Lactente com dor abdominal em cólica intermitente e letargia entre crises. Suspeito de invaginação intestinal?
Red flags — sinais de gravidade
Sinais de peritonite (defesa, descompressão dolorosa) — contraindicam redução por enema, indicam cirurgia
Pneumoperitônio ou perfuração à imagem
Choque ou instabilidade hemodinâmica — estabilizar antes de qualquer procedimento
Letargia progressiva e prostração entre as crises, sem período lúcido — pode simular sepse/quadro neurológico
Sangramento retal volumoso ou fezes em geleia de framboesa francas — sugere isquemia estabelecida
Recorrência após redução — investigar ponto guia patológico (Meckel, pólipo, linfoma)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Faixa etária típica: 3 meses a 3 anos, pico entre 6-18 meses
Tríade clássica (dor em cólica + massa abdominal + fezes em geleia de framboesa) presente em minoria — não excluir sem ela
Perguntar sobre episódios de choro súbito intenso com flexão de pernas, alternando com períodos de letargia/sonolência
Palpar abdome em busca de massa em salsicha, geralmente em quadrante superior direito/hipocôndrio
Toque retal pode revelar sangue oculto ou fezes com muco sanguinolento
Investigar fator de risco: infecção viral recente (adenovírus), divertículo de Meckel, púrpura de Henoch-Schönlein em maiores
USG abdominal é exame de escolha: sinal do alvo (target sign) em corte transversal
Avaliar sinais de irritação peritoneal e instabilidade hemodinâmica antes de indicar redução
Conduta inicial
1Estabilização inicial: acesso venoso, hidratação IV, jejum, analgesia.
2Sonda nasogástrica em descompressão se distensão abdominal importante ou vômitos persistentes.
3Solicitar USG abdominal com Doppler para confirmar diagnóstico e avaliar viabilidade da alça (fluxo ao Doppler).
4Sem sinais de peritonite/perfuração/choque: encaminhar para redução não cirúrgica guiada por imagem (enema com ar ou contraste hidrossolúvel) por radiologia/cirurgia pediátrica.
5Cirurgião pediátrico deve estar ciente e disponível durante a tentativa de redução, pelo risco de perfuração.
6Sinais de peritonite, perfuração, choque ou falha da redução: indicação cirúrgica (redução manual ou ressecção de segmento inviável).
7Após redução bem-sucedida, observação hospitalar por recorrência (ocorre em até 10% nas primeiras 24-48h).
Exames
USG abdominal com Doppler (exame de escolha, sensibilidade e especificidade altas)
Radiografia de abdome se suspeita de perfuração/obstrução antes da USG
Hemograma e eletrólitos para avaliar repercussão sistêmica e guiar reposição volêmica
Prescrição-modelo
Prescrição de suporte pré-procedimento. Redução (enema) é conduzida por radiologia/cirurgia pediátrica, não prescrita no plantão geral.
Dieta
Jejum até definição de conduta
Soro
SF 0,9% ou Ringer lactato para hidratação/manutenção conforme peso e déficit estimado
Medicamentos
Analgesia conforme intensidade da dor (evitar mascarar sinais de piora antes de avaliação cirúrgica)
Recomendações
Contatar cirurgia pediátrica e radiologia assim que suspeita clínica/USG confirmar
Monitorar sinais vitais e exame abdominal seriado até definição de conduta
Exames
USG abdominal com Doppler urgente
Referências
[1]Management of Intussusception in Children: A Systematic Review, American Pediatric Surgical Association Outcomes and Evidence-Based Practice Committee, 2021