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Mordeduras de cão, gato e humano — ferida, sutura e antibiótico profilático

Chegou uma mordedura no PS — lavo, suturo, passo antibiótico? O que não posso deixar passar?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que mata: fechar primariamente mordedura profunda de gato na mão — punctória inocula Pasteurella fundo, sela a porta de saída e vira tenossinovite/artrite séptica
  • Erro que mata: liberar 'ferida pequena' no dorso da MCF sem explorar — fight bite perdido evolui para artrite séptica e perda de função da mão
  • Dor desproporcional, dor à extensão passiva do dedo ou dedo em flexão fixa — pensar tenossinovite dos flexores
  • Celulite de progressão rápida (menos de 24h) após mordedura de gato — Pasteurella multocida, não esperar
  • Asplenia ou cirrose com mordedura de cão — risco de sepse fulminante por Capnocytophaga
  • Febre, linfangite ou secreção purulenta na reavaliação — deixou de ser profilaxia, é tratamento
  • Animal agressor não observável ou agressão não provocada — não adiar a discussão de profilaxia da raiva (ps-064)
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Irrigação copiosa com soro fisiológico sob pressão (seringa 20-60 mL + cateter) — é o passo que mais reduz infecção
  • Explorar a ferida em toda a amplitude de movimento: tendão, cápsula articular, corpo estranho (dente)
  • Mão com ferida sobre MCF após soco? Tratar como fight bite até prova em contrário — a lesão profunda não acompanha a pele
  • Radiografia se suspeita de fratura, dente retido ou ferida próxima a osso/articulação
  • Classificar risco: gato (punctória profunda), mão/pé/face, imunossuprimido, asplenia, ferida com mais de 8-12h
  • Checar status vacinal antitetânico e indicação de profilaxia da raiva — esquemas no verbete ps-064
  • Documentar mecanismo, animal (conhecido? observável?), horário e aspecto da ferida; acionar notificação/vigilância conforme rotina local
  • Definir retorno em 24-48h para reavaliar sinais de infecção

Conduta inicial

  1. 1Analgesia e irrigação copiosa com SF 0,9% sob pressão; anestesia local antes de explorar se necessário
  2. 2Desbridar tecido desvitalizado e remover corpos estranhos; punctórias não devem ser aprofundadas nem irrigadas sob alta pressão dentro do trajeto
  3. 3Fechamento primário só em ferida de face com boa irrigação e desbridamento (estética justifica, vascularização favorece) — IDSA 2014
  4. 4Deixar cicatrizar por segunda intenção (ou fechamento primário tardio): mão e pé, punctória de gato, ferida com mais de 12-24h, mordida humana fora da face, ferida com sinais de infecção
  5. 5Antibiótico profilático 3 a 5 dias se alto risco: mordida de gato, mão/pé/face/genitália, punctória profunda, acometimento próximo a osso/articulação, imunossuprimido/asplênico/cirrótico, ferida que será suturada, mordida humana — escolha: amoxicilina-clavulanato
  6. 6Alergia a penicilina: cobrir Pasteurella/Eikenella + anaeróbios — ex. doxiciclina ou sulfametoxazol-trimetoprima associados a metronidazol ou clindamicina; evitar cefalexina e clindamicina isoladas (não cobrem Pasteurella/Eikenella)
  7. 7Fight bite: radiografia, exploração em punho cerrado, nunca suturar; baixo limiar para avaliação da cirurgia da mão
  8. 8Profilaxia antirrábica e antitetânica: indicação e esquemas completos no verbete ps-064 — não decidir alta sem passar por esse checklist

Exames

  • Radiografia da região se soco/mão, suspeita de fratura, dente retido ou ferida perto de articulação
  • Cultura de secreção só se ferida já infectada (não colher de ferida limpa)
  • Hemograma e PCR se sinais sistêmicos ou celulite extensa
  • Hemoculturas se febre + fator de risco (asplenia, cirrose, imunossupressão)

Prescrição-modelo

Modelo de rascunho para adulto com função renal normal — revise dose, alergias e protocolo institucional antes de assinar.

Dieta

  • Dieta livre, conforme aceitação

Soro

  • Sem soroterapia de rotina — SF 0,9% ___ mL apenas para irrigação da ferida

Medicamentos

  • Amoxicilina-clavulanato 875/125 mg VO 12/12h por ___ dias (profilaxia: 3 a 5 dias) — criança: 40-45 mg/kg/dia de amoxicilina VO 12/12h (conferir protocolo pediátrico local)
  • Dipirona 1 g VO 6/6h se dor (ou paracetamol 750 mg VO 6/6h)
  • Vacina dT/dTpa e/ou soro antitetânico conforme status vacinal — ver ps-064
  • Profilaxia da raiva (vacina ± soro/imunoglobulina) conforme classificação do acidente — ver ps-064

Recomendações

  • Curativo diário; manter ferida limpa e seca
  • Elevar o membro acometido; se mão, orientar repouso relativo
  • Retorno em ___ h (sugerido 24-48h) para reavaliação da ferida
  • Retornar antes se dor crescente, vermelhidão que se espalha, secreção ou febre
  • Orientar observação do animal por 10 dias quando aplicável — ver ps-064

Exames

  • Radiografia de ___ (se suspeita de fratura ou dente retido)
  • Cultura de secreção da ferida (somente se infectada)

Referências

  1. [1]Practice Guidelines for the Diagnosis and Management of Skin and Soft Tissue Infections: 2014 Update, Infectious Diseases Society of America (IDSA), 2014
  2. [2]Human Bites Treatment & Management, Medscape (eMedicine), atualização contínua
  3. [3]Animal Bites in Emergency Medicine, Medscape (eMedicine), atualização contínua
  4. [4]Protocolo de Profilaxia da Raiva Humana, Ministério da Saúde (Brasil) — referência cruzada, esquemas no verbete ps-064

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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