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Epistaxe grave/refratária no PS — tamponamento, cauterização, TXA e indicação de ORL/embolização

Paciente chega com epistaxe que não cede à compressão nasal — quais os próximos passos (vasoconstritor, cauterização, tamponamento anterior/posterior, ácido tranexâmico) e em que ponto o caso pede ORL ou radiologia intervencionista?

Red flags — sinais de gravidade

  • Instabilidade hemodinâmica (hipotensão, taquicardia, sinais de choque)
  • Sangramento posterior ou bilateral não controlado por compressão manual
  • Via aérea ameaçada por sangue deglutido/aspirado
  • Sangramento maciço em paciente anticoagulado ou com coagulopatia conhecida
  • Epistaxe pós-trauma facial ou pós-cirúrgico (suspeita de lesão vascular maior)
  • Recorrência após tamponamento anterior bilateral
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • ABCDE primeiro se sangramento profuso — via aérea e estado hemodinâmico antes de qualquer manobra local
  • Remover coágulos e localizar o sítio por rinoscopia anterior (anterior x posterior muda toda a conduta)
  • Checar uso de anticoagulante/antiplaquetário, coagulopatia conhecida, HAS não controlada
  • Estimar volume/tempo de sangramento e sinais de hipovolemia
  • Perguntar sobre trauma facial recente, cirurgia nasal prévia, telangiectasia hereditária (Rendu-Osler)

Conduta inicial

  1. 11. ABCDE. Cabeça inclinada para frente (nunca hiperextendida, risco de aspiração de sangue). Compressão bidigital contínua do terço inferior do nariz por 10-15 min sem interromper para checar, + bolsa de gelo/bebida gelada.
  2. 22. Se não cede: gaze embebida em vasoconstritor tópico no óstio nasal — oximetazolina 0,05% intranasal — ou epinefrina 1:10.000 em gaze (volume não especificado na fonte).
  3. 33. Ácido tranexâmico tópico como adjuvante em gaze/pledget/rolete de algodão no ponto de sangramento por ~10 min. Evidência conflitante: o maior RCT (NoPAC 2021, n=496) não mostrou benefício sobre placebo; Cochrane 2018 e Zahed et al. 2013 (estudos menores) foram favoráveis. Não substitui tamponamento se sangramento persistir.
  4. 44. Ponto de sangramento identificado (rinoscopia anterior, spray vasoconstritor+anestésico antes do exame): cauterização química com nitrato de prata a 75% (preferível a 95% — menos dor e maior taxa de resolução em RCT pediátrico, extrapolado à prática em adultos por falta de RCT equivalente) ou elétrica sob anestesia local, só no ponto visualizado — evitar cauterizar os dois lados do septo no mesmo nível (risco de perfuração).
  5. 55. Falha da cauterização ou ponto não identificado: tamponamento nasal anterior (gaze com pomada antibiótica ou esponja expansível tipo Merocel/Rapid Rhino). Preferir material reabsorvível (Gelfoam/Surgicel) se coagulopatia ou anticoagulado. Reavaliar remoção conforme protocolo local (fontes variam entre 24h e 3-4 dias, ou 48h se alto risco). Antibiótico profilático NÃO é rotina recomendada pela evidência atual (NNT ~571 para prevenir 1 infecção) — considerar só se imunossupressão, valvulopatia/prótese valvar ou tamponamento prolongado/bilateral (AAO-HNSF 2020; Lange et al. 2017).
  6. 66. Sangramento persiste apesar do tampão anterior bilateral: tamponamento posterior — cateter balão (ex.: sonda de Foley 12 ou 14 French) ou cateter específico, sempre associado a tampão anterior concomitante. Todo paciente com tampão posterior é candidato a internação em UTI para monitorização de via aérea, oxigenação e dor.
  7. 77. Falha de tamponamento + cauterização: aciona ORL para exploração endoscópica sob anestesia geral e/ou ligadura arterial (esfenopalatina ± etmoidal), ou aciona radiologia intervencionista para embolização seletiva (artéria maxilar interna) — taxa de sucesso combinada de embolização citada em ~87% na literatura revisada; ligadura endoscópica da esfenopalatina tem eficácia superior (>90% em séries recentes) com menos complicações.
  8. 88. Anticoagulante/antiplaquetário: não suspender nem reverter rotineiramente antes de tentar as medidas locais — só considerar reversão/suspensão se sangramento com risco de vida e falha do tratamento local (AAO-HNSF 2020).

Exames

  • Hemograma completo (Hb/Ht, plaquetas)
  • Coagulograma — só se anticoagulado ou diátese hemorrágica conhecida, não é exame de rotina
  • Tipagem sanguínea e reserva de hemoderivados se sangramento volumoso ou instabilidade
  • Função renal/eletrólitos se sinais de hipovolemia
  • TC de face se suspeita de trauma ou lesão estrutural/tumor

Prescrição-modelo

Ajuste doses por peso, função renal, alergias e protocolo local antes de prescrever — este modelo é ponto de partida, não substitui julgamento clínico.

Dieta

  • Jejum se risco de intervenção/tamponamento posterior sob sedação
  • Dieta leve/branda se paciente estável e sem previsão de procedimento

Soro

  • Cristaloide se sinais de hipovolemia (volume/velocidade não especificados nas fontes pesquisadas — ajustar por avaliação hemodinâmica)

Medicamentos

  • Oximetazolina 0,05% intranasal — 2-3 jatos por narina a cada 12h, por até 3-5 dias
  • Ácido tranexâmico tópico — 500 mg (ampola 100 mg/mL, 5 mL) em gaze/pledget no ponto de sangramento, ~10 min
  • Ácido tranexâmico oral — 1 g citado nas diretrizes internacionais (ENT UK/Royal London); intervalo e dose máxima não confirmados nas fontes pesquisadas
  • Antibiótico profilático durante tamponamento nasal — NÃO é rotina; considerar só se imunossupressão, valvulopatia/prótese valvar ou tamponamento prolongado/bilateral (AAO-HNSF 2020); classe e dose não especificadas nas fontes, checar protocolo local

Recomendações

  • Gelo local/bebida gelada como coadjuvante à compressão
  • Cabeça inclinada para frente, nunca hiperextendida
  • Evitar assoar o nariz, manipulação digital, esforço físico e AINEs por 7-10 dias pós-cauterização (1 semana pós-tampão)
  • Reavaliar remoção do tampão conforme risco (protocolo local)

Exames

  • Hemograma completo
  • Coagulograma se anticoagulado/coagulopatia
  • Tipagem sanguínea e reserva se sangramento volumoso

Referências

  1. [1]Nguyen QA, Epistaxis Treatment & Management e Epistaxis Medication, Medscape/eMedicine, atualizado ago/2024
  2. [2]Tunkel DE et al., Clinical Practice Guideline: Nosebleed (Epistaxis), American Academy of Otolaryngology–Head and Neck Surgery Foundation (AAO-HNSF), Otolaryngol Head Neck Surg, 2020
  3. [3]National ENT Trainee Research Network / British Rhinological Society, Multidisciplinary consensus recommendations on the hospital management of epistaxis, J Laryngol Otol, 2017
  4. [4]Reuben A et al., RCT NoPAC — ácido tranexâmico tópico vs placebo em epistaxe, Ann Emerg Med, 2021
  5. [5]Joseph J et al., Tranexamic acid for patients with nasal haemorrhage (epistaxis), Cochrane Database Syst Rev, 2018
  6. [6]Zahed R et al., TXA tópico vs tamponamento anterior, Am J Emerg Med, 2013
  7. [7]ENT UK Global ENT Guidelines — Nosebleeds (Royal London Hospital Protocol for Management of Epistaxis in Adults)
  8. [8]Glynn F, Amin M, Sheahan P, McShane D, Prospective double blind randomized clinical trial comparing 75% versus 95% silver nitrate cauterization in idiopathic childhood epistaxis, Int J Pediatr Otorhinolaryngol, 2011 (PMID 21093066)
  9. [9]Lange JL, Peeden EH, Stringer SP, Are Prophylactic Systemic Antibiotics Necessary with Nasal Packing? A Systematic Review, Am J Rhinol Allergy, 2017 (PMID 28716175)
  10. [10]Antibiotic prophylaxis for anterior nasal packing: meta-analysis, 2020 (PMID 31839514)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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