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Síndrome da cauda equina

Paciente com lombalgia e queixas urinárias/perianais associadas. Como não perder uma síndrome da cauda equina?

Red flags — sinais de gravidade

  • Lombalgia tratada como mecânica sem perguntar ativamente sobre sintomas urinários/perianais — sintomas não são voluntariados pelo paciente
  • Retenção urinária ou incontinência associada a lombalgia não investigada com toque retal e avaliação de sensibilidade perianal
  • Atraso para RM por classificar o caso como 'lombalgia comum' sem red flags específicos rastreados
  • Demora para acionar neurocirurgia/ortopedia — descompressão tardia associa-se a sequela permanente (retenção urinária crônica, disfunção sexual, déficit motor)
  • Não repetir avaliação neurológica se sintomas iniciais leves evoluírem — quadro pode progredir rapidamente
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Perguntar ativamente sobre sintomas urinários (retenção ou incontinência), anestesia em sela (região perianal/genital) e disfunção intestinal — pacientes raramente relatam espontaneamente
  • Exame de sensibilidade perianal ('anestesia em sela') e tônus do esfíncter anal ao toque retal
  • Avaliar déficit motor bilateral em membros inferiores, mesmo que assimétrico
  • Bexigaomia pós-miccional (bladder scan) se disponível — retenção urinária com volume residual elevado é achado objetivo importante
  • Diferenciar de lombociatalgia mecânica comum — presença de qualquer sintoma de alarme (urinário, anestesia em sela, déficit motor bilateral) muda a urgência
  • RM de coluna lombossacra é o exame de escolha e deve ser solicitada em caráter de urgência, não eletivo
  • É diagnóstico clínico-radiológico tempo-dependente — a janela para cirurgia com melhor prognóstico é estreita (classicamente até 48h, quanto mais precoce melhor)

Conduta inicial

  1. 1Investigação ativa e sistemática de sintomas de alarme em toda lombalgia: retenção/incontinência urinária, anestesia em sela, disfunção intestinal, déficit motor bilateral.
  2. 2Exame físico dirigido: toque retal (tônus esfincteriano), sensibilidade perianal, força e reflexos em membros inferiores bilateralmente.
  3. 3Suspeita presente: RM de coluna lombossacra em caráter de URGÊNCIA — não aguardar fila eletiva.
  4. 4Acionar neurocirurgia/ortopedia assim que a suspeita clínica for consistente, em paralelo à solicitação da RM.
  5. 5Analgesia adequada sem mascarar a evolução do exame neurológico — reavaliação seriada da força e sensibilidade.
  6. 6Confirmada compressão significativa: descompressão cirúrgica de urgência — quanto mais precoce, melhor o prognóstico de recuperação de função esfincteriana.
  7. 7Documentar claramente o exame neurológico inicial (força, sensibilidade, tônus esfincteriano) para comparação evolutiva.

Exames

  • RM de coluna lombossacra sem contraste: exame de escolha, solicitar em caráter de urgência
  • Bladder scan (USG vesical) pós-miccional: retenção com resíduo elevado reforça suspeita
  • TC de coluna lombossacra apenas se RM indisponível/contraindicada — inferior para avaliar tecidos moles e compressão neural

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta livre conforme tolerância, jejum se cirurgia iminente

Medicamentos

  • Analgesia escalonada, evitando doses que mascarem a evolução do exame neurológico

Recomendações

  • Reavaliação neurológica seriada (força, sensibilidade, tônus esfincteriano) até definição de conduta
  • Sondagem vesical de alívio se retenção urinária significativa

Exames

  • RM de coluna lombossacra em caráter de urgência

Referências

  1. [1]British Association of Spine Surgeons / Society of British Neurological Surgeons — Standards of Care for Investigation and Management of Cauda Equina Syndrome
  2. [2]North American Spine Society — Evidence-based clinical guidelines for cauda equina syndrome

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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