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Síndrome compartimental aguda de membro

Paciente com fratura/trauma de membro e dor desproporcional que não melhora com analgesia — como o Akut me ajuda a conferir se é síndrome compartimental e organizar a urgência da fasciotomia?

Red flags — sinais de gravidade

  • Dor desproporcional que não melhora (ou piora) com analgesia adequada, incluindo opioide em dose apropriada
  • Dor à extensão passiva do compartimento
  • Delta-P (PA diastólica − pressão do compartimento) <30 mmHg — critério com respaldo moderado (AAOS); as diretrizes internacionais citadas não convergem num único corte de pressão absoluta (BOAST usa >40 mmHg, não 30; AAOS não endossa corte absoluto) — >30 mmHg absoluto tem respaldo nacional na SBACV/SBAIT 2023 (grau 1C)
  • Compartimento tenso/endurecido com parestesia progressiva
  • Fratura de tíbia ou antebraço de alta energia com dor crescente apesar de imobilização adequada
  • Sinais tardios (palidez, ausência de pulso, paralisia) — já indicam isquemia avançada, acionar fasciotomia de urgência sem demora
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Mecanismo: fratura de tíbia/antebraço de alta energia, crush injury, gesso/curativo circunferencial recente, isquemia-reperfusão, picada de serpente
  • Dor desproporcional à lesão, tipo queimação, que piora com extensão passiva do compartimento — sinal mais precoce e sensível
  • Parestesia e tensão/edema firme do compartimento à palpação
  • Checar pulso periférico e enchimento capilar, mas lembrar: ausência de pulso, palidez e paralisia são sinais TARDIOS — não esperar por eles para agir
  • Se paciente sedado, inconsciente, com bloqueio regional/peridural ou criança pequena: exame clínico não é confiável — considerar medida de pressão intracompartimental
  • Remover imediatamente qualquer curativo, gesso ou bandagem circunferencial e reavaliar
  • Manter o membro no nível do coração (nunca elevado acima)
  • Se rabdomiólise associada: CPK, função renal, potássio, débito urinário

Conduta inicial

  1. 1Suspeita clínica levanta prioridade: remover todo curativo, gesso ou bandagem circunferencial e reavaliar a dor em seguida (bivalvar reduz a pressão em ~35%, retirada completa soma mais ~15%).
  2. 2Manter o membro ao nível do coração — elevação está contraindicada, reduz o gradiente arteriovenoso.
  3. 3Corrigir hipoperfusão sistêmica com cristaloide (ou hemoderivados se indicado); se picada de serpente, considerar antiveneno.
  4. 4Se achados clínicos sustentam a suspeita e/ou não há como confiar no exame (paciente sedado/inconsciente/bloqueio regional): confere pressão intracompartimental — direta por cateter/transdutor ou dispositivo tipo seringa 20 mL + torneira 4 vias + Angiocath 18G + soro fisiológico.
  5. 5Delta-P <30 mmHg (entre PA diastólica e pressão do compartimento) é o critério com respaldo moderado (AAOS); pressão absoluta >30 mmHg tem respaldo nacional (SBACV/SBAIT 2023, grau 1C), mas as diretrizes internacionais citadas divergem entre si nesse corte (BOAST usa >40 mmHg) — decisão final é clínica, do cirurgião responsável.
  6. 6Aciona ortopedia/cirurgia para fasciotomia de urgência assim que a suspeita é consistente — meta é descompressão o quanto antes (BOAST 2025: em até 1h do diagnóstico); atraso significativo no reconhecimento piora o desfecho e aumenta o risco de infecção, sem cutoff padronizado em dias na literatura (janelas de horas associadas a pior desfecho: Finkelstein et al. 1996).
  7. 7Analgesia adequada deve ser oferecida, mas dor refratária a opioide em dose apropriada é sinal de alarme, não motivo para escalar a dose sem investigar — Akut não encontrou dose específica validada para esta indicação nas fontes consultadas.
  8. 8Se suspeita de rabdomiólise: hidratação IV, monitorar débito urinário-alvo, potássio e função renal.

Exames

  • CPK (mioglobinúria/rabdomiólise associada)
  • Função renal e potássio se suspeita de rabdomiólise
  • Medida de pressão intracompartimental (direta, se disponível) quando exame clínico é duvidoso ou não confiável
  • Radiografia do membro conforme mecanismo de trauma
  • Gasometria/lactato se sinais de isquemia sistêmica associada

Prescrição-modelo

Ajustar toda dose por peso, função renal, alergias e protocolo local antes de prescrever — este modelo não substitui checagem individual do paciente. Doses de analgesia/antibiótico não confirmadas em fonte primária (ver observações abaixo).

Dieta

  • Jejum — provável indicação cirúrgica de urgência (fasciotomia)

Soro

  • Cristaloide IV conforme hemodinâmica e necessidade de hidratação (ex.: proteção renal se rabdomiólise) — sem esquema de infusão validado nas fontes consultadas; ajustar por débito urinário-alvo e função renal

Medicamentos

  • Antibioticoprofilaxia antiestafilocócica pré-fasciotomia (ex.: cefazolina) — Akut não encontrou dose exata confirmada nas fontes consultadas para esta indicação; confirmar com protocolo local antes de prescrever
  • Analgesia: sem dose numérica de opioide ou analgésico específica para síndrome compartimental confirmada nas pesquisas — evitar mascarar a dor, que é o sinal clínico mais sensível; seguir protocolo local de analgesia e reavaliar a dor com frequência

Recomendações

  • Remover todo curativo/gesso circunferencial imediatamente
  • Manter o membro ao nível do coração — não elevar
  • Reavaliação clínica seriada de hora em hora se paciente em risco
  • Acionar ortopedia/cirurgia para fasciotomia de urgência assim que a suspeita for consistente

Exames

  • Pressão intracompartimental (se disponível e exame clínico não confiável)
  • CPK, função renal, potássio
  • Radiografia do membro

Referências

  1. [1]Acute Compartment Syndrome Treatment & Management, Medscape, atualizado ago 2024
  2. [2]Acute Compartment Syndrome Workup, Medscape, atualizado ago 2024
  3. [3]Fasciotomy for Acute Compartment Syndrome, Medscape
  4. [4]von Keudell AG et al., Diagnosis and treatment of acute extremity compartment syndrome, Lancet, 2015
  5. [5]Al-habsi R, Acute Compartment Syndrome: A Short Narrative Review, Cureus, 2025
  6. [6]Management of Acute Compartment Syndrome: Evidence-Based Clinical Practice Guideline, American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS), 2019 (atualização parcial 2025)
  7. [7]BOAST 10 — Diagnosis and Management of Compartment Syndrome of the Extremities/Limbs, British Orthopaedic Association (BOA), 2014 (atualizado 2025)
  8. [8]Diretrizes brasileiras de diagnóstico e tratamento de lesões vasculares traumáticas, SBACV/SBAIT, Jornal Vascular Brasileiro, 2023
  9. [9]Ozkayin N, Aktuglu K, Absolute compartment pressure versus differential pressure for the diagnosis of compartment syndrome in tibial fractures, International Orthopaedics, 2005 (delta-P mais validado que pressão absoluta isolada)
  10. [10]Finkelstein JA, Hunter GA, Hu RW, Lower limb compartment syndrome: course after delayed fasciotomy, J Trauma, 1996 (PMID 8601846 — janela de atraso associada a pior desfecho medida em horas, não dias)
  11. [11]Hines EM et al., Bacterial infection of fasciotomy wounds following decompression for acute compartment syndrome, Injury, 2021 (PMID 34233855)
  12. [12]Sonawane K et al., Coping With the Fear of Compartment Syndrome Without Compromising Analgesia: A Narrative Review, Cureus, 2022

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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