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Crise de gota aguda no PS — monoartrite, diferencial com artrite séptica e colchicina/AINE/corticoide

Primeiro dedão vermelho, quente e doendo muito de repente — trato como gota ou preciso puncionar para excluir artrite séptica?

Red flags — sinais de gravidade

  • Artrite séptica é o não-pode-passar: articulação quente + febre/toxemia ou fatores de risco exige artrocentese com análise do líquido (Gram, cultura, celularidade, cristais) antes de assumir gota.
  • Monoartrite em imunossuprimido, prótese articular ou com porta de entrada: baixar o limiar para punção e cobertura antibiótica.
  • Colchicina em dose alta / esquema antigo: risco de toxicidade (diarreia, mielo/neurotoxicidade) — usar esquema de baixa dose e ajustar à função renal e interações.
  • AINE em nefropata, cardiopata, idoso, úlcera ou anticoagulado: pode ser contraindicado — preferir corticoide nesses casos.
  • Poliarticular/atípico ou sem melhora esperada: reconsiderar diagnóstico (séptica, outra artropatia).
  • Interações da colchicina (macrolídeos, estatinas, inibidores de CYP3A4/P-gp) e disfunção renal/hepática: aumentam toxicidade — revisar.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Monoartrite aguda, muito dolorosa, com início rápido (horas), articulação quente, vermelha e edemaciada — clássico da gota (podagra na 1ª metatarsofalângica).
  • História prévia de crises semelhantes, hiperuricemia, uso de diurético, álcool, doença renal — reforça gota.
  • Diferenciar de artrite séptica: febre, calafrios, porta de entrada, imunossupressão e monoartrite sem história de gota puxam para punção.
  • Considerar pseudogota (condrocalcinose), celulite e artrite reativa no diferencial.
  • Avaliar quantas articulações, tempo de evolução e resposta a crises anteriores.
  • Função renal, uso de anticoagulante e comorbidades — definem qual anti-inflamatório é seguro.
  • Não iniciar nem suspender terapia de redução de urato durante a crise só por causa dela (se já usa, manter; ajuste do urato fica para depois).
  • Sinais de resposta esperados: melhora em 2–5 dias com tratamento adequado — se não melhora, reabrir o diferencial.

Conduta inicial

  1. 1Iniciar anti-inflamatório precoce — colchicina, AINE ou corticoide são todos primeira linha; escolher pelo perfil do paciente e comorbidades.
  2. 2Colchicina em baixa dose: 1,2 mg VO no início seguido de 0,6 mg 1h depois, mantendo depois conforme protocolo — melhor tolerada que a dose alta; ajustar à função renal e interações.
  3. 3AINE em dose plena por poucos dias (ex.: naproxeno/indometacina/ibuprofeno) com proteção gástrica, quando não houver contraindicação renal/cardíaca/gástrica.
  4. 4Corticoide (prednisona ~30–40 mg/dia com desmame em 7–10 dias) quando AINE e colchicina são contraindicados ou em nefropata — opção segura e eficaz; intra-articular é boa alternativa em monoartrite após excluir infecção.
  5. 5Se dúvida com artrite séptica: artrocentese antes de corticoide sistêmico/intra-articular; iniciar antibiótico empírico se o quadro sugere infecção.
  6. 6Manter a terapia de redução de urato se o paciente já usa; não é o momento de iniciar/ajustar por conta da crise.
  7. 7Repouso da articulação, analgesia e gelo local como suporte.
  8. 8Manter anti-inflamatório até resolução da crise e orientar seguimento para manejo crônico do urato depois.

Exames

  • Artrocentese com análise do líquido sinovial (cristais de urato birrefringentes negativos, Gram, cultura, celularidade) — padrão-ouro e essencial quando há suspeita de artrite séptica.
  • Hemograma, PCR/VHS, função renal (guia a escolha do anti-inflamatório), e hemoculturas se suspeita de séptica.
  • Ácido úrico sérico ajuda no contexto, mas pode estar normal durante a crise — não confirma nem exclui gota isoladamente.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme comorbidades; orientar redução de álcool/purinas no seguimento ___

Medicamentos

  • Colchicina 1,2 mg VO no início e 0,6 mg 1h depois (esquema de baixa dose), manter conforme protocolo (ajustar à função renal e interações — macrolídeos, estatinas ___)
  • OU AINE em dose plena por poucos dias (ex.: naproxeno ___ mg 12/12h ou indometacina ___) com proteção gástrica, se sem contraindicação renal/cardíaca/gástrica
  • OU prednisona ___ mg/dia (~30–40 mg) com desmame em 7–10 dias, quando AINE/colchicina contraindicados ou nefropata
  • Corticoide intra-articular ___ como alternativa em monoartrite, após excluir infecção
  • Analgesia adicional se necessário: dipirona ___ mg até ___/___h

Recomendações

  • Repouso da articulação, gelo local, analgesia
  • Manter terapia de redução de urato se já em uso; não iniciar/ajustar durante a crise
  • Retornar se febre, piora, ausência de melhora em 2–5 dias ou nova articulação acometida
  • Encaminhar para seguimento do manejo crônico da hiperuricemia

Exames

  • Artrocentese com Gram, cultura, celularidade e pesquisa de cristais se suspeita de artrite séptica ___
  • Hemograma, PCR/VHS, função renal; hemoculturas se suspeita de séptica ___
  • Ácido úrico sérico (pode estar normal na crise) ___

Referências

  1. [1]2020 American College of Rheumatology Guideline for the Management of Gout (FitzGerald JD et al.), Arthritis Care & Research 72(6):744-760, 2020
  2. [2]Gout Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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