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Vertigem aguda no PS — periférica vs central, HINTS, VPPB e Epley

Chegou um paciente com tontura/vertigem aguda no PS — como diferencio periférico de central sem pedir TC para todo mundo?

Red flags — sinais de gravidade

  • HINTS de padrão central: head impulse NORMAL + nistagmo que muda de direção no olhar excêntrico + skew deviation — qualquer um dos três sugere causa central.
  • Paciente que não consegue ficar em pé ou andar sem apoio (ataxia de tronco grave) — pensa em cerebelo até prova em contrário.
  • Vertigem aguda + cefaleia occipital ou cervicalgia intensa de início súbito — considerar dissecção de artéria vertebral, mesmo em jovem.
  • Qualquer sinal neurológico focal associado (disartria, diplopia, dismetria, disfagia, parestesia de face) — deixa de ser 'labirintite'.
  • Surdez súbita unilateral junto com a vertigem — pode ser AICA (infarto), não só doença de orelha interna.
  • Erro que mata: confiar na TC de crânio normal para descartar AVC de fossa posterior — a TC perde a maioria dos infartos isquêmicos precoces de tronco/cerebelo; nas primeiras 24–48h até a RM com difusão pode ser falso-negativa em infartos pequenos.
  • Erro clássico: fazer HINTS em quem não tem indicação — o exame só vale na síndrome vestibular aguda contínua COM nistagmo; aplicar em tontura episódica ou sem nistagmo gera falso resultado.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Classificou a síndrome pelo tempo e gatilho (GRACE-3): vestibular aguda contínua (>24h, persistente), episódica espontânea ou episódica desencadeada por movimento da cabeça?
  • Perguntou 'timing e trigger' em vez de 'que tipo de tontura é' — a qualidade da tontura (rotatória vs desequilíbrio) discrimina mal.
  • Se síndrome vestibular aguda CONTÍNUA com nistagmo espontâneo: fez (ou chamou quem sabe fazer) o HINTS — head impulse, nistagmo, test of skew.
  • Se episódios curtos desencadeados por virar a cabeça/deitar: fez Dix-Hallpike procurando VPPB de canal posterior.
  • Checou sinais centrais associados: disartria, diplopia, dismetria, disfagia, ataxia de tronco (não anda sozinho), déficit focal.
  • Revisou fatores de risco vascular (idade, HAS, DM, FA, tabagismo) e início súbito com cefaleia/cervicalgia (dissecção vertebral).
  • Conferiu medicações e ortostatismo — hipotensão, hipoglicemia e intoxicação também dão 'tontura'.
  • Se VPPB confirmada no Dix-Hallpike: fez Epley na hora, em vez de só prescrever antivertiginoso.

Conduta inicial

  1. 1Estabiliza e afasta mímicos: glicemia capilar, PA deitado/em pé, ECG se palpitação ou síncope associada.
  2. 2Classifica a síndrome (contínua vs episódica; espontânea vs desencadeada) — isso define qual exame de beira de leito usar, não a TC.
  3. 3Síndrome vestibular aguda contínua com nistagmo: HINTS por examinador treinado; padrão periférico (head impulse alterado, nistagmo unidirecional, sem skew) sugere neurite vestibular; qualquer componente central → RM e avaliação de AVC.
  4. 4Episódios breves desencadeados por posição: Dix-Hallpike; se nistagmo torcional-vertical típico do canal posterior, é VPPB → Epley no próprio atendimento (repetir se necessário).
  5. 5VPPB: evitar suprimir com antivertiginoso de rotina — a manobra é o tratamento; benzodiazepínico e anti-histamínico atrasam a compensação.
  6. 6Neurite vestibular presumida: sintomático por curto período (ex. dimenidrinato ou meclizina, disponíveis no Brasil), antiemético se vômitos, e suspender o supressor assim que tolerado para permitir compensação vestibular.
  7. 7Suspeita de causa central: acionar via de AVC do serviço, RM com difusão como exame de escolha, discutir com neurologia — não segurar o paciente esperando TC 'esclarecer'.
  8. 8Antes da alta: paciente deambulando com segurança, orientado sobre retorno se déficit novo, e VPPB orientada sobre recorrência.

Exames

  • Glicemia capilar e sinais vitais com medida ortostática — mímicos frequentes de 'tontura'.
  • HINTS (beira de leito) — na síndrome vestibular aguda contínua com nistagmo, feito por examinador treinado, é mais sensível que RM precoce para AVC (Kattah 2009).
  • Dix-Hallpike (beira de leito) — teste diagnóstico da VPPB de canal posterior; teste de rolamento (supine roll) se suspeita de canal horizontal.
  • RM de encéfalo com difusão — exame de imagem de escolha quando há suspeita de causa central; lembrar do falso-negativo nas primeiras 24–48h em infartos pequenos de fossa posterior.
  • TC de crânio — baixa sensibilidade para isquemia de fossa posterior; útil basicamente para sangramento ou quando RM indisponível; TC normal NÃO exclui AVC.
  • ECG e eletrólitos se apresentação atípica, síncope/pré-síncope ou uso de drogas que prolongam QT.

Prescrição-modelo

Modelo de prescrição em rascunho, com campos em aberto — revise, complete e confirme cada item antes de assinar. Doses e escolhas finais são do médico responsável.

Dieta

  • Dieta conforme aceitação; jejum apenas se vômitos incoercíveis ou suspeita de causa central com risco de rebaixamento.

Soro

  • Hidratação venosa se vômitos persistentes/desidratação: SF 0,9% ___ mL EV, ajustar ao caso ( ___ ).

Medicamentos

  • Dimenidrinato ___ mg EV/VO conforme protocolo institucional, se náusea/vertigem intensa — uso por curto período ( ___ dias).
  • Ondansetrona ___ mg EV se vômitos refratários ( ___ ).
  • Meclizina ___ mg VO como alternativa sintomática ambulatorial ( ___ ).
  • VPPB confirmada: manobra de Epley é o tratamento — antivertiginoso de rotina NÃO indicado (AAO-HNS 2017).

Recomendações

  • Suspender supressor vestibular assim que tolerado, para não atrasar a compensação.
  • VPPB: orientar que pode recorrer; retornar para nova manobra se voltar.
  • Retorno imediato se fraqueza, fala arrastada, visão dupla, dificuldade para andar ou cefaleia súbita intensa.
  • Evitar dirigir até resolução dos sintomas.

Exames

  • RM de encéfalo com difusão se qualquer componente central no HINTS ou sinal focal ( ___ ).
  • Dix-Hallpike documentado no prontuário (lado ___ , nistagmo ___ ).
  • Reavaliação da deambulação antes da alta.

Referências

  1. [1]Guidelines for Reasonable and Appropriate Care in the Emergency Department 3 (GRACE-3): Acute Dizziness and Vertigo in the Emergency Department, SAEM / Academic Emergency Medicine, 2023
  2. [2]Clinical Practice Guideline: Benign Paroxysmal Positional Vertigo (Update), AAO-HNS / Otolaryngology–Head and Neck Surgery (Bhattacharyya et al.), 2017
  3. [3]HINTS to Diagnose Stroke in the Acute Vestibular Syndrome: Three-Step Bedside Oculomotor Examination More Sensitive Than Early MRI Diffusion-Weighted Imaging (Kattah JC et al.), Stroke, 2009
  4. [4]Benign Paroxysmal Positional Vertigo — Guidelines Summary, Medscape (emedicine.medscape.com), acesso 2026

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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