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Obstrução de via aérea por corpo estranho (engasgo) na criança

Criança que engasgou de repente. Como diferencio obstrução leve de grave e quais manobras faço por faixa etária?

Red flags — sinais de gravidade

  • Fazer varredura digital às cegas — pode empurrar o objeto e piorar a obstrução
  • Aplicar manobra de Heimlich em lactente < 1 ano — risco de lesão hepática/esplênica
  • Interferir na obstrução leve (criança tossindo com força) — atrapalha o mecanismo mais eficaz, a própria tosse
  • Sibilância unilateral persistente, tosse crônica ou pneumonia de repetição no mesmo lobo — pensar em corpo estranho aspirado não reconhecido
  • Estridor ou desconforto respiratório que persiste após o episódio — via aérea ainda comprometida
  • Rebaixamento de consciência ou parada — transição imediata para RCP
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Início súbito de tosse/engasgo, muitas vezes com história de alimento (amendoim, uva, salsicha) ou objeto pequeno — pico em < 5 anos
  • Obstrução LEVE (parcial): a criança tosse com força, chora, fala/emite som — NÃO interferir, estimular a tosse e observar
  • Obstrução GRAVE (completa): tosse silenciosa/ausente, incapacidade de chorar ou falar, cianose, esforço sem entrada de ar — agir imediatamente
  • Lactente < 1 ano com obstrução grave e consciente: alternar 5 golpes nas costas (interescapular) + 5 compressões torácicas — NÃO usar Heimlich (risco de lesão de órgãos)
  • Criança > 1 ano consciente: conforme atualização AHA 2025, alternar 5 golpes nas costas + 5 compressões abdominais (Heimlich), reavaliando a cada ciclo
  • Se a criança perder a consciência: iniciar RCP, checar boca a cada ciclo e remover objeto SÓ se visível (não fazer varredura digital às cegas)
  • Após desobstrução: avaliar sempre — corpo estranho pode ter migrado; considerar radiografia/broncoscopia se suspeita de aspiração residual

Conduta inicial

  1. 1Reconhecer rapidamente se a obstrução é leve ou grave — só intervir na grave.
  2. 2Lactente consciente: 5 golpes nas costas + 5 compressões torácicas em ciclos, reavaliando a boca a cada ciclo.
  3. 3Criança consciente: 5 golpes nas costas + 5 compressões abdominais em ciclos (AHA 2025), até desobstruir ou perder consciência.
  4. 4Inconsciente: iniciar RCP, ventilar, checar boca a cada ciclo e remover objeto apenas se visível.
  5. 5Oferecer oxigênio e preparar via aérea avançada/laringoscopia (pinça de Magill) se falha das manobras e material disponível.
  6. 6Após episódio, avaliar necessidade de imagem e de broncoscopia para retirada de corpo estranho residual.

Exames

  • Radiografia de tórax (inspiração/expiração) — hiperinsuflação localizada, atelectasia, corpo estranho radiopaco
  • Avaliação para broncoscopia (diagnóstica/terapêutica) quando há suspeita de aspiração
  • Oximetria de pulso e monitorização durante e após o evento

Prescrição-modelo

O tratamento inicial é manobra e suporte de via aérea, não medicação — qualquer droga (sedação para broncoscopia etc.) é decisão do serviço que realizará o procedimento.

Dieta

  • Jejum se houver indicação de broncoscopia/via aérea avançada

Soro

  • Acesso venoso e hidratação de manutenção se procedimento programado

Medicamentos

  • Oxigênio suplementar conforme saturação
  • Sem antibiótico/broncodilatador de rotina — só se complicação (pneumonia aspirativa, broncoespasmo) documentada

Recomendações

  • Priorizar a manobra correta por faixa etária antes de qualquer conduta farmacológica
  • Reavaliar via aérea após desobstrução; não liberar sem observação
  • Encaminhar para broncoscopia se suspeita de corpo estranho residual

Exames

  • Radiografia de tórax
  • Oximetria contínua
  • Avaliação para broncoscopia

Referências

  1. [1]2025 American Heart Association Guidelines Update for CPR and ECC — manejo da obstrução de via aérea por corpo estranho (OVACE), AHA 2025
  2. [2]SBP — orientações sobre primeiros socorros em engasgo infantil, Sociedade Brasileira de Pediatria

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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