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Isquemia aguda de membro — 6 Ps, classificação de Rutherford, heparinização e vascular de urgência

Chegou uma perna subitamente fria, pálida e sem pulso — como classifico a viabilidade e em que hora chamo o vascular?

Red flags — sinais de gravidade

  • Rutherford IIb (déficit sensitivo além dos dedos, dor de repouso, fraqueza, sinal arterial inaudível): revascularização imediata, não dá para esperar exame eletivo — risco de perder o membro em horas.
  • Rutherford III (anestesia profunda, paralisia, rigidez muscular, sem sinal arterial nem venoso): membro inviável — a tentativa de reperfusão pode matar por síndrome de reperfusão; discussão precoce sobre amputação.
  • Membro tenso, muito doloroso à palpação e à mobilização passiva após reperfusão: pensar em síndrome compartimental — fasciotomia de urgência.
  • Hipercalemia, acidose, mioglobinúria e IRA após reperfusão de isquemia prolongada: monitorar e tratar antes que evolua para arritmia fatal.
  • Isquemia de membro superior com déficit neurológico associado: pensar em fonte cardíaca/aórtica e evento embólico múltiplo.
  • Atraso em acionar o vascular/hemodinâmica por indefinição diagnóstica: cada hora conta — na dúvida, heparinizar e chamar a retaguarda.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Os 6 Ps: dor (pain), palidez (pallor), ausência de pulso (pulselessness), parestesia, paralisia e poiquilotermia (frio) — quanto mais Ps, pior a viabilidade.
  • Início e evolução: embolia costuma ser abrupta em membro sem histórico; trombose in situ tende a ser mais arrastada em quem já tinha claudicação.
  • Palpar e comparar pulsos dos dois membros e marcar o nível onde o pulso some — orienta o local da oclusão.
  • Testar sensibilidade e força: parestesia e paresia são o divisor entre membro viável e membro ameaçado.
  • Classificação de Rutherford: I viável, IIa ameaçado marginalmente, IIb ameaçado imediatamente, III lesão irreversível — define a urgência da revascularização.
  • Doppler portátil: presença de sinal arterial e venoso ajuda a separar Rutherford I/II de III.
  • Procurar fonte embólica: fibrilação atrial, IAM recente, aneurisma, prótese valvar; e fatores de trombose: doença arterial periférica, desidratação, estado pró-trombótico.
  • Anotar a hora do início dos sintomas — a janela para salvar o membro é curta (isquemia muscular relevante em torno de 4–6h).

Conduta inicial

  1. 1Anticoagulação plena imediata assim que o diagnóstico é levantado e não há contraindicação: heparina não fracionada em bólus seguido de infusão contínua — reduz propagação do trombo enquanto se organiza a revascularização.
  2. 2Acionar cirurgia vascular / radiologia intervencionista de urgência em paralelo à avaliação; a classificação de Rutherford orienta a rota (trombólise dirigida por cateter em geral para I/IIa; revascularização aberta/embolectomia para IIb).
  3. 3Analgesia adequada e proteger o membro: manter aquecido de forma passiva, não aplicar calor direto nem frio, não elevar (elevar piora a perfusão), evitar trauma e compressão.
  4. 4Hidratação venosa e correção de distúrbios; preparar para possível síndrome de reperfusão (monitorar potássio, função renal, CK).
  5. 5Coletar exames pré-operatórios e definir a fonte (ECG para FA/IAM, avaliar necessidade de imagem arterial conforme o serviço) sem atrasar a revascularização em IIb.
  6. 6Rutherford III: alinhar com vascular sobre inviabilidade e conduta (amputação), evitar reperfusão de membro morto.
  7. 7Manter jejum e acesso venoso calibroso desde a admissão — a maioria segue para procedimento.
  8. 8Registrar hora de início, evolução dos pulsos e do exame neurológico seriado — mudança para pior é gatilho para acelerar.

Exames

  • ECG (fibrilação atrial, IAM recente como fonte embólica).
  • Hemograma, coagulograma, função renal, eletrólitos (potássio), CK, lactato — basear anticoagulação, avaliar isquemia muscular/reperfusão e preparar cirurgia.
  • Doppler arterial/venoso à beira do leito para viabilidade; angiotomografia ou arteriografia conforme o serviço e a estabilidade, sem atrasar revascularização de membro imediatamente ameaçado.
  • Tipagem sanguínea e provas pré-operatórias.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Jejum (provável procedimento de revascularização) ___

Soro

  • Hidratação venosa: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___ (atenção a reperfusão e função renal)

Medicamentos

  • Heparina não fracionada: bólus ___ UI/kg IV seguido de infusão contínua ___ UI/kg/h, ajustar por TTPa conforme protocolo institucional (confirmar peso, função renal e contraindicações)
  • Analgesia: dipirona ___ mg IV até ___/___h e/ou opioide ___ se dor intensa
  • Antiemético se necessário ___

Recomendações

  • Manter o membro em temperatura ambiente, sem calor/frio direto, sem elevar e sem compressão
  • Exame neurovascular seriado (pulsos, sensibilidade, força, temperatura) e registrar mudanças
  • Acionar cirurgia vascular / hemodinâmica de urgência
  • Vigiar síndrome de reperfusão e compartimental após revascularização

Exames

  • ECG, hemograma, coagulograma, função renal, eletrólitos, CK, lactato ___
  • Imagem arterial (Doppler/angioTC/arteriografia) conforme serviço, sem atrasar revascularização de membro ameaçado ___
  • Provas pré-operatórias e tipagem ___

Referências

  1. [1]Editor's Choice — European Society for Vascular Surgery (ESVS) 2020 Clinical Practice Guidelines on the Management of Acute Limb Ischaemia, European Journal of Vascular and Endovascular Surgery 59(2):173-218, 2020
  2. [2]Acute Limb Ischemia (Rutherford classification), Medscape (emedicine.medscape.com), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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