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Pneumonia adquirida na comunidade na criança — taquipneia por idade (OMS), amoxicilina de primeira linha e quando internar

Criança com febre e tosse respirando rápido — é pneumonia, começo amoxicilina e mando para casa ou interno?

Red flags — sinais de gravidade

  • Tiragem subcostal, cianose, gemência, estridor em repouso ou SatO2 baixa — sinais de gravidade da OMS que indicam internação e oxigênio, não alta com oral.
  • Lactente < 2 meses com quadro respiratório manejado ambulatorialmente — grupo de alto risco, limiar baixo para internar.
  • Incapacidade de aceitar líquidos/via oral, vômitos ou desidratação — não confiar em antibiótico oral em casa.
  • Piora após melhora inicial, febre que não cede e queda do murmúrio — pensar em derrame parapneumônico/empiema ou pneumonia complicada.
  • Ancorar em pneumonia e não valorizar sibilância/quadro obstrutivo (bronquiolite/asma) que muda a conduta.
  • Saturação limítrofe não medida por falta de oxímetro — não subestimar hipoxemia; reavaliar e considerar referência.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Contar a frequência respiratória com a criança calma por 1 minuto e comparar com o corte da OMS por idade — taquipneia é o sinal mais sensível de pneumonia.
  • Cortes de taquipneia (OMS): < 2 meses ≥ 60 irpm; 2–11 meses ≥ 50 irpm; 1–4 anos ≥ 40 irpm.
  • Procurar sinais de gravidade: tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, gemência, estridor em repouso, cianose, saturação baixa.
  • Medir SatO2 em ar ambiente — hipoxemia é critério forte para internação e oxigênio.
  • Avaliar estado geral e hidratação/aceitação: recusa alimentar, prostração, incapacidade de ingerir líquidos ou vômitos que impedem via oral.
  • Idade do lactente: < 2 meses com quadro respiratório tem baixo limiar para internação e investigação.
  • Rever estado vacinal (pneumococo, Hib) e comorbidades (prematuridade, cardiopatia, pneumopatia, imunossupressão).
  • Sinais de derrame/complicação: piora após melhora inicial, febre persistente, redução do murmúrio e macicez à percussão.

Conduta inicial

  1. 1PAC não complicada, criança previamente hígida e sem sinais de gravidade: amoxicilina VO como primeira linha, em dose adequada ao peso, por tempo conforme protocolo do serviço, e reavaliação.
  2. 2Definir o local de cuidado pelos sinais da OMS: presença de sinal de gravidade (tiragem, hipoxemia, incapacidade de ingerir líquidos, prostração) indica internação.
  3. 3Internado: antibiótico parenteral conforme protocolo (ex. penicilina cristalina/ampicilina; amoxicilina-clavulanato em casos selecionados), oxigênio se hipoxemia e suporte.
  4. 4Oxigênio suplementar para manter a saturação-alvo do serviço quando houver hipoxemia.
  5. 5Hidratação conforme aceitação; manter aleitamento/via oral se a criança tolera, hidratação venosa se não tolera.
  6. 6Antitérmico/analgésico para conforto; reavaliar resposta clínica em 48–72h.
  7. 7Suspeita de derrame/empiema: imagem e avaliação para eventual drenagem, discutir com a pediatria/cirurgia.
  8. 8Orientar retorno imediato se piora do esforço respiratório, recusa de líquidos, sonolência ou febre que não cede — e reavaliação programada dos casos de alta.

Exames

  • Diagnóstico da PAC é clínico (febre + taquipneia/esforço respiratório); nem todo caso ambulatorial precisa de radiografia.
  • Radiografia de tórax quando há dúvida diagnóstica, gravidade, suspeita de complicação (derrame) ou má resposta ao tratamento.
  • SatO2 por oximetria em todos que for possível — orienta oxigênio e internação.
  • Hemograma/PCR e hemocultura conforme gravidade e decisão de internar; USG/tórax para caracterizar derrame.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Manter aleitamento materno/dieta conforme aceitação e idade ___
  • Estimular ingestão de líquidos se tolera via oral ___

Soro

  • Hidratação venosa se recusa/intolerância à via oral: soro conforme peso e manutenção ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • PAC não complicada (ambulatorial): amoxicilina ___ mg/kg/dia VO dividida (confirmar dose/peso e duração pelo protocolo) — primeira linha
  • Internado: antibiótico parenteral conforme protocolo (ex. penicilina cristalina/ampicilina ___ ; amoxicilina-clavulanato em casos selecionados ___ )
  • Oxigênio suplementar se hipoxemia, para saturação-alvo do serviço ___
  • Antitérmico/analgésico: ___ mg/kg/dose VO se febre/dor até ___/___h

Recomendações

  • Retornar imediatamente se piora do esforço respiratório, cianose, recusa de líquidos, sonolência ou febre persistente
  • Reavaliação clínica programada em 48–72h nos casos de alta
  • Reforçar estado vacinal (pneumococo, Hib)
  • Manter hidratação e alimentação conforme aceitação ___

Exames

  • Radiografia de tórax se dúvida, gravidade, suspeita de derrame ou má resposta ___
  • SatO2 por oximetria; hemograma/PCR/hemocultura e USG de tórax conforme gravidade ___

Referências

  1. [1]Diretrizes Brasileiras em Pneumonia Adquirida na Comunidade na Infância, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2018
  2. [2]Revised WHO Classification and Treatment of Childhood Pneumonia at Health Facilities, World Health Organization (WHO), 2014
  3. [3]Pediatric Pneumonia Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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