Solicitação de vaga de UTI — o que não pode faltar no pedido
Como solicitar uma vaga de UTI de forma completa e que justifique a prioridade do paciente?
Red flags — sinais de gravidade
Paciente com necessidade de suporte avançado (vasopressor, VM, diálise) sem prioridade comunicada explicitamente ao serviço de regulação/UTI
Piora clínica durante a espera sem reavaliação e sem nova comunicação ao intensivista/regulação
Solicitação genérica ("paciente grave, precisa de UTI") sem dados objetivos que sustentem a gravidade
Atraso na escalada de suporte (ex.: não iniciar vasopressor por achar que "a vaga já vai saber") enquanto se aguarda a transferência
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Motivo objetivo da solicitação (qual disfunção orgânica ou risco justifica terapia intensiva)
Necessidade atual de suporte: vasopressor/inotrópico, ventilação mecânica (invasiva ou não invasiva), diálise/terapia de substituição renal
Escore de gravidade, se o serviço utilizar (ex.: SOFA, APACHE II) — citar apenas se realmente calculado; qSOFA não é escore de gravidade para essa decisão, é triagem rápida de sepse à beira do leito
Evolução clínica até o momento (estável, piorando, resposta a medidas já tomadas)
Exames-chave que sustentam a gravidade (gasometria, lactato, função renal, imagem relevante)
Suporte mantido no PS/enfermaria enquanto aguarda a vaga, registrado e reavaliado
Reavaliação periódica programada enquanto a vaga não sai
Conduta inicial
1Definir e registrar o motivo objetivo da solicitação: qual disfunção orgânica (respiratória, hemodinâmica, neurológica, renal) exige monitorização ou suporte que não pode ser oferecido fora da UTI.
2Descrever claramente o suporte já em uso ou necessário: tipo e dose de vasopressor/inotrópico, parâmetros de ventilação (ou necessidade de intubação iminente), necessidade de diálise/terapia de substituição renal.
3Se o serviço usa escore de gravidade (SOFA, APACHE II, etc.), calcular e informar — não inventar um número aproximado. O qSOFA não deve ser usado como escore de gravidade para fundamentar a solicitação de vaga: é uma ferramenta de triagem rápida à beira do leito para identificar pacientes com possível sepse e risco de desfecho desfavorável, não uma medida de disfunção orgânica para decisão de internação em UTI — quando há suspeita de sepse, um qSOFA positivo deve motivar avaliação mais completa (lactato, SOFA, exames) em vez de ser citado isoladamente como justificativa de gravidade para a vaga.
4Resumir a evolução: desde quando o quadro começou, resposta a medidas já tomadas (volume, antibiótico, drogas vasoativas), tendência (melhora, estável, piora).
5Anexar/citar exames-chave: gasometria arterial, lactato, função renal, hemograma, exame de imagem relevante para o quadro.
6Formalizar o pedido conforme o fluxo do serviço (sistema de regulação de leitos, contato direto com intensivista de plantão), deixando claro o grau de urgência.
7Enquanto aguarda a vaga: manter e reavaliar o suporte no PS/enfermaria com a mesma intensidade que seria oferecida na UTI (monitorização contínua, ajuste de vasopressor, reavaliação de via aérea), não reduzir cuidado por achar que "a vaga vai sair logo".
8Reavaliar periodicamente e atualizar a regulação/intensivista se houver mudança relevante no quadro (melhora ou piora) durante a espera.
Exames
Gasometria arterial: avaliação de oxigenação, ventilação e equilíbrio acidobásico
Lactato sérico: marcador de hipoperfusão/gravidade
Função renal e eletrólitos
Hemograma completo
Exame de imagem pertinente ao quadro de base (ex.: radiografia/TC de tórax em insuficiência respiratória)
Prescrição-modelo
Recomendações
Não aplicável — verbete de rotina/documentação. O suporte (vasopressor, ventilação, sedação) deve seguir a prescrição específica do quadro clínico do paciente, ajustada e reavaliada continuamente enquanto se aguarda a vaga.
Referências
[1]SCCM (Nates JL et al.) — Guidelines for ICU Admission, Discharge, and Triage, Critical Care Medicine 2016;44(8):1553-1602
[2]Resolução CFM nº 2.156/2016 — critérios de admissão e alta em UTI (Câmara Técnica de Medicina Intensiva do CFM, com contribuição da AMIB)
[3]RDC ANVISA nº 7/2010 — requisitos mínimos para funcionamento de UTI
[4]Singer M et al. — The Third International Consensus Definitions for Sepsis and Septic Shock (Sepsis-3), JAMA 2016 (PMID 26903338) — enquadramento do qSOFA/SOFA
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.