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Priapismo e parafimose — urológicas agudas do plantão: tempo é tecido, drenagem/aspiração e redução manual

Ereção dolorosa há horas ou prepúcio preso atrás da glande inchada — o que faço agora antes de o tecido morrer?

Red flags — sinais de gravidade

  • Erro que custa o pênis: tratar priapismo isquêmico como urgência de rotina — é emergência, ICI com fenilefrina e aspiração devem começar assim que o diagnóstico é feito, sem esperar exames sistêmicos.
  • Priapismo isquêmico com mais de 48h: fenilefrina perde eficácia (isquemia e acidose comprometem a musculatura lisa), risco alto de disfunção erétil permanente — acionar urologia sem demora.
  • Parafimose não reduzida evolui para isquemia e necrose da glande — não observar passivamente, reduzir ou chamar urologia de urgência.
  • Priapismo em paciente falcêmico: tratar a crise (hidratação, analgesia, oxigênio, considerar exame hematológico) mas sem atrasar a intervenção intracavernosa local.
  • Monitorar PA e FC ao injetar fenilefrina intracavernosa — risco de hipertensão, cefaleia e arritmia, especialmente em cardiopata.
  • Priapismo não isquêmico (alto fluxo) não é emergência de mesmo grau: manobras agressivas e injeção de simpaticomimético são desnecessárias e podem prejudicar — encaminhar para avaliação urológica e imagem.
Isto é respaldo, não prescrição. Quem fecha a conduta é você.

Conteúdo destinado a profissionais de saúde.

Checklist rápido

  • Priapismo: separar isquêmico (baixo fluxo, doloroso, corpos cavernosos rígidos, glande mole) de não isquêmico (alto fluxo, geralmente pós-trauma, menos doloroso) — muda tudo na conduta.
  • Tempo de ereção: anote a hora de início; priapismo isquêmico é síndrome compartimental do pênis — quanto mais tempo, mais dano.
  • Gasometria do aspirado cavernoso quando disponível: isquêmico costuma dar pO2 baixo, pCO2 alto e pH ácido; ajuda a confirmar baixo fluxo.
  • Causas: uso de fármacos para disfunção erétil, injeção intracavernosa, anemia falciforme/traço, leucemia, trazodona, antipsicóticos, cocaína.
  • Parafimose: prepúcio retraído preso atrás do sulco coronal, glande edemaciada e dolorosa — diferenciar de balanite e de fimose simples.
  • Sinais de sofrimento tecidual na parafimose: dor intensa, cianose/palidez da glande, tempo de retração prolongado.
  • Avaliar controle da dor antes de qualquer manobra: bloqueio peniano ou anestésico tópico melhora sucesso da redução.
  • Circunstância da parafimose: retração para sondagem/higiene sem recolocar o prepúcio é causa clássica iatrogênica — revisar cuidado de enfermagem.

Conduta inicial

  1. 1Priapismo isquêmico: analgesia e, na sequência, aspiração dos corpos cavernosos com ou sem irrigação, associada a injeção intracavernosa de fenilefrina diluída — primeira linha antes de qualquer procedimento cirúrgico (AUA/SMSNA 2022).
  2. 2Fenilefrina intracavernosa em solução diluída (ex. 100–200 mcg por aplicação, repetir a cada 3–5 min conforme resposta, com limite total ___), sempre com monitorização de PA e FC — dose e diluição confirmadas com a urologia/retaguarda.
  3. 3Não atrasar a intervenção local por terapia sistêmica: no falcêmico, hidratar/analgesiar/oxigenar em paralelo, não antes.
  4. 4Falha da reversão farmacológica + aspiração: acionar urologia para shunt distal (corporoglandular) — não insistir indefinidamente no PS.
  5. 5Priapismo não isquêmico (alto fluxo): conduta conservadora, gelo, observação e encaminhamento urológico com imagem (Doppler/arteriografia); não é caso de fenilefrina agressiva.
  6. 6Parafimose: controlar dor (bloqueio peniano ou gel anestésico tópico), reduzir edema com compressão manual sustentada da glande por vários minutos, gelo/compressão osmótica, e então redução manual empurrando a glande enquanto se traciona o prepúcio sobre ela.
  7. 7Redução manual da parafimose: polegares sobre a glande, indicadores sobre o prepúcio retraído; pressão constante e paciente reduz o edema e recoloca o prepúcio.
  8. 8Parafimose irredutível apesar das manobras: urologia de urgência para incisão dorsal (dorsal slit) — não postergar diante de glande isquêmica.

Exames

  • Gasometria do sangue aspirado do corpo cavernoso: diferencia isquêmico (baixo fluxo) de não isquêmico quando há dúvida.
  • Priapismo isquêmico é diagnóstico clínico + gasométrico; não deixar de tratar esperando imagem.
  • Doppler peniano/USG reservado sobretudo ao priapismo não isquêmico (alto fluxo) e à investigação de fístula arterial.
  • Hemograma e investigação de anemia falciforme/leucemia quando a causa não é óbvia, sem atrasar a intervenção local.

Prescrição-modelo

Modelo de apoio, em rascunho, com campos em aberto ( ___ ) para o residente confirmar dose, via, peso, função renal e alergias antes de assinar. Não é prescrição finalizada.

Dieta

  • Dieta conforme condição clínica e possibilidade de procedimento/anestesia ___
  • Jejum se houver perspectiva de intervenção cirúrgica (shunt/dorsal slit) ___

Soro

  • Hidratação venosa conforme necessidade, especialmente no falcêmico: soro fisiológico 0,9% ___ mL, gotejamento ___

Medicamentos

  • Priapismo isquêmico: fenilefrina intracavernosa diluída ___ mcg por aplicação, repetir a cada ___ min conforme resposta, com limite total ___ e monitorização de PA/FC (diluição e dose confirmadas com urologia)
  • Analgesia sistêmica: dipirona ___ mg ou opioide ___ conforme intensidade da dor
  • Bloqueio peniano com anestésico local sem vasoconstritor ___ mL para aspiração/redução
  • Parafimose: gel anestésico tópico ___ e/ou bloqueio peniano ___ antes da redução manual
  • Falcêmico com priapismo: analgesia, hidratação, oxigênio; discutir necessidade de terapia hematológica ___

Recomendações

  • Registrar hora de início do quadro e horário das intervenções
  • Monitorar PA e FC durante e após injeção de fenilefrina
  • Reduzida a parafimose, recolocar sempre o prepúcio após qualquer manipulação/sondagem e orientar equipe de enfermagem
  • Orientar retorno imediato se recidiva, dor progressiva ou mudança de cor da glande
  • Encaminhar priapismo isquêmico e parafimose de repetição para acompanhamento urológico

Exames

  • Gasometria do aspirado cavernoso se dúvida entre isquêmico e não isquêmico ___
  • Hemograma e rastreio de anemia falciforme/leucemia se causa não evidente ___
  • Doppler/USG peniano se suspeita de priapismo de alto fluxo ___

Referências

  1. [1]The Diagnosis and Management of Priapism: an AUA/SMSNA Guideline, American Urological Association / Sexual Medicine Society of North America, 2022
  2. [2]Priapism Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024
  3. [3]Paraphimosis Treatment & Management, Medscape (emedicine.medscape.com), 2024
  4. [4]Paraphimosis, StatPearls (NCBI Bookshelf), 2023

Conteúdo educacional de apoio à decisão, não substitui avaliação clínica direta, protocolo institucional nem julgamento do médico responsável.

No plantão, a Curie levanta o que as diretrizes e a literatura dizem sobre o seu caso, com a fonte à vista. Quem fecha a conduta é você.

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