Paciente idoso com dor abdominal/lombar súbita e hipotensão. Como não perder um aneurisma de aorta abdominal roto?
Red flags — sinais de gravidade
Diagnóstico de 'cólica renal' ou 'lombalgia' firmado sem considerar AAA em paciente idoso com fator de risco vascular — erro clássico que mata
Aguardar confirmação por TC em paciente instável — instabilidade com suspeita clínica forte é indicação de sala cirúrgica direta, não de mais imagem
Reposição volêmica agressiva visando normalizar a PA — hipotensão permissiva é a estratégia até controle cirúrgico do sangramento (ressuscitação excessiva piora o sangramento)
Demora para acionar cirurgia vascular por dúvida diagnóstica em paciente instável com alta suspeita
Não considerar AAA roto em apresentação atípica (síncope, dor torácica baixa, dor em flanco isolada)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Suspeitar na tríade clássica (presente em minoria dos casos, não excluir sem ela): dor abdominal/lombar súbita, massa pulsátil abdominal, hipotensão
Considerar em todo paciente >60 anos com dor abdominal/lombar aguda inexplicada, mesmo sem hipotensão franca (pode estar compensado inicialmente)
Fatores de risco: tabagismo, HAS, aterosclerose, sexo masculino, história familiar de aneurisma
Palpar abdome com cautela em busca de massa pulsátil expansiva — palpação vigorosa não está indicada em paciente instável (não atrasa conduta)
USG à beira-leito (FAST estendido/point-of-care) é rápido para identificar aneurisma, mas não confirma rotura de forma confiável
Não confundir com cólica renal, diverticulite ou lombalgia mecânica — dor súbita e intensa em paciente idoso com fator de risco vascular muda o diferencial
Definir estabilidade hemodinâmica precocemente — direciona para sala cirúrgica direta vs. angioTC
Conduta inicial
1Suspeita clínica forte com instabilidade hemodinâmica: acionar cirurgia vascular IMEDIATAMENTE — não atrasar para exame de imagem, considerar ir direto para sala cirúrgica.
2Estável hemodinamicamente com suspeita clínica: angioTC de abdome e pelve urgente para confirmação, extensão e planejamento (aberto vs. endovascular).
3Hipotensão permissiva: reposição volêmica cautelosa visando PAS ~80-100mmHg (ou o mínimo para perfusão de órgãos vitais), evitando normalizar a PA antes do controle cirúrgico do sangramento.
42 acessos venosos calibrosos, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes com urgência — ativar protocolo de transfusão maciça se disponível.
5Analgesia adequada, mas sem atrasar a via para sala cirúrgica.
6Notificar equipe cirúrgica/anestesia/banco de sangue em paralelo, não sequencialmente — tempo é o fator crítico.
Exames
USG point-of-care à beira-leito: rápido para identificar aneurisma, mas não confirma rotura com segurança
AngioTC de abdome e pelve: exame de escolha em paciente estável, define extensão e via de tratamento
Hemograma, coagulograma, tipagem e provas cruzadas — urgência
Função renal (planejamento de contraste e cirurgia)
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Jejum absoluto — indicação cirúrgica de urgência
Soro
Cristaloide em volume cauteloso, hipotensão permissiva até controle cirúrgico do sangramento
Medicamentos
Analgesia EV conforme necessidade, sem atrasar via para sala cirúrgica
Concentrado de hemácias precocemente se sinais de choque hemorrágico
Recomendações
Ativar protocolo de transfusão maciça se disponível e indicado
Notificar cirurgia vascular, anestesia e banco de sangue em paralelo
Exames
Hemograma e coagulograma seriados
Referências
[1]ESVS 2024 Clinical Practice Guidelines on the Management of Abdominal Aorto-Iliac Artery Aneurysms (European Journal of Vascular and Endovascular Surgery)
[2]Society for Vascular Surgery — Clinical Practice Guidelines for the care of patients with an abdominal aortic aneurysm
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.