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Sepse neonatal precoce (< 72h) — reconhecimento e antibiótico empírico

Recém-nascido nas primeiras 72h com fatores de risco materno e sinais inespecíficos. Como levanto a hipótese de sepse precoce e começo a cobrir?

Red flags — sinais de gravidade

  • Atribuir desconforto respiratório só a 'taquipneia transitória' em RN com fator de risco materno, sem considerar sepse
  • Adiar antibiótico em RN sintomático esperando resultado de hemograma/PCR — exames inflamatórios normais nas primeiras horas não excluem sepse
  • Esquecer a punção lombar quando há hemocultura positiva ou sinais neurológicos — meningite neonatal tratada como sepse simples fica subtratada
  • Apneia, convulsão, fontanela tensa ou letargia importante sugerindo acometimento de SNC
  • Hipoglicemia, acidose metabólica persistente ou plaquetopenia acompanhando o quadro
  • RN prematuro ou de muito baixo peso desestabilizando — limiar para investigar e cobrir deve ser mais baixo
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Definição temporal: sepse precoce é a de início < 72h de vida (alguns serviços usam < 48h) — reflete transmissão vertical, sobretudo Streptococcus do grupo B (GBS) e E. coli
  • Fatores de risco maternos: colonização/bacteriúria por GBS, febre intraparto ≥ 38°C, corioamnionite, bolsa rota > 18h, prematuridade, profilaxia intraparto incompleta
  • Sinais no RN são inespecíficos: instabilidade térmica (hipo ou hipertermia), desconforto respiratório, apneia, taquicardia/bradicardia, hipoatividade, recusa alimentar, distensão abdominal, hipotonia
  • Perfusão e hemodinâmica: tempo de enchimento capilar > 3s, palidez/moteamento, hipotensão são sinais tardios — não esperar por eles
  • Colher culturas ANTES do antibiótico, mas sem atrasar a primeira dose diante de RN sintomático
  • Punção lombar indicada em RN com quadro clínico de sepse, hemocultura positiva ou piora sob tratamento — meningite muda o esquema e a duração
  • Usar calculadora de risco de sepse neonatal precoce (EOS calculator) e/ou o fluxograma da SBP como apoio à decisão em RN ≥ 34 semanas assintomático com fator de risco

Conduta inicial

  1. 1Estabilizar via aérea, ventilação e circulação; monitorizar, garantir acesso e corrigir hipoglicemia se presente.
  2. 2Colher hemocultura (idealmente 2 amostras/volume adequado) e, quando indicado, liquor antes de iniciar antibiótico — sem postergar a primeira dose no RN sintomático.
  3. 3Iniciar ampicilina + gentamicina (ou amicacina) como esquema empírico de primeira linha para sepse precoce.
  4. 4Se houver meningite associada ou suspeita de acometimento de SNC, associar cefalosporina de 3ª/4ª geração (ex.: cefepime), conforme protocolo local e perfil de resistência.
  5. 5Suporte hemodinâmico com expansão volêmica cautelosa e vasoativo se choque, em ambiente de terapia intensiva neonatal.
  6. 6Reavaliar culturas em 36–48h para descalonar/suspender conforme evolução clínica e resultado microbiológico.

Exames

  • Hemocultura (antes do antibiótico)
  • Hemograma completo com contagem/relação de neutrófilos, plaquetas
  • PCR e/ou procalcitonina seriadas (valor maior na tendência que num ponto isolado)
  • Glicemia, gasometria e lactato
  • Punção lombar quando indicada (citologia, bioquímica, cultura de liquor)
  • Radiografia de tórax se desconforto respiratório

Prescrição-modelo

Doses neonatais dependem de idade gestacional, peso e dias de vida — confira sempre em referência neonatal (Neofax/protocolo local), função renal e alergias antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum/dieta conforme estabilidade e via — geralmente suspensa até estabilização

Soro

  • Taxa de infusão de glicose e hidratação de manutenção conforme peso/idade (manter glicemia normal)
  • Expansão com cristaloide 10–20 mL/kg se sinais de choque, reavaliando a cada bolus

Medicamentos

  • Ampicilina EV — dose neonatal por peso/idade gestacional (referência neonatal)
  • Gentamicina EV — dose e intervalo ajustados por idade gestacional/dias de vida
  • Associar cefalosporina de 3ª/4ª geração se meningite/suspeita de acometimento de SNC
  • Vasoativo (ex.: dopamina/adrenalina) se choque refratário a volume, em UTI neonatal

Recomendações

  • Colher culturas antes da primeira dose, sem atrasar antibiótico no RN sintomático
  • Reavaliar necessidade e espectro em 36–48h conforme culturas e evolução
  • Registrar fatores de risco maternos e a justificativa da conduta no prontuário

Exames

  • Hemocultura
  • Hemograma e PCR/procalcitonina seriadas
  • Liquor se indicado
  • Glicemia e gasometria

Referências

  1. [1]Sepse neonatal precoce e abordagem do recém-nascido de risco — Documento Científico do Departamento de Neonatologia, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2024
  2. [2]Sepsia neonatal, Manuais MSD para Profissionais, edição 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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