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Exantemas febris na criança — quando o exantema é bandeira vermelha

Criança com febre e exantema. Como separo o quadro viral benigno das causas graves (meningococcemia, Kawasaki) que não posso perder?

Red flags — sinais de gravidade

  • Exantema petequial/purpúrico que não some à vitropressão, sobretudo com febre e toxemia — não liberar, tratar como emergência
  • Enchimento capilar lento, hipotensão, rebaixamento — choque séptico/meningococcemia, iniciar antibiótico sem esperar exames
  • Rigidez de nuca, abaulamento de fontanela, convulsão — meningite associada
  • Febre ≥ 5 dias sem foco com sinais mucocutâneos — considerar Kawasaki e solicitar ecocardiograma
  • Descolamento cutâneo, sinal de Nikolsky, acometimento de mucosas extenso — pensar em SSSS/Stevens-Johnson/necrólise
  • Criança não vacinada com exantema morbiliforme e sintomas catarrais — suspeitar de sarampo e notificar/isolar
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Caracterizar o exantema: maculopapular, vesicular, petequial/purpúrico, urticariforme — e a distribuição/progressão
  • Sinal de alarme número um: exantema petequial/purpúrico + febre + toxemia = suspeita de meningococcemia/sepse até prova em contrário
  • Teste da vitropressão: lesão que NÃO desaparece à digitopressão (petéquia/púrpura) é sinal vermelho
  • Kawasaki: febre ≥ 5 dias + ao menos 4 de 5 — conjuntivite bilateral não exsudativa, alterações de lábios/língua em framboesa, exantema polimorfo, alterações de extremidades (edema/descamação), linfonodo cervical > 1,5 cm
  • Kawasaki em < 6 meses ou incompleto pode cursar só com febre prolongada — baixo limiar para ecocardiograma (risco de aneurisma coronariano)
  • Avaliar estado geral, perfusão, sinais meníngeos e mucosas — o quão 'tóxica' está a criança pesa mais que o desenho do exantema
  • Exantemas virais clássicos (exantema súbito, eritema infeccioso, sarampo, rubéola) costumam ter criança em bom estado — mas confirmar estado vacinal (sarampo voltou a circular)

Conduta inicial

  1. 1Avaliar estado geral e perfusão primeiro; criança tóxica com exantema petequial recebe abordagem de sepse imediata.
  2. 2Na suspeita de meningococcemia/sepse: acesso, coleta de culturas e antibiótico empírico de amplo espectro (ex.: ceftriaxona) sem atrasar, com suporte hemodinâmico.
  3. 3Fazer vitropressão e documentar se as lesões desaparecem ou não à pressão.
  4. 4Na suspeita de Kawasaki: solicitar exames inflamatórios e ecocardiograma e acionar a pediatria para IVIG + AAS.
  5. 5Isolar e notificar quando houver suspeita de doença de notificação compulsória (meningococo, sarampo).
  6. 6Criança em bom estado com exantema viral típico e estado vacinal adequado: sintomáticos, orientação de sinais de alarme e retorno.

Exames

  • Hemograma, PCR/VHS, coagulograma nas suspeitas graves
  • Hemocultura e liquor quando suspeita de sepse/meningite (antes do antibiótico, sem atrasá-lo)
  • Ecocardiograma e provas inflamatórias na suspeita de Kawasaki
  • Sorologias/PCR viral e notificação conforme suspeita (sarampo, meningococo)

Prescrição-modelo

Antibiótico, IVIG e AAS têm doses por peso e indicações específicas — confirme peso, alergias e protocolo local antes de prescrever; a conduta muda conforme a hipótese.

Dieta

  • Conforme estado geral; jejum se instabilidade/necessidade de procedimento

Soro

  • Expansão com cristaloide 10–20 mL/kg se sinais de choque, reavaliando a cada bolus
  • Manutenção por peso

Medicamentos

  • Suspeita de meningococcemia/sepse: ceftriaxona EV por peso, imediatamente após culturas
  • Kawasaki: imunoglobulina humana IV (IVIG) + ácido acetilsalicílico, conforme protocolo e cardiologia
  • Antitérmico/analgésico por peso

Recomendações

  • Não atrasar antibiótico na suspeita de meningococcemia esperando exames
  • Documentar vitropressão e estado geral; orientar sinais de alarme na alta dos quadros virais
  • Notificar e isolar nas doenças de notificação compulsória

Exames

  • Hemograma, PCR, coagulograma
  • Hemocultura/liquor se indicado
  • Ecocardiograma na suspeita de Kawasaki

Referências

  1. [1]McCrindle BW et al., Diagnosis, Treatment, and Long-Term Management of Kawasaki Disease — Scientific Statement, American Heart Association (AHA), Circulation 2017
  2. [2]Doença de Kawasaki, Manuais MSD para Profissionais, edição 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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