Hemoptise maciça — avaliação e conduta inicial no PS
Paciente com hemoptise volumosa ou persistente — qual a sequência de proteção de via aérea, posicionamento e quando acionar broncoscopia, radiologia intervencionista ou cirurgia torácica?
Red flags — sinais de gravidade
Hipóxia progressiva ou incapacidade de proteger via aérea — indicação de intubação imediata com tubo calibroso
Sangramento maciço contínuo sem resposta às medidas iniciais — mortalidade descrita de 50-100% sem tratamento definitivo
Falha de embolização ou recidiva de sangramento apesar dela — acionar cirurgia torácica
Fístula aortobrônquica, malformação arteriovenosa ou trauma penetrante — indicação cirúrgica direta, não depende de falha de embolização prévia
Erro que mata: posicionar ou intubar sem identificar o lado sangrante, deixando o sangue inundar o pulmão contralateral são
Erro que mata: escolher tubo de duplo lúmen como primeira opção na emergência — mau posicionamento e obstrução por coágulo atrasam a via aérea
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.
Conteúdo destinado a profissionais de saúde.
Checklist rápido
Não há corte de volume único e consensual — didaticamente >100 mL/hora ou >200-600 mL/24h, mas qualquer volume com repercussão respiratória/hemodinâmica já é hemoptise maciça/grave (definição funcional pesa mais que o número)
Identificar o lado sangrante o quanto antes — história, exame e imagem prévia
Posicionar o paciente em decúbito lateral com o lado sangrante PARA BAIXO assim que identificado — protege o pulmão são de inundação/aspiração
Avaliar necessidade de via aérea definitiva: hipóxia progressiva, incapacidade de proteger via aérea, sangramento maciço contínuo
Se intubar, usar tubo orotraqueal calibroso (≥8,0-8,5 mm) para permitir broncoscopia terapêutica depois — evitar tubo de duplo lúmen na emergência (mau posicionamento, luz estreita, obstrui com coágulo)
Se precisar isolar o pulmão, preferir bloqueador brônquico por tubo único a duplo-lúmen na fase aguda
Acionar broncoscopia para localizar o sítio de sangramento e medidas adjuntas (lavado gelado, adrenalina tópica, tamponamento com balão)
TC de tórax com angiografia ajuda a mapear a origem vascular antes da embolização, quando a estabilidade permitir
Embolização de artéria brônquica é a intervenção definitiva de primeira linha (~90% da origem do sangramento é da circulação sistêmica brônquica, não da pulmonar)
Causas mais comuns: bronquiectasia, tuberculose/sequela, câncer de pulmão, aspergiloma, vasculite
Conduta inicial
11. Posicionar em decúbito lateral com o lado sangrante para baixo assim que identificado.
22. Oxigênio suplementar, monitorização contínua, dois acessos venosos calibrosos, tipagem sanguínea e reserva de hemocomponentes.
33. Avaliar via aérea: hipóxia progressiva, incapacidade de proteger via aérea ou sangramento maciço contínuo indicam intubação com tubo orotraqueal calibroso (≥8,0-8,5 mm), para permitir broncoscopia terapêutica depois.
44. Evitar tubo de duplo lúmen na emergência; se isolamento pulmonar for necessário, preferir bloqueador brônquico por tubo único.
55. Acionar broncoscopia diagnóstica/terapêutica para localizar o sítio e tentar hemostasia local (lavado gelado, adrenalina tópica, tamponamento com balão).
66. Solicitar TC de tórax com angiografia se a estabilidade permitir, para mapear a origem vascular antes da embolização.
77. Acionar radiologia intervencionista para embolização de artéria brônquica — intervenção definitiva de primeira linha na maioria dos casos.
88. Acionar cirurgia torácica se: falha/recidiva após embolização, sangramento refratário, ou etiologia com indicação cirúrgica direta (malformação AV, trauma penetrante, fístula aortobrônquica).