Buscar e tratar causas obstrutivas imediatamente (pneumotórax hipertensivo, tamponamento, TEP maciço)
Iniciar reposição volêmica quando responsivo a fluido; não insistir em volume se sinais de congestão/cardiogênico
Meta inicial de PAM ≥ 65 mmHg; reavaliar perfusão (lactato seriado, diurese) e não só o número da pressão
Conduta inicial
1ABC, monitor, oxigênio, dois acessos calibrosos; coletar lactato e gasometria; identificar rapidamente o tipo de choque com exame + POCUS.
2Descartar/tratar causa obstrutiva de imediato: descompressão de pneumotórax hipertensivo, pericardiocentese no tamponamento, terapia dirigida no TEP maciço.
3Choque com resposta a fluido (hipovolêmico/distributivo): cristaloide em bólus guiado por reavaliação (não dose fixa obrigatória — checar resposta e sinais de congestão).
4Iniciar noradrenalina como vasopressor de primeira linha quando há hipotensão com hipoperfusão apesar de (ou durante) a reposição volêmica — não postergar até 'terminar' o volume no paciente muito hipotenso.
5Titular noradrenalina para PAM ≥ 65 mmHg (faixa em torno de 65, ~±5), reavaliando perfusão. Pode iniciar em acesso periférico calibroso para não atrasar, garantindo acesso venoso central em seguida.
6Se PAM inadequada apesar de noradrenalina em dose crescente, associar vasopressina (em vez de escalar indefinidamente a noradrenalina); considerar adrenalina como terceira droga. No choque com disfunção cardíaca, considerar inotrópico (dobutamina/adrenalina).
7Reavaliar lactato e diurese como marcadores de resposta; buscar e tratar a causa de base em paralelo.
Exames
Lactato sérico seriado, gasometria arterial
Hemograma, função renal e hepática, eletrólitos, coagulograma
ECG e troponina (choque cardiogênico), POCUS cardíaco/pulmonar/cava
Culturas se suspeita séptica; imagem dirigida à causa suspeita
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever. Vasopressor exige monitorização contínua e, idealmente, acesso venoso central para uso prolongado.
Soro
Cristaloide em bólus guiado por resposta clínica (se choque responsivo a volume)
Medicamentos
Noradrenalina em BIC, primeira linha — titular por PAM ≥ 65 mmHg
Vasopressina como segunda droga se PAM inadequada apesar de noradrenalina
Adrenalina como terceira droga; dobutamina/adrenalina se disfunção cardíaca (inotrópico)
Recomendações
Meta PAM ≥ 65 mmHg, reavaliar perfusão (lactato, diurese)
Garantir acesso venoso central para vasopressor prolongado
Tratar a causa do choque em paralelo
Referências
[1]Surviving Sepsis Campaign: International Guidelines for Management of Sepsis and Septic Shock 2021 (Critical Care Medicine / Intensive Care Medicine, 2021)
[2]Cecconi M et al. Consensus on circulatory shock and hemodynamic monitoring (ESICM), Intensive Care Medicine, 2014
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.