Paciente em ventilação mecânica (ou politraumatizado) com deterioração súbita. Como reconheço e trato pneumotórax hipertensivo?
Red flags — sinais de gravidade
Esperar Rx para confirmar antes de tratar: atraso pode ser fatal
PCR em AESP: PTX hipertensivo é causa reversível — descompressão (toracostomia) bilateral se trauma ou VM; na PCR traumática o ERC 2021 prefere toracostomia digital à punção por agulha
Não reconhecer em paciente intubado: sinais atípicos
Descompressão no lado errado
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
2Descompressão de emergência: agulha/cateter 14G ou 16G, comprimento conforme o biotipo — ~5 cm em adultos magros, até 8 cm em maiores (o jelco padrão de ~4,5–5 cm pode não atingir o espaço pleural; parte dos adultos tem parede torácica > 5 cm). Sítio preferencial em adultos (ATLS 11ª ed., 2025): 5º EI linha axilar anterior/média, mesmo sítio da drenagem definitiva — atenção ao risco de lesão cardíaca com agulha longa no 5º EI à esquerda. O 2º EI linha hemiclavicular (borda superior da 3ª costela) é a outra opção listada pela WSES-AAST 2025, com maior taxa de falha na literatura (parede mais espessa); a toracostomia digital pode ser mais efetiva quando a agulha desloca. Saída de ar sob pressão confirma.
3Após estabilização com punção: drenagem torácica definitiva no 5º EI linha axilar média.
4PCR em AESP com contexto de trauma ou VM: PTX hipertensivo é um dos T reversíveis do ACLS — descompressão (toracostomia) bilateral em paralelo à RCP; na PCR traumática o ERC 2021 recomenda toracostomia bilateral, preferindo a digital à punção por agulha quando há profissional apto.
5Monitorização contínua: SpO2, PA, FC, capnografia se intubado.
Exames
USG à beira-leito: ausência de deslizamento pleural sugere PTX (falso-negativo possível em PTX sob IPPV) — mais rápido que Rx
Rx de tórax: confirmatório após estabilização, nunca atrasar tratamento
Gasometria arterial após estabilização
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Jejum até estabilização
Soro
Hidratação EV conforme estado volêmico
Medicamentos
Analgesia após estabilização do quadro agudo (opioide + AINE conforme protocolo)
Recomendações
Elevar cabeceira 30-45° após estabilização
Monitorizar oscilação da coluna d'água e débito drenado
Exames
Rx de tórax de controle após passagem do dreno
Gasometria arterial de controle
Referências
[1]ATLS — Advanced Trauma Life Support, 11ª edição, 2025
[2]WSES-AAST Guidelines on thoracic trauma, World Journal of Emergency Surgery, 2025
[3]European Resuscitation Council — Guidelines 2021: Cardiac arrest in special circumstances (PCR traumática — toracostomia bilateral)
[4]American Heart Association — ACLS Guidelines (causas reversíveis: 5H e 5T)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.