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Infecção do trato urinário na criança — diagnóstico e antibiótico

Criança febril sem foco aparente ou com sintomas urinários. Como confirmo ITU, colho urina do jeito certo e escolho o antibiótico?

Red flags — sinais de gravidade

  • Confirmar ITU por urocultura colhida em saco coletor — resultado positivo por essa via é presumivelmente contaminado e leva a tratamento indevido
  • Tratar 'ITU' sem ter colhido urocultura antes do antibiótico — perde-se a chance de guiar e de documentar
  • Criança com aspecto tóxico, desidratação importante ou incapacidade de aceitar via oral — indica antibiótico parenteral/internação
  • RN e lactente jovem (< 2–3 meses) febril — baixo limiar para internação e investigação ampla de sepse
  • ITU febril de repetição ou associada a jato fraco/massa abdominal — investigar uropatia/refluxo com imagem
  • Persistência da febre > 48–72h sob antibiótico adequado — reavaliar (abscesso, obstrução, agente resistente)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Pensar em ITU em toda criança < 2 anos com febre sem foco — quadro costuma ser inespecífico (irritabilidade, recusa alimentar, vômitos, febre isolada)
  • Na criança maior, valorizar disúria, polaciúria, urgência, dor lombar/abdominal e febre
  • Coleta adequada é decisiva: em quem não controla esfíncter, jato médio (se treinado), cateterismo vesical ou punção suprapúbica — saco coletor só serve para EXCLUIR (alto índice de contaminação), nunca para confirmar
  • Diagnóstico = urina I sugestiva (leucocitúria, nitrito, esterase) + urocultura com contagem significativa conforme método de coleta
  • Diferenciar ITU febril (alta/pielonefrite) de cistite (baixa, afebril) — muda duração e via do antibiótico
  • Iniciar antibiótico empírico após coletar urocultura, guiado pelo perfil de resistência local (E. coli é o principal agente)
  • Escolha empírica comum: cefalosporina (1ª/2ª/3ª geração) ou amoxicilina-clavulanato; ajustar após antibiograma

Conduta inicial

  1. 1Avaliar estado geral, hidratação e capacidade de aceitar via oral — define ambulatorial x internação.
  2. 2Colher urina I e urocultura por método adequado à idade ANTES do antibiótico.
  3. 3Iniciar antibiótico empírico conforme perfil local; via oral é adequada na maioria das ITU febris em criança sem toxemia e que aceita medicação.
  4. 4Reservar via parenteral/internação para lactente jovem, aspecto tóxico, vômitos/desidratação ou intolerância oral.
  5. 5Manter hidratação e analgesia/antitérmico conforme necessidade.
  6. 6Ajustar antibiótico pelo antibiograma e planejar seguimento e investigação de imagem quando indicado.

Exames

  • Urina I (EAS) — leucocitúria, nitrito, esterase leucocitária
  • Urocultura com antibiograma (padrão-ouro; coleta adequada)
  • Hemograma, PCR e função renal em quadros febris/graves
  • Ultrassonografia de rins e vias urinárias conforme diretriz (ITU febril < 2 anos, atípica ou recorrente)

Prescrição-modelo

Ajustar dose por peso e função renal, checar alergias e o perfil de resistência local antes de prescrever — a escolha empírica varia por serviço.

Dieta

  • Sem restrição específica; estimular ingesta hídrica conforme tolerância

Soro

  • Hidratação EV se desidratação/intolerância oral, conforme peso

Medicamentos

  • ITU febril, via oral: cefalosporina (ex.: cefuroxima) ou amoxicilina-clavulanato por peso, 7–14 dias conforme diretriz adotada
  • ITU com indicação parenteral: cefalosporina de 3ª geração (ex.: ceftriaxona) por peso, transição para VO quando estável
  • Cistite/ITU baixa afebril: curso mais curto conforme protocolo local
  • Antitérmico/analgésico por peso se necessário

Recomendações

  • Coletar urocultura antes da primeira dose e reavaliar pelo antibiograma
  • Orientar retorno se febre persistente > 48–72h ou piora clínica
  • Programar USG de vias urinárias e seguimento nas indicações da diretriz

Exames

  • Urina I
  • Urocultura com antibiograma
  • USG de rins e vias urinárias quando indicado

Referências

  1. [1]Atualização da abordagem de infecção do trato urinário na infância — Jornal de Pediatria / Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2021
  2. [2]Roberts KB et al., Urinary Tract Infection: Clinical Practice Guideline (reafirmada), American Academy of Pediatrics (AAP)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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