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Dissecção aguda de aorta

Paciente com dor torácica intensa de início súbito, irradiada para dorso. Como suspeitar e conduzir dissecção aguda de aorta?

Red flags — sinais de gravidade

  • Tratar como síndrome coronariana aguda isolada e dar antiagregante/anticoagulante sem excluir dissecção — pode ser catastrófico
  • Reduzir a PA antes de controlar a FC — vasodilatador isolado pode causar taquicardia reflexa e aumentar a força de cisalhamento
  • Descartar dissecção por Rx de tórax normal — mediastino alargado está ausente em até 1/3 dos casos
  • Não repetir avaliação de pulsos/PA se quadro inicial normal e alta suspeita clínica persiste
  • Atraso para acionar cirurgia cardiovascular em dissecção tipo A — mortalidade sobe ~1-2%/hora nas primeiras horas
  • Não considerar dissecção em apresentação atípica (dor abdominal, síncope, AVC, isquemia de membro) sem dor torácica clássica
  • Trombolítico administrado por IAM presumido em paciente com dissecção não reconhecida
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Suspeitar em dor torácica/dorsal súbita, lancinante, 'em rasgo/facada', de intensidade máxima já no início
  • Medir PA em ambos os braços — assimetria (>20mmHg) é sinal de alerta
  • Palpar pulsos periféricos — assimetria ou déficit de pulso reforça suspeita
  • Não afastar o diagnóstico só porque ECG mostra alteração isquêmica (dissecção pode ocluir óstio coronariano, mimetizando IAM)
  • Classificar por Stanford (A = ascendente, envolve tratamento cirúrgico de urgência; B = descendente, tratamento clínico inicial)
  • Definir exame de imagem definitivo rápido — angioTC de aorta é o padrão na maioria dos serviços
  • Controlar FC antes da PA — reduzir dP/dt (força de cisalhamento na parede aórtica)
  • Investigar fatores de risco: HAS mal controlada, Marfan/Ehlers-Danlos, uso de cocaína, trauma torácico, gravidez

Conduta inicial

  1. 1Estabilização inicial: 2 acessos venosos calibrosos, monitorização contínua, O2 se hipoxemia, analgesia (dor intensa contribui para taquicardia/hipertensão).
  2. 2Controle de FC primeiro: betabloqueador EV (esmolol ou metoprolol) alvo FC 60-80bpm, antes de qualquer vasodilatador.
  3. 3Controle de PA em seguida: alvo PAS 100-120mmHg, com vasodilatador EV (nitroprussiato de sódio) somente após betabloqueio adequado.
  4. 4Se contraindicação a betabloqueador (ex. broncoespasmo grave): considerar bloqueador de canal de cálcio EV (diltiazem/verapamil) para controle de FC antes do vasodilatador.
  5. 5Analgesia com opioide EV — reduz descarga simpática e contribui para controle hemodinâmico.
  6. 6AngioTC de aorta (ou ETE/RM conforme disponibilidade e estabilidade) para confirmação e classificação de Stanford.
  7. 7Stanford A (ascendente): acionar cirurgia cardiovascular de urgência — tratamento é cirúrgico.
  8. 8Stanford B (descendente) não complicada: tratamento clínico com controle rigoroso de FC/PA, cirurgia/endovascular reservada para complicações (isquemia de órgão, ruptura, dor refratária).

Exames

  • AngioTC de tórax/abdome com contraste — exame de escolha na maioria dos serviços
  • Ecocardiograma transesofágico — alternativa em paciente instável para transporte
  • Raio-X de tórax — mediastino alargado é sugestivo mas ausente em parte dos casos, não exclui
  • ECG — pode mostrar isquemia se dissecção acomete óstio coronariano, ou ser normal
  • D-dímero — bom valor preditivo negativo em baixa probabilidade pré-teste, não substitui imagem em alta suspeita
  • Função renal, hemograma, tipagem sanguínea (possível necessidade cirúrgica/transfusão)

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Jejum — possível indicação cirúrgica de urgência

Soro

  • Acesso venoso calibroso com hidratação mínima conforme estabilidade

Medicamentos

  • Esmolol ou metoprolol EV para controle de FC (alvo 60-80bpm) antes de vasodilatador
  • Nitroprussiato de sódio EV para controle de PA (alvo PAS 100-120mmHg) após betabloqueio
  • Analgesia com opioide EV (morfina ou fentanil)

Recomendações

  • Monitorização invasiva de PA (linha arterial) assim que possível
  • Reavaliação seriada de pulsos periféricos e sinais neurológicos (déficit focal sugere extensão da dissecção)
  • Preparo para transferência a centro com cirurgia cardiovascular se indisponível localmente

Exames

  • AngioTC de controle conforme evolução clínica
  • Função renal seriada (contraste + possível hipoperfusão renal)

Referências

  1. [1]2022 ACC/AHA Guideline for the Diagnosis and Management of Aortic Disease (Circulation, CIR.0000000000001106)
  2. [2]ESC Guidelines for the diagnosis and treatment of aortic diseases

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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