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Síndrome gripal e SRAG no adulto — influenza/COVID, oseltamivir e critérios de internação

Chegou um adulto com febre, tosse e mialgia há 2 dias — como separo síndrome gripal de SRAG, quando começo oseltamivir e quem eu interno?

Red flags — sinais de gravidade

  • SpO2 menor que 95% em ar ambiente (ou menor/igual a 94%) — sinal de SRAG, avaliar O2 e internação
  • Dispneia, taquipneia, tiragem ou cianose de lábios/face
  • Hipotensão em relação à PA habitual, rebaixamento ou confusão — sepse/insuficiência respiratória
  • Piora aguda de doença de base (asma, DPOC, ICC, imunossupressão)
  • Desidratação, incapacidade de ingerir líquidos ou sinais de choque
  • Erro que mata: adiar o oseltamivir esperando o resultado do teste em quem já tem SRAG ou fator de risco — na suspeita clínica, inicia-se o antiviral sem aguardar confirmação laboratorial
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Início dos sintomas: há quantas horas/dias? (janela das 48h para antiviral)
  • Febre + tosse ou dor de garganta, de início recente? (define síndrome gripal)
  • Dispneia, desconforto respiratório ou dor/pressão torácica persistente?
  • SpO2 em ar ambiente — dessaturação (menor que 95%, ou menor/igual a 94%) é sinal de gravidade
  • Fatores de risco para complicação: idade maior/igual a 60 anos, gestante/puérpera, imunossuprimido, pneumopatia, cardiopatia, diabetes, obesidade, nefropatia, hepatopatia
  • Piora de doença de base ou hipotensão em relação ao basal do paciente?
  • Estado vacinal para influenza e COVID (não muda a indicação de tratar)
  • Sinais de desidratação, confusão, taquipneia ou uso de musculatura acessória?

Conduta inicial

  1. 1Defina o quadro: síndrome gripal (SG) = febre (ainda que referida) + tosse ou dor de garganta + pelo menos um de cefaleia, mialgia ou artralgia, de início recente (definição do Guia MS 2023). SRAG = SG que evolui com dispneia/desconforto respiratório OU pressão persistente no tórax OU SpO2 menor que 95% em ar ambiente OU cianose de lábios/face.
  2. 2Oseltamivir empírico: indique para todo caso de SG com fator de risco para complicação e para todo caso de SRAG, sem esperar o exame — preferencialmente nas primeiras 48h, mas mantém benefício após 48h em SRAG e em pacientes de risco.
  3. 3Fatores de risco para complicação: idade maior/igual a 60 anos, menores de 5 anos, gestantes e puérperas (até 2 semanas), imunossuprimidos, pneumopatias, cardiopatias, diabetes, obesidade, doença renal/hepática crônica, doença neurológica incapacitante.
  4. 4SRAG é doença de notificação compulsória — registre e notifique conforme o fluxo da vigilância local; colha amostra de secreção respiratória (idealmente antes de iniciar o antiviral, sem atrasá-lo).
  5. 5Oxigênio: se SpO2 menor que 94-95% em ar ambiente, ofereça O2 suplementar com alvo definido pelo protocolo institucional e reavalie resposta.
  6. 6Critérios de internação a considerar: SRAG, hipoxemia/necessidade de O2, instabilidade hemodinâmica, rebaixamento, descompensação de comorbidade, incapacidade de hidratação por via oral ou baixa rede de suporte.
  7. 7Não sabendo diferenciar influenza de COVID clinicamente: teste quando disponível, mas a decisão de tratar a influenza não espera o resultado nos casos graves ou de risco. Para COVID em internado com hipoxemia, siga o protocolo institucional (ex.: corticoide/antiviral conforme diretriz vigente).
  8. 8SG sem fator de risco e sem sinais de gravidade: manejo sintomático, hidratação, orientação de retorno com as red flags e sinais de alarme por escrito.

Exames

  • Oximetria de pulso em ar ambiente (e frequência respiratória) — triagem de gravidade
  • Teste para influenza/SARS-CoV-2 (RT-PCR ou teste rápido de antígeno), idealmente antes do antiviral — sem atrasar tratamento no caso grave
  • Radiografia de tórax (ou considerar TC) se dispneia, hipoxemia ou suspeita de pneumonia
  • Hemograma, PCR, ureia/creatinina e eletrólitos nos casos de SRAG/internação (creatinina orienta ajuste renal do oseltamivir)
  • Gasometria arterial e lactato se hipoxemia, esforço respiratório ou instabilidade

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para o residente conferir e completar os campos em aberto ( ___ ). Confirmar dose conforme função renal, peso e protocolo local; não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta ___ (conforme aceitação e estado clínico), estímulo à hidratação oral se sem contraindicação

Soro

  • Hidratação venosa se aceitação oral ruim/desidratação: ___ (ex.: SF 0,9% ___ mL, conforme avaliação clínica e comorbidades)

Medicamentos

  • Fosfato de oseltamivir 75 mg VO 12/12h por 5 dias (adulto, função renal normal) — ajustar se ClCr menor que 60 mL/min (ex.: 30 mg 12/12h se ClCr 30-60; 30 mg 1x/dia se ClCr 10-30). Confirmar dose: ___
  • Antitérmico/analgésico: dipirona ___ mg VO/EV até 6/6h se dor ou febre (ou paracetamol ___ mg), conforme dor/febre
  • Oxigênio suplementar se SpO2 menor que 94-95%: ___ (dispositivo e fluxo conforme alvo)
  • Considerar conforme protocolo institucional em COVID grave/internado: ___ (ex.: corticoide/antiviral segundo diretriz vigente)

Recomendações

  • Precauções para gotículas/aerossol conforme rotina institucional
  • Reavaliar SpO2, FR e estado geral em ___ h
  • Orientar sinais de alarme por escrito e retorno imediato se dispneia, dessaturação ou piora

Exames

  • Coletar swab/secreção respiratória para influenza e SARS-CoV-2: ___
  • Solicitar: oximetria, RX de tórax, hemograma, PCR, função renal e eletrólitos conforme gravidade: ___

Referências

  1. [1]Guia de Manejo e Tratamento de Influenza, Ministério da Saúde (SVSA), 2023
  2. [2]Guia de Orientações para Profissionais de Saúde sobre SG e SRAG, Ministério da Saúde, 2025
  3. [3]COVID-19 Treatment Guidelines (Hospitalized Adults: Therapeutic Management), NIH, 2024 (arquivadas em 2024 — manutenção transferida a IDSA; conferir vigência na validação)
  4. [4]IDSA Guidelines on the Treatment and Management of Patients with COVID-19, Infectious Diseases Society of America, 2024

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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