plantaoprescreverestudar

Cateter venoso central

Como indicar e realizar a passagem de cateter venoso central?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dispneia súbita, dor torácica ou queda de saturação durante/após punção — suspeitar de pneumotórax ou embolia aérea
  • Sangue arterial pulsátil ou vivo no momento da punção — suspeitar de punção arterial inadvertida, não progredir o dilatador
  • Assimetria de expansão torácica ou enfisema subcutâneo pós-procedimento — suspeitar de pneumotórax
  • Sinais de infecção no sítio de inserção ou sepse sem outro foco em paciente com CVC — suspeitar de infecção de corrente sanguínea relacionada a cateter
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar indicação e ausência de alternativa menos invasiva (acesso periférico, intraósseo)
  • Checar coagulograma/plaquetas e risco de sangramento no sítio escolhido
  • Escolher sítio considerando indicação, anatomia e risco: subclávia tende a menor infecção/trombose (às custas de maior risco de pneumotórax) e é preferida por CDC/ANVISA para reduzir infecção; evitar femoral quando houver alternativa (maior risco de infecção/TVP); em paciente com DRC avançada/candidato a diálise, preferir jugular interna direita para preservar a rede venosa (evitar estenose de subclávia)
  • Preparar barreira máxima de precaução (gorro, máscara, capote estéril, luvas estéreis, campo amplo)
  • Antissepsia da pele com clorexidina alcoólica e tempo de secagem respeitado
  • Usar USG em tempo real como padrão para a punção (recomendação NICE/ASA/ANVISA), especialmente em jugular interna; técnica anatômica sem USG fica reservada a emergência sem tempo ou indisponibilidade real do aparelho

Conduta inicial

  1. 1Indicações: necessidade de infusão de drogas vasoativas/soluções hiperosmolares, monitorização hemodinâmica invasiva, acesso venoso de urgência quando periférico é inviável, hemodiálise/plasmaférese, nutrição parenteral prolongada, falta de acesso periférico em paciente grave.
  2. 2Contraindicações/cuidados: coagulopatia significativa não corrigida (relativa — pesar risco/benefício e considerar sítio compressível), infecção/lesão de pele no sítio escolhido, trombose venosa conhecida no trajeto, agitação/não cooperação sem sedação adequada.
  3. 3Materiais necessários: kit de cateter venoso central (técnica de Seldinger), antissépticos (clorexidina alcoólica), campos estéreis amplos, capote/gorro/máscara/luvas estéreis para toda a equipe envolvida, anestésico local, fio-guia, dilatador, cateter do calibre/número de vias adequado, fixador, curativo oclusivo transparente, USG com capa estéril quando disponível.
  4. 4Técnica passo a passo (Seldinger): posicionar o paciente conforme sítio (Trendelenburg leve para jugular/subclávia, reduz risco de embolia aérea e ingurgita a veia), antissepsia ampla com clorexidina alcoólica e tempo de secagem adequado, paramentação com barreira máxima de precaução, anestesia local da pele e trajeto, puncionar a veia sob visualização ecográfica direta em tempo real (padrão recomendado, sobretudo para jugular interna) com aspiração contínua até refluxo venoso, introduzir o fio-guia pela agulha, retirar a agulha mantendo o fio, pequena incisão/dilatação do trajeto, avançar o cateter sobre o fio-guia até a profundidade estimada, retirar o fio-guia, aspirar e lavar todas as vias, fixar e cobrir com curativo oclusivo.
  5. 5Confirmação de sucesso/posicionamento: refluxo de sangue venoso em todas as vias, ausência de pulsatilidade arterial, radiografia de tórax confirmando trajeto e posição da ponta (idealmente na transição cavo-atrial) e descartando pneumotórax, quando sítio torácico.
  6. 6Cuidados pós-procedimento: curativo estéril datado, registro do procedimento (sítio, número de tentativas, intercorrências), avaliação diária da necessidade de manutenção do cateter (remover precocemente quando não mais indicado), troca de curativo conforme protocolo, vigilância de sinais locais e sistêmicos de infecção.

Exames

  • Radiografia de tórax pós-procedimento (sítios jugular/subclávio): confirma posicionamento da ponta e descarta pneumotórax
  • Coagulograma/plaquetas prévios, quando o tempo clínico permitir

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Medicamentos

  • Anestesia local infiltrativa no sítio de punção (ex.: lidocaína sem vasoconstritor), dose conforme peso e limite tóxico
  • Sedação leve associada apenas se necessário para cooperação/agitação, com monitorização contínua

Recomendações

  • Não há indicação rotineira de antibioticoprofilaxia sistêmica apenas para a passagem do cateter — a prevenção de infecção é baseada em técnica asséptica (barreira máxima + clorexidina alcoólica)

Referências

  1. [1]CDC — Guidelines for the Prevention of Intravascular Catheter-Related Infections (barreira máxima, clorexidina alcoólica, preferência por subclávia e evitar femoral)
  2. [2]NICE TA49 — Guidance on the use of ultrasound locating devices for placing central venous catheters; ASA — Practice Guidelines for Central Venous Access, 2020 (USG em tempo real como padrão para jugular interna)
  3. [3]ANVISA — Caderno 4: Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde, 2017 (referência nacional)
  4. [4]Sociedade Japonesa de Terapia Intensiva/multissociedades — Practical Guide for Safe Central Venous Catheterization and Management, 2017 (técnica de Seldinger)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável. Procedimento deve ser realizado por profissional habilitado/sob supervisão adequada.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

Criar conta

Quer receber os próximos verbetes por e-mail? Sem spam, cancela quando quiser.

Ver todos os verbetes