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Sondagem vesical de demora

Como indicar e realizar a sondagem vesical de demora?

Red flags — sinais de gravidade

  • Sangue no meato uretral, hematoma perineal/escrotal ou próstata elevada/não palpável ao toque retal em trauma pélvico — suspeitar de lesão uretral, não forçar a passagem, considerar avaliação urológica antes
  • Resistência importante à progressão da sonda — interromper, não forçar (risco de falsa via/lesão uretral)
  • Hematúria macroscópica nova pós-sondagem traumática
  • Febre, calafrios ou dor lombar em paciente com sonda de demora — suspeitar de infecção do trato urinário associada a cateter
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar indicação apropriada (evitar sondagem por conveniência)
  • Investigar sinais de lesão uretral antes de tentar a passagem (sangue no meato, trauma pélvico/perineal)
  • Escolher calibre de sonda adequado ao paciente e à indicação
  • Garantir técnica asséptica e sistema fechado de drenagem
  • Planejar reavaliação diária da necessidade de manter a sonda
  • Em retenção urinária volumosa, monitorar diurese pós-obstrutiva, PA e aspecto da urina — a evidência atual (ECR e meta-análise) mostra que o esvaziamento completo é seguro, sem aumento de hematúria/hipotensão vs. drenagem gradual; a drenagem fracionada/clampeamento é prática tradicional sem benefício comprovado

Conduta inicial

  1. 1Indicações: retenção urinária aguda, monitorização rigorosa de diurese em paciente grave/instável, necessidade de controle de diurese em cirurgia prolongada, obstrução de via urinária baixa, manejo de incontinência com lesão de pele em paciente selecionado (uso restrito), administração de medicação intravesical.
  2. 2Contraindicações/cuidados: suspeita de lesão uretral (trauma pélvico/perineal com sangue no meato) é contraindicação até avaliação adequada — considerar uretrografia retrógrada ou avaliação urológica antes de tentar a passagem; estenose uretral conhecida; infecção uretral ativa não tratada (avaliar risco-benefício).
  3. 3Materiais necessários: sonda vesical de calibre apropriado (tipicamente Foley de duas vias), kit estéril de sondagem, antisséptico, lubrificante/gel anestésico, seringa para insuflar o balonete com água destilada, sistema coletor fechado.
  4. 4Técnica passo a passo: posicionar o paciente, antissepsia do meato e região genital, técnica estéril (luvas, campo fenestrado), aplicar gel lubrificante/anestésico na uretra, introduzir a sonda suavemente até drenagem de urina, avançar mais alguns centímetros antes de insuflar o balonete (evitar insuflar dentro da uretra), insuflar o balonete com o volume indicado pelo fabricante, tracionar levemente até notar resistência (balonete no colo vesical), conectar ao sistema coletor fechado e fixar a sonda na coxa.
  5. 5Confirmação de sucesso/posicionamento: drenagem de urina pela sonda, ausência de resistência à insuflação do balonete, ausência de dor importante após insuflação.
  6. 6Cuidados pós-procedimento: manter sistema fechado sempre abaixo do nível da vesícula, higiene diária do meato, registrar diurese, reavaliar diariamente a necessidade de manutenção e remover precocemente quando possível.
  7. 7Retenção urinária volumosa (ex.: > 500–1000 mL ao cateterizar): a evidência atual (ECR e revisão sistemática/meta-análise) mostra que o esvaziamento completo é seguro, sem aumento de hematúria ex-vácuo, hipotensão ou colapso circulatório em comparação à drenagem gradual — o clampeamento fracionado é prática tradicional sem benefício comprovado e pode até aumentar o risco de ITU. A diurese pós-obstrutiva é um fenômeno real: o essencial é monitorar diurese, PA e aspecto da urina após a descompressão, independentemente de drenar de forma fracionada ou completa.

Exames

  • Urina tipo I e urocultura, se suspeita clínica de infecção urinária associada ao cateter
  • Uretrografia retrógrada, se suspeita de lesão uretral antes de tentar a sondagem

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Medicamentos

  • Gel lubrificante anestésico tópico (ex.: lidocaína gel) para a passagem da sonda
  • Antibioticoterapia apenas se houver infecção urinária sintomática confirmada, conforme cultura e protocolo local

Recomendações

  • Não há indicação rotineira de antibioticoprofilaxia para sondagem vesical simples

Referências

  1. [1]CDC (Gould CV et al.) — Guideline for Prevention of Catheter-Associated Urinary Tract Infections, 2009 (reformatado em 2024)
  2. [2]SHEA/IDSA/APIC (Patel PK et al.) — Strategies to Prevent Catheter-Associated Urinary Tract Infections in Acute Care Hospitals: 2022 Update (Compendium), Infect Control Hosp Epidemiol 2023;44(8):1209-1231
  3. [3]ANVISA — Medidas de Prevenção de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde, 2017 (prevenção de ITU associada a cateter vesical)
  4. [4]EAU (European Association of Urology) — Urological Trauma Guideline, 2024, para suspeita de lesão uretral

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável. Procedimento deve ser realizado por profissional habilitado/sob supervisão adequada.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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