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Crise asmática grave e broncoespasmo agudo

Paciente chegou em crise asmática/broncoespasmo agudo. Como tratar de forma escalonada e reconhecer quando está evoluindo para insuficiência respiratória?

Red flags — sinais de gravidade

  • Silêncio auscultatório ("tórax silencioso") — sinal de obstrução tão grave que praticamente não há fluxo aéreo para gerar sibilo; é gravidade extrema, não melhora
  • Incapacidade de falar frases completas, uso intenso de musculatura acessória, posição em tripé
  • Rebaixamento de consciência, confusão, sonolência — sinal de hipercapnia/exaustão, indicação de via aérea avançada iminente
  • Bradicardia ou hipotensão em paciente em crise — sinal de gravidade extrema/pré-parada
  • Saturação que não melhora ou cai a despeito de oxigênio suplementar e broncodilatador
  • Erro que mata: insistir apenas em broncodilatador inalatório em paciente com sinais de exaustão, atrasando suporte ventilatório
  • Erro que mata: não iniciar corticoide sistêmico precocemente por julgar a crise "leve a moderada" — reduz risco de recidiva e de evolução para gravidade
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Avaliar gravidade clínica (fala frases completas? usa musculatura acessória? nível de consciência?)
  • Oximetria e, se grave, gasometria
  • Broncodilatador inalatório (beta-2 agonista de curta ação) precoce e repetido
  • Corticoide sistêmico iniciado precocemente, não apenas em casos refratários
  • Considerar sulfato de magnésio se crise grave/refratária ao tratamento inicial
  • Reconhecer que silêncio auscultatório é sinal de gravidade extrema, não de melhora
  • Avaliar necessidade de suporte ventilatório (não invasivo ou invasivo) antes da exaustão completa

Conduta inicial

  1. 1Avaliação rápida de gravidade: capacidade de falar, frequência respiratória, uso de musculatura acessória, nível de consciência, oximetria, auscultar (presença, ausência ou silêncio de sibilos).
  2. 2Oxigênio suplementar apenas se SpO2 <92% (evitar O2 rotineiro em quem já satura bem), titulado com meta de saturação em torno de 93–95%.
  3. 3Broncodilatador inalatório de curta ação (beta-2 agonista), repetido em sequência nas primeiras avaliações conforme resposta — associar anticolinérgico inalatório nas crises moderadas a graves. Evitar doses repetidas além do necessário: SABA em excesso pode causar taquicardia/tremor e, em uso muito prolongado, acidose lática que mimetiza piora respiratória.
  4. 4Corticoide sistêmico iniciado precocemente em toda crise moderada a grave (não reservar para casos refratários) — efeito não é imediato, mas reduz inflamação e risco de recaída/necessidade de nova ida ao PS.
  5. 5Reavaliar resposta em minutos: se resposta inadequada ou crise grave desde o início, intensificar — broncodilatador contínuo/mais frequente, associar sulfato de magnésio IV.
  6. 6Identificar sinais de exaustão respiratória (silêncio auscultatório, rebaixamento de consciência, hipercapnia na gasometria, bradicardia) como indicação de escalonamento para suporte ventilatório — considerar ventilação não invasiva em casos selecionados e via aérea avançada/ventilação invasiva se falência respiratória iminente ou franca, com atenção à hipotensão e ao auto-PEEP que podem ocorrer na ventilação do paciente com broncoespasmo grave.
  7. 7Reavaliação clínica contínua — a resposta ao tratamento, não um único exame, é o que guia a decisão de internação, observação prolongada ou alta.

Exames

  • Oximetria contínua
  • Gasometria arterial se crise grave ou dúvida sobre retenção de CO2 — normocapnia ou hipercapnia em paciente taquipneico grave é sinal de alarme (esperaríamos hipocapnia pela taquipneia; CO2 normal/alto sugere exaustão)
  • Radiografia de tórax se suspeita de complicação (pneumotórax, consolidação) ou crise atípica/refratária — não é exame de rotina em toda crise típica
  • Pico de fluxo expiratório (peak flow), se o paciente conseguir realizar e houver disponibilidade, para quantificar gravidade e resposta ao tratamento

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Medicamentos

  • Beta-2 agonista de curta ação inalatório (ex.: salbutamol) em doses repetidas, via nebulização ou inalador dosimetrado com espaçador conforme disponibilidade
  • Anticolinérgico inalatório (ex.: ipratrópio) associado nas crises moderadas a graves
  • Corticoide sistêmico (ex.: prednisona oral ou metilprednisolona/hidrocortisona IV se via oral não for viável) iniciado precocemente
  • Sulfato de magnésio IV em crise grave com resposta inadequada ao tratamento inicial
  • Oxigênio suplementar titulado por oximetria
  • Considerar adrenalina IM apenas se houver componente anafilático associado (não é tratamento padrão de crise asmática isolada)

Referências

  1. [1]Global Initiative for Asthma (GINA) — 2026 Global Strategy for Asthma Management and Prevention
  2. [2]Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia — Recomendações para o Manejo da Asma da SBPT, 2020 (J Bras Pneumol 46(1))

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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