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Afogamento — reanimação e conduta inicial

Vítima de afogamento chega ao PS. Como conduzir a reanimação e definir necessidade de internação mesmo em paciente aparentemente estável?

Red flags — sinais de gravidade

  • Liberar paciente assintomático sem período mínimo de observação — edema pulmonar pode aparecer horas depois
  • Retardar ventilação/oxigenação em favor de compressões torácicas isoladas — hipóxia é a causa da PCR, ventilar é prioridade
  • Não suspeitar de lesão cervical em afogamento por mergulho em água rasa
  • Não tratar hipotermia concomitante — piora prognóstico e dificulta reanimação
  • PCR prolongada em água muito fria sem considerar reanimação prolongada (hipotermia pode ser neuroprotetora)
  • Não reconhecer síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA) evoluindo nas primeiras 24-72h
  • Aspirar rotineiramente via aérea sem indicação — pode induzir vômito e broncoaspiração
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Priorizar ventilação/oxigenação na reanimação — hipóxia é o evento fisiopatológico central do afogamento, diferente da PCR cardíaca primária
  • Classificar gravidade (Szpilman ou similar) para definir conduta e necessidade de internação
  • Reavaliar todo paciente por no mínimo 4-6h de observação, mesmo assintomático — risco de edema pulmonar tardio
  • Não considerar 'afogamento seco' e 'úmido' como categorias que mudam a conduta — manejo é o mesmo
  • Investigar trauma associado (mergulho, colisão) — considerar lesão de coluna cervical se mecanismo compatível
  • Verificar hipotermia associada — comum em afogamento, trata-se em paralelo
  • Avaliar nível de consciência seriado — deterioração neurológica é sinal de gravidade
  • Não usar manobra de Heimlich rotineiramente — não esvazia pulmão e atrasa ventilação

Conduta inicial

  1. 1Reanimação: iniciar com 5 ventilações de resgate antes das compressões (diferente do ACLS padrão) — hipóxia é a causa primária da PCR no afogamento.
  2. 2RCP convencional (compressão + ventilação) se PCR confirmada, seguindo protocolo ACLS a partir daí.
  3. 3O2 suplementar de alto fluxo em todo paciente sintomático; VNI ou intubação se insuficiência respiratória progressiva ou rebaixamento de consciência.
  4. 4Classificar gravidade (ex. escala de Szpilman): de grau 1 (tosse sem espuma, ausculta normal) a grau 6 (PCR) — orienta necessidade de internação/UTI.
  5. 5Restrição de coluna cervical se mecanismo de trauma associado (mergulho, esporte aquático, água rasa).
  6. 6Reaquecimento ativo se hipotermia associada, em paralelo à reanimação.
  7. 7Observação mínima de 4-6h em paciente assintomático ou com sintomas leves — risco de deterioração respiratória tardia.
  8. 8Internação/UTI para graus mais graves (hipoxemia persistente, rebaixamento de consciência, instabilidade hemodinâmica).

Exames

  • Gasometria arterial — principal exame para gravidade e guia terapêutico
  • Raio-X de tórax (achados podem ser tardios em relação ao quadro clínico)
  • Glicemia capilar
  • ECG e monitorização cardíaca
  • Eletrólitos e função renal
  • Temperatura central se suspeita de hipotermia

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum até avaliação de nível de consciência e risco de aspiração

Soro

  • Hidratação EV de manutenção conforme estado volêmico

Medicamentos

  • Broncodilatador inalatório se broncoespasmo associado
  • Antibiótico não é rotina profilática — reservar para sinais clínicos de infecção ou água claramente contaminada

Recomendações

  • Observação clínica e oximetria contínua por no mínimo 4-6h mesmo em assintomático
  • Reaquecimento gradual se hipotermia leve associada
  • Orientação de alta clara sobre sinais de piora respiratória tardia se liberado

Exames

  • Gasometria e Raio-X de tórax de controle se sintomas respiratórios persistirem ou surgirem

Referências

  1. [1]2024 American Heart Association and American Academy of Pediatrics Focused Update on Special Circumstances: Resuscitation Following Drowning (Circulation, CIR.0000000000001274)
  2. [2]Wilderness Medical Society — Clinical Practice Guidelines for the Treatment and Prevention of Drowning: 2024 Update
  3. [3]Szpilman D. et al. — Drowning classification and management guidelines

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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