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Cardiopatia congênita cianótica no RN — teste da hiperóxia e prostaglandina

Recém-nascido cianótico que não melhora com oxigênio. Como diferencio causa cardíaca de pulmonar e quando começo prostaglandina?

Red flags — sinais de gravidade

  • Insistir só em aumentar oxigênio no RN cianótico que não responde — pode ser lesão canal-dependente que precisa de prostaglandina, não de FiO2
  • Hiperóxia agressiva em lesão com fluxo pulmonar aumentado pode piorar o roubo sistêmico — reavaliar hipótese
  • Colapso circulatório súbito ao fechar o canal (2º–7º dia de vida) — típico de coarctação crítica/coração esquerdo hipoplásico
  • Apneia é efeito adverso conhecido da PGE1 — antecipar suporte ventilatório ao iniciar a droga
  • Acidose metabólica progressiva, oligúria e má perfusão indicando baixo débito sistêmico
  • Atraso no ecocardiograma/transferência não deve postergar o início da prostaglandina na suspeita
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Cianose central persistente no RN, especialmente sem desconforto respiratório proporcional, levanta a suspeita de cardiopatia cianótica
  • Teste do coraçãozinho (oximetria pré e pós-ductal) alterado — diferença ≥ 3% entre membro superior direito e inferior, ou SpO2 < 95% — é sinal de alerta
  • Teste da hiperóxia ajuda a diferenciar: na cardiopatia cianótica a PaO2 tende a permanecer baixa (< 100–150 mmHg) mesmo com FiO2 100%, diferente da causa pulmonar
  • Lesões ducto-dependentes (ex.: transposição de grandes artérias, atresia pulmonar, síndrome do coração esquerdo hipoplásico, coarctação crítica) dependem do canal arterial para fluxo pulmonar ou sistêmico
  • Aferir pressão e pulsos nos quatro membros — diferença sugere obstrução do arco/coarctação
  • Ecocardiograma é o exame que define anatomia; não atrasar a prostaglandina esperando por ele quando há suspeita forte de lesão canal-dependente
  • Iniciar PGE1 diante de RN reprovado no teste da hiperóxia ou com choque/hipoxemia refratária por provável fluxo canal-dependente

Conduta inicial

  1. 1Estabilizar via aérea, ventilação e circulação; monitorizar oximetria pré e pós-ductal e obter acesso venoso.
  2. 2Realizar teste da hiperóxia quando disponível e aferir pulsos/pressão nos quatro membros.
  3. 3Diante de suspeita de lesão ducto-dependente, iniciar infusão contínua de prostaglandina E1 (alprostadil) para manter o canal pérvio.
  4. 4Antecipar apneia e hipotensão da PGE1 — deixar material de intubação pronto e monitorizar de perto.
  5. 5Evitar hiperóxia indiscriminada; titular FiO2 conforme resposta e hipótese anatômica.
  6. 6Acionar cardiologia/cardiologia pediátrica e organizar ecocardiograma e transferência para centro com cirurgia cardíaca.

Exames

  • Oximetria de pulso pré-ductal (MSD) e pós-ductal (MMII)
  • Gasometria arterial (teste da hiperóxia)
  • Ecocardiograma (definição anatômica — exame de escolha)
  • Radiografia de tórax e eletrocardiograma
  • Pressão arterial nos quatro membros

Prescrição-modelo

Dose de prostaglandina e drogas neonatais devem ser conferidas em referência neonatal e com a cardiologia — titular por resposta e vigiar apneia/hipotensão.

Dieta

  • Jejum diante de instabilidade/possível cirurgia

Soro

  • Manutenção hidroeletrolítica e glicêmica por peso
  • Expansão cautelosa se má perfusão, reavaliando

Medicamentos

  • Prostaglandina E1 (alprostadil) em infusão contínua — dose inicial por referência neonatal, titulada por resposta
  • Suporte inotrópico/vasoativo se baixo débito, conforme cardiologia
  • Preparar intubação/ventilação pela expectativa de apneia induzida pela PGE1

Recomendações

  • Não atrasar prostaglandina esperando ecocardiograma quando a suspeita é forte
  • Monitorização contínua de saturação pré/pós-ductal e sinais de apneia
  • Titular oxigênio; evitar hiperóxia indiscriminada

Exames

  • Oximetria pré/pós-ductal
  • Gasometria
  • Ecocardiograma
  • ECG e RX de tórax

Referências

  1. [1]Sistematização do atendimento ao recém-nascido com suspeita de cardiopatia congênita — Manual de Orientação do Departamento de Cardiologia/Neonatologia, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP)
  2. [2]Diretriz de teste de oximetria de pulso neonatal (teste do coraçãozinho), Sociedade Brasileira de Pediatria / Sociedade Brasileira de Cardiologia

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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