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Crise vaso-oclusiva na anemia falciforme — analgesia e síndrome torácica aguda

Adulto com anemia falciforme em crise de dor no PS. Como fazer analgesia rápida e quando suspeitar de síndrome torácica aguda?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que mata: esperar resultado de exame para iniciar opioide — analgesia deve começar em até 30–60 min da chegada/triagem, com reavaliação e retitulação a cada 30–60 min.
  • Erro que mata: não pensar em síndrome torácica aguda diante de crise álgica com qualquer sintoma respiratório — é a principal causa de morte na doença falciforme e pode evoluir em poucas horas.
  • Queda de hemoglobina abaixo do basal do paciente (sequestro esplênico, hemólise aguda).
  • Sinais neurológicos focais (AVC é complicação reconhecida da doença falciforme também no adulto).
  • Priapismo prolongado (> 4h) — emergência urológica associada.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Confirmar diagnóstico prévio de doença falciforme (HbSS, HbSC etc.) e comparar a dor atual com a dor basal habitual do paciente.
  • Classificar como prioridade alta na triagem (dor falciforme não é 'dor comum' — risco documentado de subtratamento).
  • Perguntar sobre protocolo individual de analgesia do paciente (dose e via que funcionaram em crises anteriores).
  • Rastrear ativamente sintomas respiratórios concomitantes: febre, tosse, dor torácica, taquipneia, dessaturação — pensar em síndrome torácica aguda (STA) em toda crise.
  • Hemograma completo e reticulócitos comparados ao basal do paciente (detectar sequestro esplênico/hemólise aguda).
  • Investigar gatilhos concomitantes: infecção, desidratação, exposição ao frio, hipóxia.

Conduta inicial

  1. 1Analgesia opioide precoce e agressiva: primeira dose em até 30–60 min da chegada; reavaliar dor a cada 30–60 min e retitular sem demora.
  2. 2Priorizar protocolo individualizado do paciente quando disponível; na ausência dele, iniciar opioide (via IV, SC ou intranasal — usar via não-IV se acesso venoso for demorar, não atrasar a analgesia por isso).
  3. 3Hidratação IV de manutenção — evitar hiper-hidratação, que pode piorar síndrome torácica/edema pulmonar.
  4. 4Reavaliar sinais de síndrome torácica aguda a cada reavaliação de dor: oximetria contínua, RX de tórax se sintoma respiratório novo.
  5. 5Analgesia adequada + espirometria incentivada para permitir respiração profunda (reduz risco de atelectasia e progressão para síndrome torácica).
  6. 6Se síndrome torácica aguda confirmada ou hipoxemia, considerar transfusão simples ou exchange transfusion e acionar hematologia.
  7. 7AINE é adjuvante, não substitui opioide em dor moderada/grave.

Exames

  • Hemograma completo + reticulócitos, comparados ao basal do paciente
  • RX de tórax se qualquer sintoma respiratório
  • Oximetria contínua / gasometria se dessaturação
  • Função renal e eletrólitos
  • LDH e bilirrubina se suspeita de hemólise aguda

Prescrição-modelo

Ajustar sempre por peso, função renal, alergia e protocolo local antes de prescrever.

Dieta

  • Dieta livre conforme tolerância; líquidos VO se sem contraindicação

Soro

  • Hidratação venosa de manutenção (evitar hiper-hidratação)

Medicamentos

  • Opioide IV/SC/intranasal (protocolo individual do paciente, se houver) — dose inicial em até 30–60 min, reavaliação a cada 30–60 min
  • Analgésico adjuvante (dipirona/paracetamol) associado ao opioide, não substituindo
  • Oxigenoterapia se SpO2 baixa (não usar rotineiramente se saturação normal)

Recomendações

  • Reavaliação de dor a cada 30–60 min com retitulação
  • Monitorar ativamente sinais de síndrome torácica aguda
  • Espirometria incentivada

Exames

  • RX de tórax se sintoma respiratório
  • Hemograma e reticulócitos

Referências

  1. [1]American Society of Hematology 2020 guidelines for sickle cell disease: management of acute and chronic pain (Blood Advances, 2020)
  2. [2]Evidence-Based Management of Sickle Cell Disease: Expert Panel Report, 2014 (National Heart, Lung, and Blood Institute — NHLBI/NIH)

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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