pneumologiaambulatoriotosse cronicatosse persistentetosse secagotejamento pos nasalrefluxobronquite eosinofilicatosse refrataria

Tosse crônica no adulto (>8 semanas) — investigação ambulatorial

O paciente tem tosse há mais de 8 semanas, sem diagnóstico definido. Como investigar de forma dirigida no ambulatório?

Red flags — sinais de gravidade

  • Hemoptise, perda de peso não intencional, febre persistente ou sudorese noturna — investigar neoplasia ou tuberculose antes de tratar como tosse inespecífica
  • Dispneia progressiva, sibilância nova ou estridor
  • Disfagia ou aspiração recorrente
  • Radiografia de tórax alterada — não tratar empiricamente sem esclarecer o achado
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar duração (>8 semanas define crônica; 3–8 semanas é subaguda, geralmente pós-infecciosa)
  • Perguntar sobre uso de IECA (causa comum e reversível)
  • Rastrear as três causas mais frequentes: síndrome do gotejamento pós-nasal/rinossinusite, asma/bronquite eosinofílica e DRGE
  • Perguntar sobre tabagismo ativo e exposição ocupacional/ambiental
  • Checar radiografia de tórax prévia e histórico de infecção respiratória recente

Conduta inicial

  1. 1Excluir causa aguda/infecciosa ativa e suspender IECA se em uso, reavaliando após 4 semanas de suspensão
  2. 2Solicitar radiografia de tórax e espirometria como triagem inicial em praticamente todo paciente
  3. 3Tratar empiricamente a causa mais provável pela história (gotejamento pós-nasal, asma/bronquite eosinofílica ou DRGE) e reavaliar resposta em 2–4 semanas antes de trocar de hipótese
  4. 4Se falha de tratamento empírico sequencial ou tosse sem causa identificada após avaliação básica, considerar tosse refratária/inexplicada e encaminhar
  5. 5Documentar impacto na qualidade de vida — mais frequente motivo de busca por avaliação especializada

Exames

  • Radiografia de tórax
  • Espirometria com prova broncodilatadora (rastreio de asma)
  • Considerar teste terapêutico para DRGE ou gotejamento pós-nasal antes de exames invasivos
  • TC de tórax se radiografia alterada, tabagismo importante ou red flag associada

Prescrição-modelo

Plano em rascunho — confirmar duração da tosse, uso de IECA, achados de imagem e resposta a tratamento empírico anterior antes de definir conduta.

Medicamentos

  • Tratamento empírico dirigido à causa mais provável (anti-histamínico/corticoide nasal, corticoide inalatório, ou IBP): ___

Recomendações

  • Duração e características da tosse: ___
  • IECA suspenso (se aplicável) e data: ___
  • Causa mais provável e ordem de tratamento empírico: ___
  • Resposta ao tratamento na reavaliação: ___

Exames

  • Investigação dirigida: ___

Referências

  1. [1]Diagnosis and Management of Cough — ACCP Evidence-Based Clinical Practice Guidelines, CHEST 2006 (Irwin RS et al.)
  2. [2]Treatment of Unexplained Chronic Cough — CHEST Guideline and Expert Panel Report, 2016 (PMID 26426314)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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