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Cólica renal / nefrolitíase

Paciente com dor em flanco de início súbito, tipo cólica, irradiada para região inguinal. Como conduzo suspeita de cólica renal e quando é emergência?

Red flags — sinais de gravidade

  • Febre + cólica renal + obstrução: pielonefrite obstrutiva/urosepse — emergência urológica, indicação de drenagem (duplo J ou nefrostomia) sem atraso
  • Anúria ou rim único com obstrução completa — risco de lesão renal aguda, avaliação urológica urgente
  • Dor refratária a analgesia otimizada — reavaliar diagnóstico e considerar complicação
  • Confundir com AAA roto em paciente idoso com fator de risco vascular — não assumir cólica renal sem excluir esse diferencial quando aplicável
  • Cálculo grande (>10mm) tratado como caso ambulatorial simples sem encaminhamento urológico para intervenção
  • Função renal alterada não investigada em obstrução bilateral ou rim único
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Caracterizar dor: início súbito, tipo cólica, flanco irradiando para região inguinal/genital, paciente inquieto (diferente de peritonite, onde o paciente fica imóvel)
  • Verificar hematúria (macro ou microscópica) — reforça suspeita mas ausência não exclui
  • Sinais vitais: febre associada muda completamente a gravidade (obstrução + infecção = emergência urológica)
  • Investigar fatores de risco: cálculo prévio, história familiar, desidratação, doenças metabólicas
  • Diferencial obrigatório em paciente idoso ou com fator de risco vascular: aneurisma de aorta abdominal roto pode mimetizar cólica renal
  • TC de abdome sem contraste é o exame de escolha para confirmar e localizar o cálculo
  • Avaliar tamanho do cálculo e localização — define probabilidade de eliminação espontânea
  • Rastrear sinais de obstrução com repercussão (hidronefrose importante, função renal alterada, rim único)

Conduta inicial

  1. 1Analgesia potente precoce: AINE EV/IM como primeira linha (eficaz por reduzir a pressão intraluminal do ureter), associar opioide se dor refratária.
  2. 2Antiemético se náusea/vômito associados.
  3. 3Hidratação venosa conforme estado volêmico — hidratação agressiva não acelera eliminação do cálculo e não deve substituir analgesia.
  4. 4TC de abdome sem contraste para confirmar diagnóstico, localizar e dimensionar o cálculo, e excluir diferenciais (incluindo AAA em paciente de risco).
  5. 5Febre associada a obstrução: iniciar antibiótico empírico e acionar urologia para drenagem de urgência (cateter duplo J ou nefrostomia percutânea) — não aguardar melhora clínica com antibiótico isolado.
  6. 6Cálculo <5-6mm sem sinais de obstrução grave/infecção: manejo expectante ambulatorial com analgesia, hidratação oral e terapia expulsiva medicamentosa (alfabloqueador) conforme protocolo.
  7. 7Cálculo maior, obstrução significativa, dor refratária ou rim único: encaminhamento urológico para intervenção (litotripsia, ureteroscopia, ou drenagem conforme o caso).

Exames

  • TC de abdome e pelve sem contraste: exame de escolha, alta sensibilidade e especificidade
  • USG de rins e vias urinárias: alternativa em gestante ou para evitar radiação, menor sensibilidade para cálculos ureterais
  • Urina tipo I: hematúria, sinais de infecção
  • Função renal e eletrólitos: avalia repercussão, especialmente se obstrução bilateral ou rim único
  • Hemograma e PCR se suspeita de infecção associada

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta livre conforme tolerância, boa ingesta hídrica se sem obstrução significativa

Soro

  • Hidratação venosa de manutenção conforme estado volêmico

Medicamentos

  • AINE EV/IM como analgesia de primeira linha (ex. cetorolaco ou diclofenaco), salvo contraindicação
  • Opioide se dor refratária ao AINE
  • Antiemético (ondansetrona ou metoclopramida) se náusea/vômito
  • Alfabloqueador (tansulosina) como terapia expulsiva medicamentosa para cálculo ureteral distal pequeno, conforme protocolo
  • Antibiótico empírico se febre/sinais de infecção associada à obstrução

Recomendações

  • Filtrar a urina para tentar recuperar o cálculo eliminado, se possível
  • Orientar sinais de alarme para retorno (febre, dor refratária, redução do débito urinário)

Exames

  • Função renal de controle se obstrução significativa
  • Urina tipo I e urocultura se suspeita de infecção

Referências

  1. [1]American Urological Association — Surgical Management of Kidney and Ureteral Stones Guideline (2025)
  2. [2]European Association of Urology — Guidelines on Urolithiasis, 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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