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Hemotórax maciço

Paciente traumatizado com dispneia e sinais de choque. Como reconheço e trato hemotórax maciço?

Red flags — sinais de gravidade

  • Débito inicial ≥1500mL, ≥150–200 mL/h por 2-4h, ou necessidade persistente de transfusão: toracotomia — não tergiversar
  • Choque refratário após reposição e drenagem: lesão de grande vaso
  • Não ativar protocolo de hemotransfusão maciça quando indicado
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Reconhecer: macicez à percussão + MV diminuído + choque hipovolêmico
  • Diferenciar de PTX hipertensivo: macicez (hemotórax) vs timpanismo (PTX)
  • Acesso venoso calibroso bilateral imediatamente
  • Dreno torácico calibroso (28-32Fr — ATLS 11ª ed.) — medir débito inicial
  • Débito ≥1500mL inicial, ≥150–200 mL/h por 2-4h (EAST: a partir de 150 mL/h; ATLS 11ª: 200 mL/h), ou necessidade persistente de transfusão: indicação de toracotomia

Conduta inicial

  1. 1Reconhecimento: dispneia + macicez à percussão + MV diminuído + choque hipovolêmico.
  2. 2Acesso venoso calibroso x2 e ressuscitação de controle de dano: cristaloide aquecido limitado (evitar excesso — coagulopatia dilucional), priorizar hemoderivados precoces / sangue O negativo se sem tipagem; hipotensão permissiva até controle cirúrgico — exceto se houver TCE grave associado, em que se mantém PAM ≥80 mmHg / PAS mais alta.
  3. 3Drenagem torácica com dreno calibroso (28-32Fr — ATLS 11ª ed.) no 5º EI linha axilar média — medir e registrar débito.
  4. 4Débito ≥1500mL inicial, ≥150–200 mL/h por 2-4h (EAST começa em 150 mL/h como gatilho; ATLS 11ª: 200 mL/h), ou necessidade persistente de transfusão: toracotomia — acionar cirurgia torácica. A fisiologia do paciente (instabilidade persistente) pesa mais que o número absoluto de débito (EAST/WSES-AAST).
  5. 5Ativar protocolo de hemotransfusão maciça se previsto no serviço.

Exames

  • USG FAST: líquido no espaço pleural
  • Rx de tórax: opacificação do hemitórax
  • TC de tórax (se estável): quantifica e identifica lesões associadas
  • Hemograma, coagulograma, tipagem e provas cruzadas — urgência
  • Gasometria arterial

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum absoluto — potencial indicação cirúrgica

Soro

  • Cristaloide aquecido (SF 0,9% ou RL) em acesso calibroso
  • Concentrado de hemácias O negativo se sem tipagem

Medicamentos

  • Ácido tranexâmico EV só se <3h do trauma e choque hemorrágico — 1 g em 10 min seguido de 1 g em 8 h (após 3h pode aumentar a mortalidade — CRASH-2), conforme protocolo
  • Analgesia após estabilização — opioide EV

Recomendações

  • Ativar protocolo de hemotransfusão maciça com razão balanceada ~1:1:1 (plasma:plaquetas:hemácias — PROPPR) se indicado
  • Monitorizar débito horário do dreno

Exames

  • Hemograma, coagulograma, gasometria de controle
  • Rx de tórax de controle após drenagem

Referências

  1. [1]ATLS — Advanced Trauma Life Support, 11ª edição (2025)
  2. [2]EAST — Practice Management Guideline: Hemothorax and Occult Pneumothorax, 2011
  3. [3]WSES-AAST Guidelines on thoracic trauma, World Journal of Emergency Surgery, 2025

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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