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Passagem de plantão — estrutura segura e completa

Como fazer uma passagem de plantão completa e segura, sem perder informação crítica?

Red flags — sinais de gravidade

  • Paciente instável passado "de corrida" ou no final da lista, sem destaque
  • Pendência mencionada verbalmente mas não registrada (perde-se na troca de equipe)
  • Ausência de plano explícito do que fazer se um parâmetro mudar (ex.: "se piorar a saturação, fazer X")
  • Passagem feita apenas por mensagem de texto/telefone em casos graves, sem confirmação de entendimento
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Lista de todos os pacientes sob responsabilidade, não só os "casos interessantes"
  • Pacientes instáveis ou em observação rigorosa destacados no início
  • Pendências explícitas: exames a cobrar, resultados aguardados, condutas a reavaliar em horário definido
  • Exames críticos pendentes de resultado, com horário esperado
  • Medicações/condutas com horário de reavaliação (ex.: antibiótico a reavaliar, sedação, analgesia)
  • Contato de familiares pendente ou já realizado (decisões compartilhadas, prognóstico)
  • Passagem feita à beira do leito ou com visualização dos pacientes mais graves, quando possível

Conduta inicial

  1. 1S — Situação: identificação do paciente, diagnóstico ou hipótese principal, motivo da internação/permanência no PS, status atual em uma frase.
  2. 2B — Background (histórico): comorbidades relevantes, alergias, cirurgias/procedimentos recentes, evolução até o momento da passagem.
  3. 3A — Avaliação: a impressão/interpretação clínica de quem passa (o que você acha que está acontecendo — ex.: "quadro em descompensação", "suspeita de sepse"), além do estado clínico atual (sinais vitais relevantes, exame físico dirigido), resultados de exames já disponíveis e resposta a condutas já tomadas.
  4. 4R — Recomendação/plano: o que precisa ser feito no próximo período — exames a cobrar e horário esperado, reavaliações agendadas, critérios de alta ou de chamar o staff, e instrução explícita do tipo "se X acontecer, fazer Y".
  5. 5Observação sobre a moldura: a estrutura acima é o SBAR (comunicação estruturada endossada por WHO e Joint Commission); para passagem de turno multipaciente, o protocolo I-PASS é o de maior evidência de redução de eventos adversos (Starmer, NEJM 2014) e acrescenta destacar a gravidade primeiro, a lista de tarefas (action list), o plano de contingência e a síntese/confirmação pelo receptor — elementos já incorporados nos itens deste verbete.
  6. 6Repetir a estrutura para cada paciente, priorizando os mais instáveis/complexos no início da lista, não no final.
  7. 7Confirmar entendimento mútuo ao final (perguntar e permitir perguntas), preferencialmente com contato visual/beira-leito para os casos graves.
  8. 8Deixar registro escrito das pendências (lista de plantão, prontuário ou ferramenta do serviço), não depender só da passagem verbal.

Exames

  • Não aplicável — verbete de rotina/documentação. Quando houver exames pendentes, eles devem ser citados explicitamente na seção "Recomendação/plano" da passagem (qual exame, motivo, horário esperado do resultado).

Prescrição-modelo

Recomendações

  • Não aplicável — verbete de rotina/documentação.

Referências

  1. [1]The Joint Commission — padrão PC.02.02.01 (comunicação em transições de cuidado) e Sentinel Event Alert 58 (2017), 'Inadequate hand-off communication'
  2. [2]WHO Collaborating Centre for Patient Safety — Patient Safety Solution nº 3, 'Communication During Patient Hand-Overs' (2007), base do SBAR
  3. [3]Starmer AJ et al. (I-PASS Study Group) — Changes in Medical Errors after Implementation of a Handoff Program, NEJM 2014;371:1803-1812 (PMID 25372088)
  4. [4]Müller M et al. — Impact of the SBAR communication tool on patient safety: a systematic review, BMJ Open 2018 (PMID 30139905)
  5. [5]Resolução CFM nº 1.638/2002 (prontuário e continuidade do cuidado) e Programa Nacional de Segurança do Paciente — Portaria MS/GM nº 529/2013 / RDC ANVISA nº 36/2013

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável. A passagem de plantão é um dos pontos de maior risco de falha de comunicação na assistência — registrar pendências por escrito sempre que possível.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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