Retirada de dreno torácico/abdominal — critérios e técnica
Quando e como retirar um dreno torácico ou abdominal com segurança?
Red flags — sinais de gravidade
Vazamento aéreo persistente no dreno de tórax (fístula broncopleural — não retirar)
Aumento súbito de débito ou mudança de aspecto antes da retirada (sangue vivo, conteúdo entérico) — investigar antes de remover
Piora respiratória ou enfisema subcutâneo após o clampeamento de teste do dreno de tórax
Febre ou sinais de coleção residual antes da retirada (avaliar drenagem incompleta)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Indicação original do dreno resolvida (causa tratada)
Débito dentro do limite aceitável, lembrando que o critério varia conforme o contexto clínico (trauma, pós-cirúrgico, pneumotórax) e o tipo de dreno
Aspecto do débito compatível com resolução (não purulento, não biliar/fecal inesperado)
Para dreno de tórax: ausência de vazamento aéreo (sem borbulhamento no selo d'água, inclusive à tosse/Valsalva)
Radiografia de tórax de controle disponível (drenos pleurais), se indicada
Paciente orientado sobre o procedimento e analgesia disponível antes da retirada
Conduta inicial
1Confirmar que a indicação original do dreno foi resolvida e revisar a evolução de débito dos últimos dias.
2Dreno de tórax: confirmar ausência de vazamento aéreo (selo d'água sem borbulhamento, inclusive com manobra de Valsalva ou tosse) e débito baixo (geralmente referido como inferior a cerca de 100–200 mL/24h de líquido seroso, variando por protocolo institucional); muitos serviços solicitam radiografia de tórax antes da retirada para confirmar expansão pulmonar.
3Importante: o critério numérico de débito para retirada não é universal — varia conforme o contexto clínico e o tipo de dreno (ex.: dreno de tórax pós-trauma, pós-cirúrgico torácico, drenagem de pneumotórax simples, dreno abdominal pós-cirúrgico ou de coleção) e conforme o protocolo de cada serviço; usar o valor de 100–200 mL/24h apenas como referência geral para dreno pleural de líquido seroso, não como regra fixa aplicável a todos os cenários.
4Dreno abdominal: confirmar débito baixo e seroso/serossanguinolento, sem sinais de fístula (bile, conteúdo entérico, débito purulento) e sem necessidade de monitorização de uma anastomose ainda em risco.
5Explicar o procedimento ao paciente, garantir analgesia adequada antes de iniciar.
6Retirar suturas de fixação do dreno.
7Dreno de tórax: orientar o paciente a fazer manobra de Valsalva (expiração forçada com glote fechada), retirar ao final da expiração, ou ao final de uma inspiração profunda — alternativas equivalentes (o essencial é pressão intratorácica positiva e retirada rápida, sem diferença comprovada na incidência de pneumotórax entre elas), conforme protocolo do serviço, e remover o dreno em um movimento único e rápido, ocluindo imediatamente o orifício com curativo oclusivo (gaze com vaselina/curativo impermeável).
8Dreno abdominal: retirar em movimento único e contínuo (ou tracionar progressivamente em dias sucessivos, se for o protocolo do serviço para drenos com trajeto a ser fechado por segunda intenção), cobrir o orifício com curativo absorvente.
9Após a retirada de dreno pleural, avaliar radiografia de tórax para excluir pneumotórax iatrogênico — a RX de rotina (tipicamente ~4h após) ainda é prática comum, mas a evidência atual (sobretudo de trauma) favorece abordagem seletiva/guiada por sintomas (dor, dispneia, hipoxemia) em pacientes não ventilados; manter RX de rotina em pacientes ventilados ou de maior risco, ou conforme protocolo do serviço.
10Reavaliar o paciente em algumas horas: dor, dispneia, saída de secreção pelo orifício.
Exames
Radiografia de tórax: antes da retirada (confirmar expansão pulmonar e ausência de derrame significativo) e após (excluir pneumotórax iatrogênico), para drenos pleurais
Hemograma/PCR: se suspeita de coleção residual ou infecção antes da retirada
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Medicamentos
Analgesia antes do procedimento (o momento da retirada costuma ser doloroso, especialmente no dreno de tórax)
Recomendações
Curativo oclusivo impermeável imediato no orifício do dreno de tórax
Referências
[1]Roberts and Hedges' Clinical Procedures in Emergency Medicine — capítulo de drenagem torácica (critérios e técnica de retirada)
[2]BTS — British Thoracic Society, Pleural Disease Guideline 2023 (manejo e retirada de dreno pleural)
[3]EAST/AAST — literatura de trauma sobre radiografia seletiva/guiada por sintomas após retirada de dreno torácico
[4]ATLS — Advanced Trauma Life Support
[5]Manual de condutas em cirurgia geral do serviço
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.