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Glomerulonefrite pós-estreptocócica — síndrome nefrítica na criança: edema, hematúria e hipertensão, C3 baixo

Criança com urina cor de coca-cola, inchada e com pressão alta depois de uma dor de garganta ou impetigo — é glomerulonefrite pós-estrepto?

Red flags — sinais de gravidade

  • Encefalopatia hipertensiva (cefaleia intensa, alteração visual, convulsão, rebaixamento): emergência — reduzir a PA de forma controlada e avaliação imediata.
  • Congestão volêmica com edema agudo de pulmão/insuficiência cardíaca: dispneia, estertores, hipoxemia — restrição hídrica, diurético e retaguarda.
  • Oligoanúria ou creatinina em ascensão rápida: lesão renal aguda que pode precisar de nefro/diálise — não subestimar.
  • Hipercalemia com repercussão (alterações ao ECG): urgência metabólica.
  • C3 persistentemente baixo além de 8 semanas ou proteinúria nefrótica/hematúria arrastada: aponta para outra glomerulopatia (ex.: nefrite lúpica, GN membranoproliferativa) — reavaliar o diagnóstico.
  • Ancorar em GNPE e não medir a PA: hipertensão não tratada nessa fase é a principal causa de complicação grave.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Tríade nefrítica: hematúria (urina escura, cor de chá/coca-cola), edema (periorbitário matinal, membros) e hipertensão — checar as três.
  • Intervalo típico: 1-2 semanas após faringoamigdalite estreptocócica ou 3-6 semanas após piodermite/impetigo — perguntar sobre infecção recente.
  • Pressão arterial aferida com manguito adequado à idade, comparada às curvas por idade/sexo/estatura — a HAS é frequente e pode ser grave.
  • Volume urinário e ganho de peso recente: oligúria e edema indicam retenção hidrossalina.
  • Sinais de congestão/hipervolemia: dispneia, estertores, ritmo de galope, turgência — a criança pode abrir edema agudo de pulmão.
  • Estado neurológico: cefaleia, alterações visuais, vômitos, sonolência, convulsão — encefalopatia hipertensiva.
  • Função renal e diurese ao longo das horas — a maioria recupera, mas vigiar lesão renal aguda.
  • Idade: pico em pré-escolar/escolar (~7 anos); apresentação muito atípica ou fora dessa faixa reforça investigar outras causas.

Conduta inicial

  1. 1Confirmar a síndrome nefrítica e estratificar gravidade pela PA, volume urinário e sinais de congestão — decidir aqui internação vs observação.
  2. 2Restrição hidrossalina: reduzir sal e ajustar oferta de líquidos ao balanço, principalmente se oligúria/edema/HAS.
  3. 3Manejo da hipervolemia/HAS: diurético de alça (furosemida) é a base — trata edema e boa parte da hipertensão volume-dependente.
  4. 4HAS que não cede ao diurético: associar anti-hipertensivo (ex.: bloqueador de canal de cálcio como anlodipino/nifedipino) conforme protocolo pediátrico; na emergência hipertensiva, redução controlada com droga endovenosa em ambiente monitorizado.
  5. 5Erradicar o estreptococo se ainda houver foco: penicilina benzatina (ou amoxicilina/macrolídeo se alergia) — trata a infecção e reduz disseminação, mas não altera o curso da nefrite já instalada.
  6. 6Monitorar diurese, peso diário, PA seriada, função renal e potássio; balanço hídrico rigoroso nos internados.
  7. 7Suporte para lesão renal aguda/hipercalemia conforme necessidade; indicação de diálise é exceção, discutir com nefro.
  8. 8Orientar a família: prognóstico geralmente bom na criança, com recuperação em semanas; hematúria microscópica pode durar meses e o C3 normaliza em 6-8 semanas.

Exames

  • Urina I/EAS: hematúria (dismórfica/cilindros hemáticos), proteinúria, cilindrúria.
  • Ureia, creatinina e eletrólitos (sódio, potássio) para função renal e hipercalemia.
  • Complemento: C3 baixo em >90% dos casos na maioria das séries clássicas (estudos recentes reportam 84–95%), com C4 tipicamente normal; repetir em 6-8 semanas para documentar normalização.
  • Evidência de infecção estreptocócica: ASLO (mais após faringite) e/ou anti-DNase B (mais após piodermite); cultura/teste rápido se foco ativo.
  • Considerar FAN/anti-DNA, sorologias e demais exames se C3 persistir baixo, quadro atípico ou dúvida — e biópsia renal em casos que fogem do curso esperado.
  • Radiografia de tórax/avaliação cardiológica se sinais de congestão.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta hipossódica; restrição de potássio se hipercalemia ___
  • Restrição hídrica ajustada ao balanço/diurese se oligúria ou congestão ___

Soro

  • Evitar sobrecarga de volume; hidratação venosa só se indicada e ajustada ao balanço ___

Medicamentos

  • Furosemida ___ mg/kg/dose VO/EV conforme edema, PA e diurese (confirmar peso ___)
  • Anti-hipertensivo se HAS não controlada: anlodipino/nifedipino ___ mg conforme protocolo pediátrico ___
  • Emergência hipertensiva: anti-hipertensivo EV com redução controlada em ambiente monitorizado ___
  • Erradicação do estreptococo se foco ativo: penicilina benzatina ___ UI IM dose única (ou amoxicilina/macrolídeo se alergia) ___

Recomendações

  • Peso diário, PA seriada, balanço hídrico e controle de diurese
  • Orientar sinais de alarme: cefaleia intensa, alteração visual, dispneia, redução importante da urina, convulsão
  • Explicar curso habitualmente benigno; hematúria micro pode durar meses e C3 normaliza em 6-8 semanas
  • Seguimento ambulatorial com nefro pediátrica; retorno para reavaliar C3 ___

Exames

  • Urina I, ureia, creatinina e eletrólitos ___
  • C3 (e C4) na admissão e repetir em 6-8 semanas ___
  • ASLO/anti-DNase B; FAN e sorologias se atípico ou C3 persistentemente baixo ___

Referências

  1. [1]Glomerulonefrite pós-infecciosa, Manuais MSD — Edição para Profissionais, 2024
  2. [2]Acute Poststreptococcal Glomerulonephritis, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024
  3. [3]KDIGO 2021 Clinical Practice Guideline for the Management of Glomerular Diseases, KDIGO (Kidney Disease: Improving Global Outcomes), 2021
  4. [4]Rotina de Nefrologia Pediátrica — Síndrome Nefrítica, UFG/CIAR (Universidade Federal de Goiás), 2020

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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