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Dor torácica e síndrome coronariana aguda

Paciente chegou com dor torácica. Como conduzir a investigação rápida e não perder um diagnóstico fatal, e o que fazer se for síndrome coronariana aguda?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor torácica com irradiação para dorso, de início súbito e intensidade máxima já no início, com assimetria de pulsos ou PA entre os membros — pensar em dissecção de aorta (nitrato e anticoagulação podem ser catastróficos nesse cenário)
  • Dispneia súbita com hipoxemia, taquicardia e fatores de risco para TEP (imobilização, neoplasia, cirurgia recente) — pensar em TEP maciço
  • Dor torácica com enfisema subcutâneo, desvio de traqueia, turgência jugular e hipotensão — pensar em pneumotórax hipertensivo, tratar sem esperar imagem
  • Hipotensão, turgência jugular e bulhas hipofonéticas (tríade de Beck) — pensar em tamponamento cardíaco
  • Erro que mata: dar nitrato sem checar PA e sem excluir infarto de ventrículo direito (inferior com supra em V4R) — pode causar colapso hemodinâmico
  • Erro que mata: liberar paciente com troponina única negativa muito precoce sem reavaliação seriada e sem estratificação de risco
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada, em todo paciente com dor torácica sugestiva
  • Monitorização contínua e acesso venoso
  • Pensar ativamente nos diagnósticos diferenciais fatais antes de assumir causa benigna
  • Troponina seriada (não descartar SCA com uma única troponina negativa precoce)
  • Definir se há supra de ST (ou equivalente) — isso muda a conduta imediatamente
  • Avaliar contraindicações antes de prescrever nitrato (hipotensão, infarto de ventrículo direito, uso recente de inibidor de fosfodiesterase)

Conduta inicial

  1. 1ECG de 12 derivações em até 10 minutos da chegada — é a ação mais time-sensitive de toda a avaliação.
  2. 2Monitorização contínua, oximetria, acesso venoso, história dirigida (características da dor, fatores de risco cardiovascular, sinais de alarme para diferenciais fatais).
  3. 3Excluir ativamente diagnósticos diferenciais fatais não coronarianos antes de tratar como SCA isolada: dissecção de aorta, TEP, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco — a história e exame físico direcionam qual descartar com mais urgência.
  4. 4Se supra de ST (ou equivalente, como bloqueio de ramo esquerdo novo em contexto clínico compatível): ativar via de reperfusão de urgência (angioplastia primária quando disponível em tempo adequado; fibrinólise se angioplastia não for viável em tempo hábil) — tempo é músculo, não esperar troponina para decidir reperfusão.
  5. 5Se sem supra de ST: tratamento antiplaquetário e anticoagulante conforme protocolo, troponina seriada, estratificação de risco — GRACE (GRACE 2.0) é o escore preferencial (ESC 2023) para definir tempo da estratégia invasiva (ex.: GRACE >140 favorece estratégia invasiva precoce, <24h); TIMI pode ser usado como apoio complementar se GRACE não estiver disponível.
  6. 6Analgesia da dor torácica isquêmica conforme protocolo, controle de fatores agravantes (taquicardia, hipertensão).
  7. 7Reavaliação contínua — repetir ECG se a dor mudar de característica ou se houver instabilidade, mesmo com primeiro ECG normal.

Exames

  • ECG de 12 derivações seriado (repetir se mudança clínica, mesmo com primeiro normal)
  • Troponina seriada (intervalo conforme protocolo do kit/local) — uma troponina isolada precoce não exclui SCA
  • Radiografia de tórax — pode sugerir alargamento de mediastino (dissecção), pneumotórax, sinais de congestão
  • Angiotomografia de aorta se suspeita de dissecção
  • Angiotomografia de tórax (protocolo TEP) se probabilidade relevante de TEP
  • Ecocardiograma à beira-leito se suspeita de tamponamento ou para avaliar função ventricular
  • D-dímero conforme probabilidade pré-teste de TEP (ver verbete específico de TEP)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Medicamentos

  • Ácido acetilsalicílico em dose de ataque, via oral (mastigável/triturado), se sem contraindicação e suspeita de SCA
  • Segundo antiplaquetário (inibidor de P2Y12) conforme estratégia definida (invasiva vs. conservadora) e protocolo local
  • Anticoagulante (ex.: heparina não fracionada ou de baixo peso molecular) conforme protocolo de SCA, ajustado por função renal
  • Nitrato sublingual ou IV para alívio sintomático, somente após excluir hipotensão, infarto de ventrículo direito e uso recente de inibidor de fosfodiesterase
  • Analgesia (opioide) se dor refratária a nitrato, com monitorização
  • Betabloqueador oral considerado nas primeiras horas se sem sinais de insuficiência cardíaca aguda, choque ou contraindicação
  • Estatina de alta potência iniciada precocemente

Referências

  1. [1]European Society of Cardiology — 2023 ESC Guidelines for the Management of Acute Coronary Syndromes
  2. [2]ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI — 2025 Guideline for the Management of Patients With Acute Coronary Syndromes (versão unificada, substitui as diretrizes separadas de STEMI/NSTE-ACS)
  3. [3]Sociedade Brasileira de Cardiologia — Diretriz sobre Angina Instável e IAM sem Supradesnível do Segmento ST, 2021; Ministério da Saúde — Linha de Cuidado do Infarto Agudo do Miocárdio, 2021

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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