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Parasitoses intestinais na criança — sintomas, albendazol/ivermectina, ciclo de Löffler e profilaxia

Criança com dor de barriga, viu verme nas fezes ou anda com prurido anal — dou albendazol empírico ou peço parasitológico antes?

Red flags — sinais de gravidade

  • Abdome agudo obstrutivo por bolo de áscaris (dor intensa, vômitos, distensão, parada de eliminação): avaliação cirúrgica — pode complicar com volvo/perfuração.
  • Síndrome de hiperinfecção/estrongiloidíase disseminada no imunossuprimido (dor abdominal, íleo, sepse por Gram-negativos, quadro pulmonar): emergência com alta letalidade — não iniciar corticoide sem rastrear/tratar estrongiloides em área endêmica.
  • Migração ectópica do áscaris (via biliar/pancreática): dor tipo cólica biliar, icterícia, pancreatite.
  • Anemia grave sintomática por ancilostomíase: repercussão hemodinâmica.
  • Disenteria com desidratação (ex.: amebíase invasiva) ou sinais sistêmicos: tratar e reidratar, não só antiparasitar.
  • Sibilância/infiltrado com eosinofilia interpretados só como 'asma': deixar passar o ciclo de Löffler.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Sintomas: dor abdominal recorrente, distensão, diarreia/disenteria, prurido anal (enterobíase), eliminação de verme, anemia/palidez, déficit ponderal.
  • Sintomas respiratórios transitórios (tosse, sibilância, infiltrado) com eosinofilia — pensar em ciclo de Löffler (migração pulmonar de áscaris, ancilostomídeo, estrongiloides).
  • Sinais de gravidade abdominal: dor intensa, vômitos, parada de eliminação de gases/fezes — suboclusão por bolo de áscaris.
  • Estado nutricional e presença de anemia (ancilostomíase causa perda de sangue oculta e anemia ferropriva).
  • Contexto epidemiológico: saneamento, água, contato com solo, creche, casos na família (enterobíase costuma ser familiar).
  • Imunossupressão (corticoide, HIV, transplante): risco de hiperinfecção/estrongiloidíase disseminada — rastrear/tratar antes de imunossuprimir.
  • Idade: cuidado com faixas e doses (ex.: albendazol meia-dose em 12-24 meses; ivermectina por peso, evitar em < 15 kg conforme protocolo).
  • Prurido anal noturno / achado de ovos na região perianal — enterobíase (Enterobius vermicularis), tratar a família.

Conduta inicial

  1. 1Em criança sintomática com quadro compatível, tratar conforme o parasita mais provável; o parasitológico de fezes (3 amostras) confirma e guia, mas não deve atrasar tratamento em caso claro.
  2. 2Ascaridíase/ancilostomíase/tricuríase: albendazol 400 mg VO dose única (crianças 12-24 meses: 200 mg) — mebendazol é alternativa; repetir conforme protocolo em algumas infecções.
  3. 3Enterobíase (oxiúro): albendazol/mebendazol dose única e repetir em ~2 semanas; tratar toda a família e reforçar higiene (o reinfecção é comum).
  4. 4Estrongiloidíase: ivermectina 200 mcg/kg/dia é a primeira linha (esquema conforme protocolo; atenção ao peso/idade) — tiabendazol/albendazol são alternativas.
  5. 5Giardíase: metronidazol (ou tinidazol/albendazol conforme disponibilidade) por curso apropriado.
  6. 6Amebíase (entamoeba invasiva): metronidazol seguido de agente luminal conforme protocolo.
  7. 7Suporte: reidratação e correção nutricional (ferro na anemia ferropriva por ancilostomíase); manejo cirúrgico da obstrução por áscaris.
  8. 8Reforçar profilaxia: saneamento, água tratada/fervida, lavagem de mãos e alimentos, higiene de unhas, calçados (ancilostomíase/estrongiloides pela pele) e tratamento dos contatos na enterobíase.

Exames

  • Protoparasitológico de fezes (EPF), idealmente 3 amostras em dias alternados — método de escolha para a maioria.
  • Pesquisa perianal (fita adesiva/método de Graham) para enterobíase, colhida pela manhã.
  • Hemograma com contagem de eosinófilos (eosinofilia sugere helmintíase com fase tecidual, ex.: Löffler, estrongiloides).
  • Pesquisa específica/exames seriados para estrongiloides quando suspeita e antes de imunossupressão em área endêmica.
  • Avaliar anemia/ferritina na suspeita de ancilostomíase; imagem se abdome agudo/obstrução por áscaris.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme aceitação e estado nutricional; correção nutricional se déficit ___
  • Hidratação/reidratação conforme perdas ___

Soro

  • Reidratação venosa se desidratação moderada/grave ou vômitos: soro conforme peso e estado ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • Albendazol 400 mg VO dose única (12-24 meses: 200 mg) para ascaridíase/ancilostomíase/tricuríase — confirmar peso/idade ___
  • Enterobíase: albendazol/mebendazol dose única e repetir em ~2 semanas; tratar a família ___
  • Estrongiloidíase: ivermectina 200 mcg/kg/dia conforme protocolo (atenção a peso/idade, evitar em < 15 kg) ___
  • Giardíase: metronidazol ___ mg/kg/dia por ___ dias (ou tinidazol/albendazol) ___
  • Amebíase invasiva: metronidazol ___ mg/kg/dia seguido de agente luminal conforme protocolo ___
  • Reposição de ferro se anemia ferropriva (ancilostomíase) ___

Recomendações

  • Higiene de mãos e alimentos, água tratada/fervida, saneamento, unhas curtas, uso de calçados
  • Enterobíase: tratar contatos domiciliares, trocar/lavar roupas de cama e íntimas em água quente
  • Orientar sinais de alarme: dor abdominal intensa/vômitos/distensão (obstrução), palidez importante, quadro respiratório com eosinofilia
  • Rastrear e tratar estrongiloides antes de iniciar corticoide/imunossupressor em área endêmica ___

Exames

  • Protoparasitológico de fezes (3 amostras) e método de Graham para oxiúro ___
  • Hemograma com eosinófilos; ferritina se suspeita de ancilostomíase ___
  • Pesquisa específica de estrongiloides antes de imunossupressão ___

Referências

  1. [1]Parasitoses intestinais: diagnóstico e tratamento — Guia Prático de Atualização, Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), 2020
  2. [2]Guidelines for the treatment of intestinal helminths (preventive chemotherapy), WHO (World Health Organization), 2017
  3. [3]Como tratar parasitoses intestinais em crianças, TelessaúdeRS-UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), 2022
  4. [4]Protocolo de Parasitoses Intestinais, Secretaria Municipal da Saúde de Ribeirão Preto, 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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