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Taqui e bradiarritmias instáveis — cardioversão e marca-passo transcutâneo

Paciente com arritmia e sinais de instabilidade (hipotensão, dor torácica, dispneia, rebaixamento). Cardioverto, marco-passo ou medico?

Red flags — sinais de gravidade

  • Hipotensão, choque, dor torácica isquêmica, IC aguda ou rebaixamento causados pela arritmia — indicam intervenção elétrica imediata
  • Bradicardia com bloqueio AV de alto grau (2º grau Mobitz II ou 3º grau) — não confiar só em atropina, preparar marca-passo
  • Taquicardia de complexo largo instável — tratar como cardioversão sincronizada; se sem pulso, é PCR (ver ACLS)
  • Atropina em bloqueio de alto grau ou pós-transplante pode ser ineficaz — não atrasar o marca-passo
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Definir instabilidade: hipotensão, sinais de choque, dor torácica isquêmica, insuficiência cardíaca aguda ou alteração do nível de consciência atribuíveis à arritmia
  • Monitor, oxigênio se hipoxêmico, acesso venoso e ECG de 12 derivações se o tempo permitir
  • Taquiarritmia instável → cardioversão sincronizada imediata
  • Bradiarritmia instável → atropina; se refratária, marca-passo transcutâneo e/ou drogas cronotrópicas
  • Analgesia/sedação antes da cardioversão sincronizada no paciente consciente, se não atrasar em quadro crítico
  • Buscar e tratar causa reversível (isquemia, distúrbio eletrolítico, hipóxia, intoxicação, hipotermia)

Conduta inicial

  1. 1Confirmar que os sinais/sintomas são causados pela arritmia (frequência geralmente muito alta ou muito baixa) e não uma resposta a outra causa (ex.: taquicardia sinusal por sepse não se cardioverte — trata-se a causa).
  2. 2Taquiarritmia instável: cardioversão sincronizada. Energias iniciais orientadas pelo ACLS — QRS estreito regular (ex.: TSV, flutter) ~50–100 J; fibrilação atrial ~120–200 J bifásico; QRS largo regular (TV com pulso) ~100 J; escalonar se necessário. Sedar/analgesiar o paciente consciente antes do choque quando possível.
  3. 3Se taquicardia de complexo largo regular e paciente ainda estável, considerar antiarrítmico (ex.: amiodarona) sob monitorização — mas instabilidade indica choque, não droga.
  4. 4Bradiarritmia instável: atropina 1 mg EV, repetir a cada 3–5 min até máximo de 3 mg.
  5. 5Se atropina ineficaz ou bloqueio de alto grau: marca-passo transcutâneo (ajustar frequência ~60–80/min e corrente 2 mA acima do limiar de captura; confirmar captura elétrica E mecânica/pulso) e/ou infusão de dopamina ou adrenalina como ponte.
  6. 6Sedar/analgesiar durante o marca-passo transcutâneo — a captura é dolorosa.
  7. 7Acionar cardiologia/UTI para marca-passo transvenoso definitivo ou provisório e investigação da causa.

Exames

  • ECG de 12 derivações (antes e depois da intervenção, se o tempo permitir)
  • Eletrólitos (potássio, magnésio, cálcio), função renal
  • Troponina se suspeita isquêmica; gasometria
  • Rever medicações (betabloqueador, bloqueador de canal de cálcio, digoxina) e níveis quando aplicável

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever. Energias e doses seguem o algoritmo ACLS vigente e o protocolo do serviço.

Medicamentos

  • Bradicardia: atropina 1 mg EV, repetir a cada 3–5 min (máx. 3 mg)
  • Bradicardia refratária: dopamina 5–20 mcg/kg/min OU adrenalina 2–10 mcg/min em BIC, como ponte para marca-passo
  • Cardioversão sincronizada no paciente consciente: sedação/analgesia (ex.: etomidato/midazolam + fentanil) conforme protocolo
  • Taquicardia largo-regular estável: amiodarona conforme protocolo (não substitui choque se instável)

Recomendações

  • Cardioversão SINCRONIZADA (não desfibrilação) para taquiarritmia com pulso
  • Marca-passo transcutâneo se bradicardia refratária/bloqueio de alto grau — confirmar captura mecânica
  • Acionar cardiologia/UTI para marca-passo transvenoso e causa de base

Referências

  1. [1]2020 American Heart Association Guidelines for CPR and ECC — Adult Advanced Cardiovascular Life Support (ACLS): algoritmos de taquicardia e bradicardia, Circulation, 2020
  2. [2]Panchal AR et al. Part 3: Adult Basic and Advanced Life Support (AHA), Circulation, 2020

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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