina intramuscular imediata, em dose calculada por peso — primeira linha, sem substituto
Estimar peso correto antes de calcular a dose
Remover o agente desencadeante se identificável
Posicionamento adequado e oxigênio suplementar conforme necessidade
Repetir adrenalina IM se resposta inadequada
Observação prolongada pós-tratamento pelo risco de reação bifásica, com orientação de adrenalina autoinjetável e seguimento alergológico
Conduta inicial
1Reconhecer anafilaxia sem exigir urticária para o diagnóstico.
2Estimar o peso da criança antes de qualquer cálculo de dose.
3Administrar adrenalina intramuscular imediatamente, em dose calculada por peso, na face anterolateral da coxa.
4Remover o agente causador se ainda em contato.
5Posicionar a criança conforme sintomas predominantes (decúbito com elevação de MMII se hipotensão; sentada se desconforto respiratório).
6Oxigênio suplementar, monitorização contínua, acesso venoso/intraósseo, reposição volêmica calculada por peso se hipotensão.
7Reavaliar em poucos minutos — repetir adrenalina IM se resposta inadequada, considerar infusão contínua para casos refratários.
8Medicações adjuvantes (dose por peso) como tratamento complementar, nunca substituindo ou atrasando a adrenalina.
9Manter observação prolongada pelo risco de reação bifásica.
10Na alta: prescrever adrenalina autoinjetável conforme faixa de peso e referenciar para investigação alergológica.
Exames
Diagnóstico é clínico — monitorização contínua é a prioridade, sem exame laboratorial obrigatório
Triptase sérica (se disponível) pode auxiliar confirmação retrospectiva, sem atrasar tratamento
Exames de suporte conforme gravidade
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Soro
Cristaloide IV em bólus calculado por mL/kg se hipotensão
Medicamentos
Adrenalina intramuscular (face anterolateral da coxa), dose calculada por peso, repetível conforme resposta clínica — primeira linha, sempre
Adrenalina em infusão contínua IV em ambiente monitorizado, dose por peso, para casos refratários
Anti-histamínico, dose por peso, como adjuvante para sintomas cutâneos, nunca substituindo a adrenalina
Corticoide sistêmico, dose por peso, como adjuvante
Broncodilatador inalatório, dose por peso/idade, se broncoespasmo associado
Recomendações
Monitorização contínua e observação prolongada pelo risco de reação bifásica
Prescrição de adrenalina autoinjetável na alta, conforme faixa de peso
Referenciamento para investigação alergológica ambulatorial
Referências
[1]World Allergy Organization Anaphylaxis Guidance 2020, World Allergy Organization, 2020
[2]Anaphylaxis — A 2023 Practice Parameter Update, American Academy of Allergy, Asthma & Immunology/American College of Allergy, Asthma and Immunology, 2023
[3]Guia Prático de Atualização — Anafilaxia, Sociedade Brasileira de Pediatria, 2019
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.