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Pericardite aguda e miocardite — dor torácica que não é SCA, critérios diagnósticos, AINE + colchicina e quando internar

Dor torácica que muda com a posição e respiração, supra de ST difuso — é pericardite mesmo e quando isso deixa de ser caso de mandar para casa?

Red flags — sinais de gravidade

  • Não ancorar em pericardite e deixar passar SCA: supra difuso pode confundir; na dúvida em paciente com risco coronariano, investigar isquemia primeiro.
  • Tamponamento cardíaco (hipotensão, turgência jugular, pulso paradoxal, abafamento): emergência — ecocardiograma e pericardiocentese, não postergar.
  • Miocardite com disfunção de VE, insuficiência cardíaca, arritmia ventricular ou bloqueio: internar, monitorizar e evitar esforço físico e AINE em dose anti-inflamatória plena se houver disfunção importante.
  • Miocardite fulminante (choque cardiogênico, arritmia maligna): suporte avançado, discutir com cardiologia/UTI, considerar suporte circulatório.
  • Pericardite com febre alta e leucocitose ou paciente imunossuprimido: pensar em etiologia bacteriana/purulenta ou TB — não tratar como simples viral.
  • Sob anticoagulação com derrame pericárdico: risco de hemopericárdio — reavaliar anticoagulação com a retaguarda.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Dor pleurítica que piora deitado e ao inspirar e alivia sentado/inclinado para frente — o padrão típico da pericardite.
  • Atrito pericárdico à ausculta (pode ser fugaz — auscultar mais de uma vez, paciente inclinado).
  • ECG: supra de ST côncavo difuso e infra de PR, sem território coronariano definido — ajuda a separar de SCA, mas não descarta.
  • Critérios de pericardite aguda (2 de 4): dor típica, atrito, alterações de ECG, derrame pericárdico novo/piorando.
  • Marcadores de miocardite associada (miopericardite): troponina elevada, disfunção de VE, arritmia — muda o prognóstico e a conduta.
  • Pesquisar causa: viral/idiopática (mais comum), pós-IAM, urêmica, neoplásica, tuberculose, autoimune, pós-pericardiotomia.
  • Sinais de derrame significativo/tamponamento: turgência jugular, hipotensão, bulhas abafadas, pulso paradoxal.
  • Fatores de mau prognóstico que pesam para internar: febre >38°C, início subagudo, derrame volumoso, tamponamento, imunossupressão, uso de anticoagulante, falha de AINE, elevação de troponina.

Conduta inicial

  1. 1Pericardite viral/idiopática sem critério de alto risco: manejo ambulatorial com AINE + colchicina e retorno programado.
  2. 2AINE em dose anti-inflamatória: AAS 750–1000 mg 8/8h ou ibuprofeno 600 mg 8/8h por 1–2 semanas com proteção gástrica, reduzindo após melhora dos sintomas e normalização de PCR.
  3. 3Colchicina associada por 3 meses (0,5 mg 1x/dia se <70 kg ou 0,5 mg 12/12h se ≥70 kg) — melhora resposta e reduz recorrência; ajustar à função renal e a interações.
  4. 4Restrição de atividade física até resolução dos sintomas e normalização de marcadores (prazo maior se houver miocardite — meses, conforme cardiologia).
  5. 5Miopericardite: priorizar repouso, tratar sintomas com cautela quanto ao AINE se houver disfunção de VE, e conduzir a insuficiência cardíaca/arritmia como habitual.
  6. 6Internar quem tem fator de mau prognóstico (febre alta, derrame grande, tamponamento, troponina alta, imunossupressão, anticoagulação, falha de AINE).
  7. 7Tamponamento: ecocardiograma de urgência e pericardiocentese; suporte hemodinâmico com volume enquanto se prepara.
  8. 8Buscar e tratar a causa de base quando não for viral/idiopática (urêmica, neoplásica, TB, autoimune).

Exames

  • ECG (supra de ST difuso côncavo, infra de PR; procurar sinais de isquemia).
  • Troponina (marca miopericardite/miocardite), hemograma, PCR/VHS, função renal, eletrólitos.
  • Ecocardiograma: derrame, tamponamento, função de VE — essencial se suspeita de miocardite ou instabilidade.
  • Radiografia de tórax; investigação etiológica conforme suspeita (TSH, autoimunes, TB, hemoculturas se febril/purulento).
  • Ressonância cardíaca para confirmar miocardite em casos selecionados (conforme cardiologia).

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme comorbidades (hipossódica se insuficiência cardíaca/miocardite) ___

Soro

  • Hidratação venosa conforme necessidade; em tamponamento, volume para suporte enquanto se prepara pericardiocentese ___

Medicamentos

  • AAS ___ mg VO 8/8h por 1–2 semanas OU ibuprofeno 600 mg VO 8/8h por 1–2 semanas, com proteção gástrica (omeprazol ___ mg) — reduzir após melhora
  • Colchicina 0,5 mg VO 1x/dia (<70 kg) ou 12/12h (≥70 kg) por 3 meses (ajustar à função renal e interações ___)
  • Analgesia adicional se necessário: dipirona ___ mg até ___/___h
  • Miocardite com IC/arritmia: conduzir insuficiência cardíaca/arritmia conforme protocolo e cardiologia ___

Recomendações

  • Restrição de esforço físico até resolução dos sintomas e normalização de marcadores (mais prolongada se miocardite)
  • Retornar se piora da dor, dispneia, síncope, febre alta persistente ou palpitações
  • Reavaliar anticoagulação com a retaguarda se houver derrame pericárdico
  • Seguimento com PCR/eco para guiar desmame do AINE

Exames

  • ECG, troponina, hemograma, PCR/VHS, função renal, eletrólitos ___
  • Ecocardiograma (derrame/tamponamento/função de VE) ___
  • Investigação etiológica conforme suspeita e RM cardíaca em casos selecionados ___

Referências

  1. [1]2015 ESC Guidelines for the diagnosis and management of pericardial diseases, European Society of Cardiology, European Heart Journal 36(42):2921-2964, 2015
  2. [2]2025 ESC Guidelines for the management of myocarditis and pericarditis, European Society of Cardiology, European Heart Journal 46(40):3952, 2025

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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