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Coqueluche — tosse paroxística com guincho, apneia no lactente jovem, azitromicina, notificação e quimioprofilaxia

Lactente com crises de tosse que terminam em guincho ou vômito, às vezes fica roxo — é coqueluche? Começo antibiótico e notifico?

Red flags — sinais de gravidade

  • Lactente menor de 3 meses com apneia, cianose ou pausa respiratória: emergência — monitorização, oxigênio e internação, não tratar como virose de casa.
  • Leucocitose extrema com linfocitose (leucócitos muito elevados) no lactente: marcador de coqueluche maligna com hipertensão pulmonar e alta letalidade — UTI.
  • Hipoxemia, tiragem, taquipneia ou febre alta persistente: pensar em pneumonia bacteriana secundária sobreposta.
  • Convulsão ou rebaixamento: encefalopatia da coqueluche ou hipóxia — avaliação urgente.
  • Recusa alimentar/desidratação por vômitos pós-acessos: risco especialmente no pequeno.
  • Não notificar: coqueluche é de notificação compulsória — deixar de acionar a vigilância trava a quimioprofilaxia dos contatos.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Fase da doença: catarral (coriza, tosse leve, febre baixa — mais transmissível) vs paroxística (acessos de tosse em salva, guincho inspiratório, vômito pós-tosse) — o guincho pode faltar no lactente muito jovem.
  • Idade: menor de 3-6 meses é o grupo de maior risco de forma grave, apneia e óbito — baixar o limiar para internar.
  • Apneia, cianose ou engasgo durante/após os acessos, especialmente no lactente jovem — pode ser a única manifestação.
  • Estado vacinal (penta/DTP) da criança e dos contatos; gestante vacinada com dTpa no 3º trimestre?
  • Contato com caso de tosse prolongada (>14 dias) em casa, creche ou irmãos — cadeia de transmissão.
  • Tempo de tosse: quadro que já passou de 3 semanas muda o rendimento do antibiótico (mais para bloquear transmissão que para encurtar sintoma).
  • Sinais de complicação: taquipneia, tiragem, hipoxemia, febre alta persistente (pensa em pneumonia secundária), convulsão, letargia.
  • Hidratação e aceitação alimentar — vômitos pós-tosse repetidos desidratam.

Conduta inicial

  1. 1Antibiótico de escolha (MS): azitromicina — menor de 6 meses 10 mg/kg/dia 1x/dia por 5 dias; maior de 6 meses 10 mg/kg (máx 500 mg) no 1º dia e 5 mg/kg (máx 250 mg) do 2º ao 5º dia. Alternativa se contraindicação a macrolídeo: sulfametoxazol-trimetoprima (evitar SMX-TMP em menor de 2 meses).
  2. 2Iniciar antibiótico não muda muito o curso na fase paroxística tardia, mas reduz a transmissão — vale tratar até ~3 semanas de tosse (ou mais no lactente/gestante).
  3. 3Notificação compulsória à vigilância epidemiológica — dispara a busca de contatos e a quimioprofilaxia.
  4. 4Quimioprofilaxia dos contatos domiciliares e íntimos com o mesmo esquema/dose do tratamento, idealmente até 21 dias do início da tosse do caso — priorizar lactentes, gestantes no 3º trimestre e contatos de menores de 1 ano.
  5. 5Isolamento respiratório (gotículas) até completar 5 dias de antibiótico eficaz; sem tratamento, considerar transmissível por até 3 semanas de tosse.
  6. 6Lactente jovem/forma grave: internar com monitorização de apneia e oximetria, suporte de O2, hidratação, manejo cuidadoso dos acessos.
  7. 7Suporte: fracionar dieta, hidratar, evitar estímulos que desencadeiem acesso; sedativos de tosse não ajudam.
  8. 8Revisar e atualizar caderneta vacinal da criança e dos contatos; reforçar dTpa na gestante em gestações futuras.

Exames

  • Diagnóstico é clínico-epidemiológico; confirmar com coleta de swab de nasofaringe para PCR (melhor rendimento) ou cultura de Bordetella pertussis conforme a vigilância — não atrasar antibiótico esperando resultado.
  • Hemograma: leucocitose com linfocitose sugere e, se muito acentuada no lactente, sinaliza gravidade.
  • Radiografia de tórax e oximetria se suspeita de pneumonia secundária ou desconforto respiratório.
  • Sorologia tem papel limitado e mais tardio; seguir orientação da vigilância local.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta fracionada conforme aceitação e idade; manter aleitamento materno ___
  • Estimular oferta hídrica pelos vômitos pós-tosse ___

Soro

  • Hidratação venosa se desidratação ou baixa aceitação: soro conforme peso e estado de hidratação ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • Azitromicina (confirmar peso ___): < 6 meses 10 mg/kg/dia 1x/dia por 5 dias; > 6 meses 10 mg/kg (máx 500 mg) no dia 1 e 5 mg/kg (máx 250 mg) do dia 2 ao 5 ___
  • Alternativa se contraindicação a macrolídeo: sulfametoxazol-trimetoprima ___ mg/kg/dia (evitar em < 2 meses) ___
  • Antitérmico se febre/desconforto: dipirona ___ mg ou paracetamol ___ mg/kg até ___/___h ___
  • Oxigênio suplementar se SatO2 < ___ % (caso internado) ___

Recomendações

  • Isolamento por gotículas até completar 5 dias de antibiótico
  • Orientar sinais de alarme: apneia, cianose, cor arroxeada nos acessos, prostração, recusa alimentar — retornar/procurar emergência
  • Notificar à vigilância epidemiológica e listar contatos domiciliares para quimioprofilaxia
  • Quimioprofilaxia dos contatos com mesmo esquema da azitromicina ___
  • Revisar e atualizar caderneta vacinal da criança e contatos ___

Exames

  • Swab de nasofaringe para PCR/cultura de Bordetella pertussis conforme vigilância ___
  • Hemograma ___
  • Radiografia de tórax e oximetria se desconforto respiratório ___

Referências

  1. [1]Ampliação de uso da Azitromicina para tratamento e quimioprofilaxia da coqueluche, CONITEC/Ministério da Saúde (Brasil), 2015
  2. [2]Nota Técnica sobre tratamento, quimioprofilaxia e medidas de prevenção e controle da coqueluche, SESA-ES/Secretaria de Estado da Saúde, 2025
  3. [3]Pertussis (Whooping Cough) — Clinical Guidance, CDC (Centers for Disease Control and Prevention), 2024
  4. [4]Coqueluche, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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