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Malária grave
Paciente com febre e histórico de viagem ou moradia na Amazônia Legal, com algum sinal de gravidade (confusão, icterícia, oligúria, sangramento) — é malária grave e qual o tratamento parenteral?
Red flags — sinais de gravidade
Erro que mata: tratar malária grave com esquema oral (ex. arteméter-lumefantrina VO) em paciente vomitando ou com rebaixamento de consciência — precisa de via parenteral.
Erro que mata: atribuir febre + confusão em paciente vindo da Amazônia a outra causa e atrasar artesunato IV.
Hipoglicemia pode estar mascarada ou ser agravada pelo tratamento (mais descrita com quinina) — monitorar glicemia horária.
Hiperparasitemia isolada já basta para classificar como grave, mesmo sem outro sinal clínico.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Epidemiologia: área endêmica (Amazônia Legal) ou viagem recente para área de transmissão.
Confirmar espécie e parasitemia (gota espessa ou teste rápido) antes de definir esquema — não atrasa tratamento inicial se alta suspeita.
Critérios de gravidade (OMS): coma/rebaixamento de consciência, convulsões repetidas, prostração extrema, dificuldade respiratória/edema pulmonar, choque, sangramento anormal, icterícia, hemoglobinúria, anemia grave (Hb < 7 g/dL em ≥12 anos/adultos ou Hb < 5 g/dL em <12 anos, associada a parasitemia > 10.000/µL), hipoglicemia, acidose metabólica/lactato elevado, insuficiência renal aguda, hiperparasitemia.
Qualquer um desses critérios já classifica como malária grave, independente da espécie.
Notificação compulsória imediata.
Conduta inicial
1ABCDE, glicemia capilar imediata e a cada 4-6h.
2Iniciar artesunato IV assim que houver suspeita/confirmação, sem atraso à espera de leito de UTI.
3Hidratação cautelosa — risco de edema pulmonar, guiar por diurese e ausculta.
4Tratar convulsões se ocorrerem.
5Considerar transfusão se anemia grave sintomática.
6Internar em UTI ou unidade com monitorização contínua.
Exames
Gota espessa ou teste rápido com parasitemia quantificada
Glicemia
Função renal
Bilirrubinas
Hemograma (plaquetopenia é comum)
Gasometria arterial e lactato
EAS (hemoglobinúria)
Rx de tórax se dispneia
Prescrição-modelo
Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.
Dieta
Dieta zero se vômitos ou rebaixamento de consciência
Reavaliar dieta oral conforme evolução
Soro
Hidratação venosa cautelosa guiada por PA e diurese
Evitar sobrecarga volêmica — risco de edema pulmonar
Medicamentos
Artesunato IV 2,4 mg/kg em adultos e crianças ≥ 20 kg (3,0 mg/kg se < 20 kg) nas horas 0, 12 e 24, depois 1x/dia até paciente tolerar via oral
Completar com ACT oral (ex. arteméter-lumefantrina) após no mínimo 24h de artesunato parenteral e tolerância oral
Alternativa se artesunato indisponível: quinina IV + clindamicina (ou doxiciclina fora da gestação)
Corrigir hipoglicemia se detectada
Recomendações
Notificação compulsória imediata
Monitorar glicemia e função renal seriadas
Primaquina (cura radical de P. vivax) reservada para após estabilização clínica — não usar na fase aguda grave; contraindicada na gestação e em lactantes de bebês < 6 meses
Avaliar UTI/nefrologia se critério dialítico ou choque refratário
Exames
Gota espessa seriada (parasitemia)
Glicemia seriada
Função renal seriada
Gasometria/lactato
Referências
[1]Guia de tratamento da malária no Brasil, 3ª edição, Ministério da Saúde, 2026
[2]WHO Guidelines for Malaria, World Health Organization, 14 março 2023 (atualizado outubro 2023)
Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.
No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.